Um grave incêndio ocorrido no domingo na cidade de Bafatá, na Guiné-Bissau, que deixou mais de 150 pessoas feridas, está a provocar fortes críticas e apelos por responsabilização dos responsáveis. O fogo, que deflagrou num posto de venda de combustível onde estavam armazenados milhares de litros de gasolina e gasóleo provocou ferimentos de segundo e terceiro grau em dezenas de cidadãos, muitos dos quais continuam internados em unidades hospitalares de Bafatá e na capital, Bissau.
Em declarações públicas divulgadas nas redes sociais, a antiga ministra da Saúde Pública e médica clínica geral, Magda Nely Robalo, qualificou o sinistro como um “crime evitável” e criticou duramente as falhas na prevenção e fiscalização que, na sua opinião, estiveram na origem da tragédia.
Robalo disse que a instalação do posto de combustível e a ausência de medidas eficazes de controlo representam “um profundo desrespeito pelas leis e regulamentos em vigor” e uma clara negligência face à segurança dos cidadãos.
A ex-ministra apelou às autoridades para que os proprietários do estabelecimento e os responsáveis pela sua autorização sejam levados à justiça, defendendo que a responsabilização criminal e civil dos envolvidos é imprescindível para evitar que tragédias semelhantes se repitam. “A vida e os direitos de mais de 150 cidadãos foram negligenciados e postos em risco”, afirmou Robalo, destacando que um país que respeita o Estado de direito não pode tolerar tais omissões.
O incêndio em Bafatá, que aconteceu no âmbito das celebrações locais, expôs ainda fragilidades no sistema de resposta a emergências no país, levantando questões sobre a capacidade das autoridades em garantir a segurança pública e fiscalização de infraestruturas potencialmente perigosas.
As autoridades governamentais deslocaram-se ao local para acompanhar a situação e o atendimento às vítimas, enquanto cresce o debate sobre a implementação de medidas de prevenção mais rigorosas.
O Democrata

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