quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Nova Constituição guineense fixa caução de 76 mil euros para candidatura à Presidência da República


A nova Constituição da Guiné-Bissau e a lei eleitoral, que vai a referendo no domingo, determina uma caução de cerca de 76 mil euros para candidaturas presidenciais e a obrigatoriedade do 9.º ano de escolaridade para os candidatos a deputado.
A Lusa consultou os dois documentos publicados nas redes sociais e constatou que as candidaturas ao cargo de Presidente da República, promovidas por partidos políticos, coligações ou grupos de cidadãos, passam a exigir a entrega, no Supremo Tribunal de Justiça, de um comprovativo de depósito de uma caução monetária de 50 milhões de francos CFA.

Esse montante será perdido a favor do Estado caso o candidato não obtenha pelo menos 10% dos votos válidos, e os subscritores da pretensão terão ainda de juntar um mínimo de dez mil assinaturas de cidadãos eleitores recenseados. Até aqui, a lei guineense não previa esta exigência.

No plano legislativo, fixa-se que podem ser eleitos deputados à Assembleia Nacional os cidadãos guineenses maiores de 21 anos, no pleno gozo dos seus direitos, desde que tenham concluído, no mínimo, o 9.º ano de escolaridade. Esta medida constitui também uma inovação na nova arquitetura legislativa do país.

A fixação da caução monetária para candidatos à Presidência da República mereceu uma análise de Diamantino Lopes, politólogo e secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (Sinjotecs).

O também analista político criticou severamente a medida, classificando-a como um obstáculo grave à inclusão democrática.

"Num país onde grande parte da população enfrenta dificuldades económicas, uma caução desta dimensão pode afastar cidadãos com capacidade, legitimidade social e vontade de servir o país, mas que não dispõem de recursos financeiros suficientes", advertiu Diamantino Lopes.

Num extenso artigo de opinião divulgado nas redes sociais, o politólogo questiona: "Estaremos a proteger a qualidade da democracia ou a criar barreiras à participação democrática? Queremos uma democracia de cidadãos ou uma democracia dos que podem pagar para participar", acrescenta o dirigente sindical.

Entre outras novidades da Constituição guineense, figura a alteração da designação da Assembleia Nacional Popular para Assembleia Nacional, que passa a contar com 65 deputados contra os 102 anteriores, além da redução dos círculos eleitorais de 29 para 12.

A nova Constituição reforça os poderes do chefe de Estado, que passa a acumular as competências constitucionais de presidir sempre ao Conselho de Ministros,

O Presidente da República mantém ainda prerrogativas como a de nomear e exonerar o primeiro-ministro e os demais membros do Governo, promulgar diplomas (com veto político passível de ser superado por maioria qualificada de dois terços), dissolver a Assembleia Nacional em caso de grave crise institucional e nomear altos cargos judiciais, como os juízes do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-Geral da República.

No que respeita ao poder executivo, a nova Constituição introduz um regime mais detalhado para a dissolução do parlamento pelo Presidente da República, fixando limites temporais expressos, como a proibição de dissolução nos primeiros seis meses após as eleições, no último semestre do mandato presidencial ou durante o estado de sítio e de emergência, além de delimitar com maior rigor as condições para a demissão do Governo.

Além da rejeição de moção de confiança pelo parlamento, ou aprovação de moção de censura, ou não aprovação do programa do Governo, o executivo pode ser demitido em "caso de grave crise institucional" ou ainda por existência de uma nova maioria parlamentar contrária ao partido ou coligação vencedor das eleições legislativas.

O estatuto do Presidente da República e a figura do presidente interino também registam ajustes: a nova redação explicita restrições ao exercício de poderes estruturantes por interinos e estabelece salvaguardas quanto à responsabilidade criminal do chefe de Estado.

Na nova versão, fica determinado que o Presidente da República “não pode, em caso algum", ficar sujeito a prisão preventiva. Contudo, em caso de cometimento de crime, pode ser responsabilizado perante o plenário do Supremo Tribunal de Justiça.

A nova Constituição prevê igualmente que a iniciativa de referendo "sobre quaisquer assuntos de relevante interesse" para o país pode ser tomada pelo Presidente da República (sob a forma de projetos de lei), pelo Governo (sob a forma de propostas de lei) e por pelo menos quinze mil eleitores (sob a forma de petição remetida à Assembleia Nacional para efeitos de execução).

Até então, esta iniciativa cabia exclusivamente ao parlamento.

