Representantes da diáspora guineense atribuíram hoje, em Lisboa, ao presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, um diploma de honra ao mérito pela defesa do povo e promoção da paz.
Numa cerimónia realizada na Casa do Alentejo, a iniciativa do Fórum de Quadros Guineenses juntou vários representantes das várias áreas em que, segundo os organizadores, Domingos Simões Pereira se tem destacado, como a política e as artes.
Sabino Gomes Júnior, presidente do Fórum das coligações API Cabaz Garandi e PAI -- Terra Ranka, referiu que esta iniciativa "é mais do que um evento político".
"Nós quisemos reconhecer o homem do saber, que é o Domingos Simões Pereira. Quisemos reconhecer o homem íntegro, um homem de paz. Um homem que, apesar das injustiças que tem vivido ao longo da sua carreira política, tem demonstrado claramente que escolheu a paz, escolheu não pegar o caminho do ódio, mas sim o caminho da unidade nacional e da reconciliação da nação guineense", indicou.
E prosseguiu: "Domingos Simões Pereira é um exemplo para Guiné-Bissau, um exemplo para a África e um exemplo para a humanidade".
O escritor Luís Barbosa Vicente debruçou-se sobre o papel de Domingos Simões Pereira como autor, referindo que este "privilegiou a palavra em detrimento do confronto".
"É académico, investigador e escritor. É, acima de tudo, na verdade, um construtor de pontes. A sua ação política nunca se limitou à disputa do poder, foi sempre orientada para a consolidação do Estado, para a dignificação das instituições e para a criação de um ambiente onde o desenvolvimento pudesse florescer com previsibilidade e segurança", disse.
O deputado da Assembleia nacional Iafai Sani recordou a convivência com o homenageado, sublinhando que dele nunca ouviu "uma palavra de arrogância, de prepotência ou de ódio".
"Nunca nos empurrou ou puxou para o abismo. Sempre disse: vamos com calma, vamos com calma", afirmou.
Ruth Monteiro, ex-ministra da Justiça e chefe do gabinete de Domingos Simões Pereira, na qualidade de presidente da Assembleia Nacional Popular, levou à cerimónia as palavras de agradecimento de Domingos Simões Pereira, que se encontra detido e que deverá ser ouvido sexta-feira no Tribunal Militar em Bissau.
"O diploma de paz, hoje atribuído, representa mais do que uma distinção individual. Representa o reconhecimento de um percurso marcado pela dedicação ao serviço público, pela busca permanente de entendimento entre os guineenses e pela firme convicção de que só através do diálogo é possível construir uma nação estável, justa e inclusiva", afirmou.
E prosseguiu: "Para além da dimensão política e institucional, é igualmente importante destacar a dimensão humana. Trata-se de um homem de trato fino e fácil, profundamente humilde, próximo das pessoas e dotado de um sentido de humor singular, que se manifesta nas histórias que conta e também naquelas que escreve".
Para Ruth Monteiro, o "percurso académico notável" de Domingos Simões Pereira "nunca o afastou dos mais desfavorecidos, nem nunca o levou a menosprezá-los. Pelo contrário, reforçou nele a consciência da responsabilidade social e o compromisso com a melhoria das condições de vida dos jovens".
"É essa consciência que o leva a apostar na educação cívica, moral e escolar, acreditando firmemente que só uma educação verdadeiramente holística que integre conhecimento, valores, ética e humanidade poderá fazer renascer a Guiné-Bissau que todos desejamos", frisou.
A cerimónia terminou com uma intervenção do subsecretário nacional do PAIGC, Abdú Sambu, que garantiu que "Domingos Simões Pereira está de consciência tranquila e não tem motivos para temer a ninguém".
"A nossa luta continua a ser a paz e para essa paz é que vamos continuar a lutar até à libertação total do nosso povo. Somos parte de uma Guiné-Bissau de esperança, de diversidade e de potencial incalculável. Mas é também uma Guiné onde persistem tensões políticas, rivalidades étnicas, disputas de recursos naturais e fragilidades institucionais que degeneram frequentemente em conflitos políticos, militares e sociais", observou.
E concluiu: "Estes são apenas consequências que minam a paz e a estabilidade, mas também travam e condicionam o progresso da nossa querida terra".
Líder do PAIGC e presidente eleito do parlamento guineense, Domingos Simões Pereira está em prisão domiciliária desde 30 de janeiro, após ter passado mais de 60 dias na Segunda Esquadra de Bissau.
O opositor foi detido por militares que protagonizaram um golpe de Estado na Guiné-Bissau em 26 de novembro.
Lusa