terça-feira, 24 de julho de 2018

"PAÍSES ONDE MAIS MULHERES ESTÃO NO GOVERNO TÊM MENOS CORRUPÇÃO", DIZ ESTUDO


Senadora australiana Larissa Waters amamenta seu bebê no Parlamento em Camberra: políticas escolhidas por mulheres contribuem para governos menos corruptos (Foto: AAP/Mick Tsikas/via REUTERS )

Formulação de políticas públicas diferentes é o que faz mulheres terem impacto sobre a corrupção.

Em uma análise entre mais de 125 países, incluindo o Brasil, um estudo descobriu que a corrupção é menor onde mais mulheres participam do governo.

Publicado no "Journal of Economic Behavior & Organization" pelos pesquisadores Chandan Jha e Sudipta Sarangi, o estudo revela ainda que a representação das mulheres na política local também é importante. Na política local da Europa, por exemplo, a probabilidade de suborno é menor nas regiões com maior representação de mulheres.

"Esta pesquisa ressalta a importância do empoderamento das mulheres, sua presença em cargos de liderança e sua representação no governo", disse Sarangi, professor de economia e chefe de departamento da Virginia Tech, nos EUA.

"Isso é especialmente importante porque as mulheres continuam sub-representadas na política. Na maioria dos países, incluindo os Estados Unidos ".

No Brasil, a lei em vigor atualmente prevê que pelo menos 30% dos candidatos devem ser do sexo feminino. Em 2016, contudo, as mulheres representaram 86% dos 18,5 mil candidatos que não receberam voto - segundo especialistas, a lei incentivaria "candidaturas laranjas", de candidatas registradas apenas para cumprir a cota.

A pesquisa de Jha e Sarangi é o estudo mais abrangente sobre esse tópico e examina as implicações da presença de mulheres em outras ocupações, incluindo a participação de mulheres na força de trabalho, cargos administrativos e cargos de tomada de decisão, como os CEOs.

O estudo concluiu que é na formulação de novas políticas que as mulheres podem ter um impacto sobre a corrupção.

"Isso pode dever-se ao fato de que mulheres formuladoras de políticas tendem a favorecer políticas que melhoram coisas como a provisão de bens públicos, saúde, educação e bem-estar infantil".

Ou seja, esses resultados não significam necessariamente que as mulheres sejam inerentemente menos corruptas que os homens.

"Nosso estudo sugere que a política é uma área onde a igualdade é importante na medida em que pode ajudar a reduzir a corrupção", explica Sarangi, em entrevista ao G1.


Conosaba/g1.globo

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