Na nova organização legislativa guineense, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) passa a integrar, entre outros, um representante do Presidente da República (em caso de eleições legislativas e autárquicas) e outro do Governo.

Outras alterações prendem-se com a determinação constitucional de que os cidadãos guineenses residentes no estrangeiro deixem de ter capacidade para votar na escolha do Presidente da República, podendo votar apenas para a eleição dos deputados ao parlamento.

Os militares tomaram o poder em 26 de novembro de 2025 na Guiné-Bissau e substituíram o parlamento por um Conselho Nacional de Transição (CNT), que decidiu alterar a Constituição da República da Guiné-Bissau e a lei eleitoral.

Os dois documentos foram promulgados pelo Presidente guineense de transição, general Horta Inta-a, e publicados no Boletim Oficial (o equivalente ao Diário da República em Portugal) em fevereiro passado.

1 de Setembro de 2026 - UCCLA lança Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA para distinguir projetos das cidades



UCCLA lança Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA para distinguir projetos das cidades

A União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) lança, no dia 1 de setembro, a primeira edição do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA, criado para reconhecer, valorizar e divulgar projetos de mérito desenvolvidos pelas cidades que integram a organização.

 

Com periodicidade anual, o prémio homenageia Nuno Krus Abecasis, presidente da Câmara Municipal de Lisboa entre 1980 e 1990 e mentor da criação da UCCLA, instituição que, ao longo de quatro décadas, tem contribuído para o fortalecimento de relações duradouras entre cidades de língua portuguesa.

 

O galardão contempla quatro categorias - Cultura e Língua Portuguesa, Desenvolvimento Social, Transição Verde e Turismo -, correspondentes a áreas fundamentais da atuação da UCCLA e das suas cidades-membro.

 

Excecionalmente, nesta primeira edição, será atribuída apenas a categoria Cultura e Língua Portuguesa, destinada a distinguir uma cidade que tenha promovido ações de particular relevância nesta área, atendendo à sua especificidade, originalidade e projeção.

 

Podem candidatar-se todas as cidades efetivas, associadas ou observadoras da UCCLA. As candidaturas deverão apresentar, de forma sucinta, clara e fundamentada, a iniciativa que se pretende ver reconhecida, de acordo com os requisitos estabelecidos no regulamento.

 

Em 2026, as candidaturas decorrem entre 1 de setembro e 15 de novembro. A cidade vencedora será anunciada no dia 15 de dezembro.

 

Com a criação do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA, a instituição presta homenagem ao seu mentor e reafirma o compromisso de dar visibilidade às boas práticas, à capacidade de inovação e ao trabalho desenvolvido pelos seus membros em prol das respetivas comunidades.

 

Documentos:

Aviso de abertura do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA - https://www.uccla.pt/sites/default/files/2026-09/Aviso-de-abertura-do-Premio-Nuno-Krus-Abecasis-Cidades-UCCLA-1-de-setembro-2026.pdf 

 

Regulamento do Prémio Nuno Krus Abecasis - Cidades UCCLA - https://www.uccla.pt/sites/default/files/2026-09/Regulamento-Premio-Nuno-Krus-Abecasis-Cidades-UCCLA.pdf 

 

Com os melhores cumprimentos,

 


 

Anabela Carvalho

Assessora de Comunicação | anabela.carvalho@uccla.pt 
Avenida da Índia n.º 110, 1300-300 Lisboa, Portugal | Tel. +351 218 172 950
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terça-feira, 1 de setembro de 2026

«Comunidade guineense no Porto de luto!» Faleceu hoje, dia 01/08/2026, no Porto, o nosso irmão João José Vaz. (eterno descanso Djon Djusé!)

 


A emenda à Constituição da Guiné-Bissau foi ratificada pela população, alcançando 70% de aprovação no voto a favor.



