Aly Silva
O primeiro‑ministro de transição, Ilídio Vieira Té, defendeu que o governo deve estar acima de qualquer disputa política e garantiu que o executivo está a trabalhar para reforçar a disciplina institucional e a confiança da população.
“É importante dizer aos guineenses, com honestidade, que cem dias não resolvem problemas acumulados ao longo de décadas. São problemas estruturais. No entanto, mostramos o caminho que queremos seguir e, nos momentos difíceis que o país atravessa, fomos incumbidos da nobre missão de construir um governo inclusivo de transição, com um mandato específico, claro e devidamente delimitado”, afirmou.
Ilídio Vieira Té falava aos jornalistas esta segunda‑feira, 23 de fevereiro de 2026, durante uma conferência de imprensa dedicada ao balanço dos cem dias da governação de transição militar.
Segundo o primeiro‑ministro, este período deve ser encarado como uma fase de estabilização, organização e definição de um novo rumo para o país. O chefe do executivo explicou que o governo assumiu funções num contexto particularmente sensível, na sequência de um golpe de Estado militar, com a missão de preservar a integridade nacional, restaurar a confiança nas instituições e permitir que o Estado volte a funcionar com normalidade.
Para o governante, os cem dias de governação foram orientados por uma ideia simples: estabilizar e reformar, com o objetivo de desenvolver o país.
Ilídio Vieira Té afirmou ainda que encarou, a título pessoal, o período de transição como um grande desafio e uma responsabilidade histórica, sublinhando que a Guiné‑Bissau precisava — e continua a precisar — de serenidade e diálogo.
“O contexto é outro. Este não é o tempo de protagonismo político, mas sim de trabalho para o país”, disse, acrescentando que o balanço do governo assenta em três pilares fundamentais: estabilidade política, responsabilidade financeira e autoridade e funcionamento do Estado, assegurando simultaneamente a continuidade institucional num governo de inclusão.
Sublinhou que o diálogo não é sinal de fraqueza, mas sim uma força do executivo. No domínio financeiro, reconheceu que o governo encontrou as finanças públicas sob forte pressão, mas definiu como prioridade o pagamento atempado de salários e o controlo rigoroso das despesas, de forma a garantir qualidade na execução orçamental e reforçar a credibilidade governativa junto dos parceiros internacionais.
No terceiro pilar, destacou a autoridade e o funcionamento do Estado, reiterando que o governo deve estar acima das disputas políticas. Segundo disse, o executivo tem trabalhado para restabelecer a disciplina institucional e reforçar a confiança da população.
O primeiro‑ministro reafirmou ainda o compromisso de corresponder à confiança do Alto Comando Militar (ACM) e, sobretudo, do povo guineense, assumindo o dever de promover a paz, a convivência democrática, o patriotismo e o desenvolvimento do país.
No plano económico, Ilídio Vieira Té disse que o governo está a trabalhar para criar um ambiente favorável ao investimento e ao crescimento do setor privado, com vista à criação de mais empregos. Defendeu, nesse sentido, maior união na Câmara de Comércio, Indústria e Artesanato (CCIA), que, segundo afirmou, deve ser dirigida por uma única liderança para garantir estabilidade interna.
Garantiu que os problemas existentes na CCIA não comprometem a campanha de comercialização da castanha de caju e assegurou que o governo estará oficialmente envolvido na abertura da campanha deste ano, que prevê ser mais bem‑sucedida. Informou ainda que equipas técnicas já se encontram no terreno para evitar constrangimentos.
Questionado sobre um eventual recenseamento eleitoral de raiz, o primeiro‑ministro afirmou que o governo defende uma atualização progressiva do recenseamento, por ser mais rápida, económica e eficiente, permitindo eleições mais credíveis.
Ilídio Vieira Té negou igualmente que o Banco Mundial tenha abandonado a Guiné‑Bissau em termos de financiamento, esclarecendo que existe uma cooperação técnica contínua e um processo normal de avaliação com os parceiros internacionais. Destacou, nesse contexto, que a última avaliação realizada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi positiva.
“O país está a recuperar a sua credibilidade a nível internacional. O governo continuará a dialogar com os seus parceiros e a trabalhar para atrair mais financiamentos para o desenvolvimento”, assegurou.
Por: Jacimira Segunda Sia
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