O Presidente libanês rejeitou hoje que as negociações que o país conduz com Israel constituam uma traição, como acusa o movimento xiita Hezbollah, e garantiu que não cederá "um único polegar de território" a Israel.
O primeiro-ministro e o ministro da Defesa israelitas têm reiterado quase de forma diária que o seu exército permanecerá destacado no sul do Líbano naquilo que designam "zonas de segurança" até que o Hezollah seja desarmado.
Essas "zonas de segurança" também estão estabelecidas na Síria e na Faixa de Gaza.
O Líbano assinou, a 26 de junho em Washington, um acordo-quadro com Israel com vista a alcançar uma "paz duradoura", um texto fortemente contestado pelo Hezbollah.
Estas negociações diretas não são "uma traição, mas sim uma guerra diplomática, sem derramamento de sangue desnecessário", insistiu Joseph Aoun, numa altura em que a nova guerra entre Israel e o Hezbollah já causou, desde 02 de março, mais de 4.200 mortos no Líbano, segundo as autoridades libanesas.
O chefe de Estado acrescentou que o Líbano tinha decidido encetar negociações "para garantir a retirada israelita do seu território".
"Não cederemos nem um único polegar do território libanês", assegurou Aoun.
O acordo-quadro prevê que o exército libanês restabeleça a sua autoridade no sul do país, sob a condição do desarmamento do Hezbollah, começando por "zonas-piloto" das quais o exército israelita se retiraria, mas não estabelece um calendário.
O processo deverá ser detalhado num anexo de segurança, cujo conteúdo não foi divulgado.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que visitou na terça-feira a parte do sul do Líbano ocupada por Israel, afirmou que o seu exército permaneceria no local enquanto persistisse a ameaça do Hezbollah.
Momentos antes da comunicação, o Presidente libanês, Joseph Aoun, tinha afirmado que durante as reuniões que manteve com o homólogo sírio, Ahmad al-Sharaa, este último garantiu-lhe que não iria interferir no seu país, num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, tem afirmado repetidamente que a Síria poderia "lidar com o Hezbollah", criticando a estratégia de Israel na sua guerra contra o grupo xiita libanês financiado por Teerão.
"O Presidente Al-Sharaa confirmou-me em mais do que uma reunião e chamada telefónica que o papel da Síria não será o mesmo que no passado e que se abriu uma nova página entre os dois países, na qual a Síria não estará do lado de um contra o outro, mas sim do lado de todos os libaneses", afirmou Aoun citado num comunicado da Presidência libanesa.
O Presidente libanês fez estas declarações após uma reunião em Beirute com o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Asaad al Shaibani, ao mesmo tempo que assegurou que o Líbano está empenhado no estabelecimento de relações fraternas com a Síria, baseadas na "cooperação, coordenação e não ingerência nos assuntos internos" de ambos os Estados.
As relações entre a Síria e o Líbano têm sido marcadas pela invasão síria, que manteve tropas no Líbano desde 1976 até abril de 2005, e só em 2008 é que ambos os países concordaram em estabelecer relações diplomáticas plenas pela primeira vez desde a independência do Líbano, com a abertura de embaixadas e o diálogo sobre assuntos delicados como a fronteira comum e as pessoas desaparecidas em ambos os países.
O ministro sírio, de visita a Beirute, encontrou-se pela primeira vez com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah.
Al-Shaibani transmitiu também ao Presidente libanês um convite de Al-Sharaa para visitar a Síria, o que seria inédito, além de sublinhar que a sua visita a Beirute tem como objetivo reforçar as relações bilaterais e dinamizar a coordenação entre ambos os países.
Depois de se reunir com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, o ministro sírio disse aos jornalistas, em resposta a uma pergunta, que não descartava a possibilidade de um encontro com o Hezbollah no futuro.
Lusa

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