A Comissão Nacional de Eleições (CNE) informou nesta terça-feira que a opção "SIM" no referendo constitucional realizado no último domingo recebeu maioria, permitindo que a nova Constituição comece a vigorar.
Conforme os resultados gerais divulgados pela presidente da CNE, Carmen Baptista Lobo, a votação "SIM" atingiu 70%, enquanto a opção "NÃO" ficou com 30%, tendo uma taxa de abstenção de 37%, em um total de 572. 714 votantes, dos 914. 428 eleitores registrados.
Com a divulgação dos resultados pela CNE, a nova constituição da República, elaborada pelas autoridades de transição, já aprovada pelo conselho nacional de transição e publicada no diário oficial, passará a ser válida.
Entre as principais mudanças propostas, está o fortalecimento das atribuições do presidente e a diminuição do número de deputados na Assembleia Nacional Popular, que diminuirá de 102 para 65 representantes do povo, conforme a nova legislação eleitoral.
Conforme afirmam as autoridades de transição, essa mudança tem como objetivo aumentar a eficiência no parlamento, aprimorar a qualidade das discussões e permitir uma análise mais aprofundada dos temas que são relevantes para a nação.
Radio Djumbay/ADD


GUARDA NACIONAL PROMOVE CAPACITAÇÃO EM COMUNICAÇÕES OPERACIONAIS PARA REFORÇAR A EFICIÊNCIA

Teve início hoje, 01 de setembro, nas instalações do Comando Geral, um ciclo de instruções especializadas voltadas para o aprimoramento técnico e estratégico do nosso efetivo.
O evento é organizado pelo Serviço de Comunicação, Transmissões e das Novas Tecnologias da Guarda Nacional e tem como foco principal abordar o uso dos aparelhos de comunicação e o papel crucial das comunicações no sucesso das missões militares.

O programa visa dotar os nossos agentes de competências essenciais para garantir uma rede de transmissão de dados e voz rápida, segura e resiliente em cenários normais e críticos. Eis os pilares desta capacitação:
🌐 Fundamentos de Comunicação: Conceitos técnicos essenciais para a nossa atividade.
📻 Engenharia de Sinais: Estudo dos processos de modulação, demodulação e emissão.
🚨 Sistemas de Comunicação Militar: Familiarização com os equipamentos integrados na corporação.
⚔️ Emprego Operacional das Comunicações: Aplicação tática das ferramentas no terreno (patrulhamentos,...).

Torneio UFOA/ Primeiro-ministro promete 150 milhões de fcfa à selecção nacional de futebol de sub-17 caso vença o torneio no Senegal

                                                                             Vídeo: Junior Gagigo

Bissau, 01 Set 26 (ANG) – O Primeiro-ministro de Transição Ilídio Vieira Té prometeu a selecção nacional de futebol de sub-17 um prémio de 150 milhões de francos cfa, caso vença o torneio em que deve participar no Senegal.

O anúncio do prémio foi feito segunda-feira numa receção da selecção e equipa técnica de sub-17 na “Primatura”.

Vieira Té manifestou os seus desejos de êxitos aos jogadores e a equipa técnica da Seleção Nacional de Futebol Sub-17, que deve representar a Guiné-Bissau no Torneio Internacional da União das Federações Oeste Africana
de Futebol (UFOA) 2026, a realizar-se no Senegal.

O Chefe do Governo salientou que a obtenção de um bom resultado constituiria motivo de orgulho para todo o país.

Ilídio Vieira Té sublinhou que, para além do desempenho desportivo, será ainda mais importante que os jovens atletas mantenham uma conduta exemplar, pautada pela disciplina, pelo respeito, espírito de equipa e sentido de responsabilidade.

“Um bom resultado honra o país, mas um comportamento digno, dentro e fora do campo, valoriza e prestigia ainda mais a Guiné-Bissau”, afirmou o Primeiro-ministro.

Sublinhou que durante a competição, cada um deles será um verdadeiro embaixador da Nação, transportando consigo as cores, a identidade e esperança do povo guineense.

O Chefe do Governo encorajou, por isso, os jovens atletas a competirem com coragem, determinação e espírito patriótico, desejando-lhes uma excelente participação e um regresso honroso ao país.

Por sua vez, o selecionador nacional adjunto sub- 17, Romualdo da Silva, garantiu que o grupo está determinado e preparado para fazer uma boa campanha na competição.

O técnico manifestou a ambição de levar os Djurtus mais longe na prova, apontando a qualificação para a final do torneio como seu objectivo.

ANG/LPG/ÂC//SG







segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Conselho de Transição rebate oposição e anuncia vitória do “Sim” no referendo constitucional


O Conselho Nacional de Transição (CNT) anunciou que a vitória do voto “Sim” no referendo constitucional realizado no domingo está garantida e contestou as alegações da oposição sobre uma suposta baixa participação eleitoral. O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) sustenta que menos de 20% dos eleitores participaram na consulta popular.

O anúncio foi feito esta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, por Rui Alberto Pinto Pereira, vice-presidente da Comissão Técnica para o Referendo, durante um pronunciamento sobre o processo referendário.

As declarações de Rui Alberto Pinto Pereira surgem depois de a Plataforma da Aliança Inclusiva Terra Ranka (PAI-TR) e a Aliança Patriótica Inclusiva Cabaz Garandi (API-CG) terem classificado o referendo de 30 de agosto como um fracasso e defendido a abertura de um diálogo inclusivo para a normalização da ordem constitucional.

Num comunicado conjunto, consultado por O Democrata, as duas plataformas alegaram que a consulta popular foi realizada à revelia da vontade popular e em violação dos princípios democráticos, sustentando que o processo visou conferir uma aparência de legitimidade à nova Constituição aprovada pelo Conselho Nacional de Transição.

Em resposta, o vice-presidente da Comissão Técnica para o Referendo rejeitou essas críticas e acusou parte da oposição de privilegiar o debate sobre a legitimidade do processo em detrimento da discussão do conteúdo da nova Lei Fundamental.

Segundo o vice-presidente da Comissão Técnica para o Referendo, essa estratégia foi um erro, uma vez que levou militantes e simpatizantes da oposição a debaterem mais a legitimidade das entidades responsáveis pela elaboração, organização e realização do referendo do que o texto constitucional propriamente dito.

“O primeiro e maior constrangimento político que antecedeu este referendo foi muito claro: discutiu-se mais a legitimidade do processo do que a Constituição”, afirmou.

Para Rui Alberto Pinto Pereira, o debate nacional deveria ter incidido sobre o conteúdo da proposta constitucional, esclarecendo as alterações introduzidas em relação à Constituição anterior e promovendo uma discussão aprofundada sobre o papel do Presidente da República, as competências do Governo, as funções da Assembleia Nacional Popular, a independência da justiça, os direitos fundamentais, as autarquias, a organização territorial, o sistema eleitoral e outras reformas previstas.

“Quem discordava deveria ter mostrado aos cidadãos os artigos de que discordava, explicado as razões da divergência e apresentado alternativas. Esse seria o verdadeiro confronto democrático. No entanto, demasiadas vezes, o debate sobre a Constituição foi substituído pela discussão sobre a legitimidade de quem conduzia o processo”, criticou.

O responsável defendeu ainda que os apelos ao boicote não tiveram reflexos decisivos nos resultados da votação e reiterou que a vitória do voto “Sim” está assegurada.

“Algumas forças apelaram ao voto ‘Não’ e outras ao boicote, recomendando aos cidadãos que não comparecessem às urnas. Essas posições não devem ser confundidas. Quem apelou ao ‘Não’ participou no referendo e procurou derrotar a proposta constitucional através das urnas. Essa posição é legítima e merece respeito. Participar democraticamente significa também aceitar a possibilidade de perder democraticamente”, sublinhou.

Relativamente às críticas sobre a exclusão dos partidos políticos do processo e à legitimidade do CNT para organizar o referendo, Rui Alberto Pinto Pereira questionou a coerência das posições da oposição.

“Se o Conselho Nacional de Transição não tem legitimidade para conduzir o país ao referendo de 30 de agosto, como poderá ter legitimidade para conduzir o país às eleições simultâneas de 6 de dezembro? É o mesmo CNT, são as mesmas instituições da transição e o mesmo quadro político e institucional. Não podemos ter uma legitimidade de geometria variável”, declarou.

Apesar de ainda não ter divulgado os resultados definitivos, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciou que a taxa de participação pode situar-se acima de 55% no processo de votação, de acordo com dados preliminares recolhidos no terreno.

Segundo o secretário-executivo adjunto da CNE, Idriça Djaló, durante o processo de votação, não foi registado qualquer incidente e que a afluência de eleitores se mostrou significativa em algumas regiões e moderada noutras zonas do país.

Por: Filomeno Sambú
odemocratagb.

Fernando Dias defende consenso nacional após referendo e critica autoridades de transição

O líder de uma das alas do Partido da Renovação Social (PRS), Fernando Dias da Costa, apelou esta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, às autoridades de transição para criarem condições para um “verdadeiro diálogo nacional”, com vista ao restabelecimento da legalidade democrática. Segundo o político, o povo guineense deseja paz e estabilidade assentes na legitimidade.

Fernando Dias, que concorreu às eleições presidenciais anuladas após o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, fez o apelo numa mensagem divulgada na sua página do Facebook, em reação ao referendo nacional realizado no domingo.

Na mensagem consultada por O Democrata, Dias apelou à serenidade dos cidadãos, exortando-os a não responderem a provocações nem permitirem que divergências políticas se transformem em conflitos entre irmãos. Dirigiu igualmente um apelo às autoridades de transição e à comunidade internacional para que escutem a mensagem transmitida pela população e não interpretem a ausência de participação popular como uma vitória política.

“O povo da Guiné-Bissau quer paz, uma paz fundada na justiça, assim como quer estabilidade sustentada pela legitimidade”, afirmou.

Fernando Dias considerou que a fraca participação registada no referendo constitui uma mensagem política que não deve ser ignorada ou desvalorizada. Na sua opinião, os cidadãos demonstraram não estar dispostos a legitimar um processo conduzido sem consenso nacional, sem participação efetiva das forças políticas e sociais e sem a transparência exigida por lei.

O dirigente criticou ainda as atuais autoridades de transição, acusando-as de promover um processo constitucional à margem de um verdadeiro diálogo nacional e associado ao projeto político do ex-Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló.

Segundo Fernando Dias, a democracia não se resume à realização formal de uma votação, exigindo também legalidade, liberdade, transparência, pluralismo, participação e confiança nas instituições.

“Quando essas condições não estão plenamente garantidas, o povo tem o direito de manifestar pacificamente a sua discordância, inclusive recusando-se a legitimar um processo no qual não se reconhece”, declarou.

O político afirmou ainda que a posição adotada pelos cidadãos não representa uma defesa da instabilidade ou do vazio institucional. Pelo contrário, disse, reflete a aspiração a uma Guiné-Bissau estável, democrática e reconciliada, onde a Constituição represente todos os guineenses e não apenas interesses de grupos ou conjunturas políticas específicas.

Embora reconheça a necessidade de rever e aperfeiçoar a Constituição da República, Fernando Dias defendeu que esse processo deve ser legítimo, inclusivo e transparente, com a participação das forças políticas, sindicatos, organizações da sociedade civil, associações juvenis e femininas, autoridades tradicionais e religiosas, diáspora e especialistas nacionais.

“A Constituição deve unir o país, proteger os direitos e as liberdades dos cidadãos, garantir o equilíbrio entre os órgãos de soberania e impedir a concentração abusiva de poderes numa única figura”, defendeu.

Por: Carolina Djeme
odemocratagb

Guiné-Bissau: PAI Terra Ranka e API Cabaz Garandi satisfeitas com fraca mobilização no referendo



PAI Terrra Ranka e API Cabaz Garandi reagiram ao referendo este domingo na Guiné-Bissau (Ilustração). Joe Penney / Reuters

Bissau – O PAI Terra Ranka e a API Cabaz Garandi anunciaram em comunicado que os guineenses cumpriram o apelo ao boicote do referendo constitucional deste domingo, falando numa punição para "os golpistas e os seus cúmplices".

Muniro Conté é o porta-voz das plataformas PAI Terra Ranka, ligado ao PAIGC, Partido africano para a independência da Guiné e Cabo Verde, e API (Aliança patriótica inclusiva) Cabaz Garandi.

Duas plataforamas que alegam que os eleitores teriam punido, com a suposta fraca mobilização no referendo constitucional deste domingo, uma consulta popular denunciada pela sociedade civil e boa parte do xadrez político nacional devido à sua ilegitimidade, por ter sido promulgada, na sequência do golpe de Estado de 26 de Novembro do ano passado.

O fraco nível de participação popular, constituiu uma clara expressão de rejeição das mudanças constitucionais que o regime pretende impor ao povo guineense.

A mensagem das urnas vazias é inequívoca: o povo não aceita ser governado à margem da legalidade democrática, por isso puniu públicamente os golpistas e os seus cúmplices.

A segunda é que a Constituição, as instituições e as regras fundamentais da convivência democrática devem ser fruto de um entendimento nacional e não a vontade unilateral de quem, circunstancialmente, controla o poder. Uma nova lei fundamental para ser legítima, exige consenso, pluralismo e participação popular. Não pode ser imposta pela força e pela fraude.

A terceira é que o Alto Comando Militar, o Conselho Nacional de Transição, o Supremo Tribunal de Justiça, o Tribunal Militar Superior e os demais cúmplices políticos perante esta humilhação popular, vão certamente tentar um ardil no sentido do adiamento das eleições unilateralmente convocadas, quando deveriam retirar as lições que se impõem e aceitar, por fim, toda esta orquestração de planos anti-democráticos condenados ao fracasso, porque o povo é quem mais ordena.

A constituição aprovada pelo Conselho nacional de transição, já promulgada, reforça os poderes do Presidente, diminuindo substancialmente o número de deputados do parlamento e dos respctivos círculos eleitorais.

Entretanto, numa comunicação pública, a Comissão Nacional de Eleições fez um balanço positivo do dia de votação, apontando para 55% de participação no referendo sobre a nova Constituição, e elogiando o "ambiente de serenidade" ao longo do processo. Idrissa Djaló é secretário executivo adjunto da CNE:

"Ao longo do dia registou-se uma afluência significativa dos cidadãos às mesas da assembleia de voto nalgumas regiões, e uma afluência regular e moderada noutras regiões. A participação dos cidadãos no referendo é considerada satisfatória, de acordo com os dados recolhidos junto às estruturas regionais. A taxa de participação pode situar-se acima dos 55%. As informações disponíveis indicam que os cidadãos [exerceram] o seu direito de voto de forma ordeira e, na generalidade dos casos, sem grandes períodos de espera. A actuação das forças de segurança tem-se desenvolvido de forma profissional, discreta e sem interferência nas operações eleitorais propriamente dita."

Por: RFI

Guiné-Bissau defende uma OCI mais eficaz e orientada para resultados

Em Djeddah, Arábia Saudita, no âmbito da 23.ª Sessão Extraordinária do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da OCI, a Guiné-Bissau saudou a eleição do mauritano Ismaïl Ould Cheikh Ahmed como novo Secretário-Geral e homenageou o Secretário-Geral cessante, Hissein Brahim Taha, do Chade.
Na sua intervenção, a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, Fatumata Jau - MNE, defendeu uma OCI mais coesa, eficaz e próxima das prioridades dos Estados-Membros, capaz de transformar decisões em resultados concretos.
Sobre a Palestina, reafirmou o compromisso da Guiné-Bissau com o Direito Internacional, a proteção dos civis, o diálogo e a paz.
Bissau, 31 de agosto de 2026


Morreu Bino Branco, vocalista dos Ferro Gaita e voz marcante do funaná

Morreu Bino Branco, vocalista dos Ferro Gaita e voz marcante do funaná. © RFI/Lígia Anjos

Cabo Verde – O músico, intérprete, compositor e instrumentista cabo-verdiano Carlos Alberto Pereira Lopes, conhecido artisticamente por Bino Branco, morreu no sábado, nos Estados Unidos. Vocalista dos Ferro Gaita desde a criação do grupo, em 1996, o artista teve um papel marcante na valorização e divulgação do funaná, um dos géneros tradicionais de Cabo Verde.

A morte de Bino Branco causou consternação no meio cultural cabo-verdiano. Em declarações à RFI, o ministro da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto, António Duarte, destacou o percurso do músico e o contributo que deu à promoção da música e da identidade cultural do país. “Foi com profunda consternação e imensa tristeza que tomei conhecimento do falecimento de Bino dos Ferro Gaita, figura de grande relevância para a música e para a cultura cabo-verdiana”, afirmou o governante.

António Duarte sublinhou ainda que o artista “deu um contributo marcante à valorização e divulgação da nossa música, ajudando a preservar e a projectar a riqueza e a diversidade da identidade cultural cabo-verdiana”.

Segundo o ministro, o percurso artístico de Bino Branco e o legado deixado pelo músico “permanecerão seguramente na memória de todos aqueles que amam e valorizam a nossa cultura, de todos os cabo-verdianos a nível global”.

Em nome do Governo e do Ministério da Cultura, António Duarte apresentou condolências à família, amigos, colegas e à comunidade artística e cultural cabo-verdiana. “Que a sua memória permaneça viva através da sua música e do legado que deixa às presentes e futuras gerações”, declarou.

Bino Branco ficou conhecido pela voz marcante e pela execução do ferrinho, instrumento tradicional que, juntamente com a gaita, ou acordeão, constitui a base sonora do funaná.

O músico integrou os Ferro Gaita desde a fundação do grupo, em 1996. A formação teve um papel decisivo na recuperação e projecção do funaná, aproximando o género das suas raízes tradicionais e levando-o a novos públicos. Esse percurso ganhou particular visibilidade com o lançamento do primeiro álbum do grupo, “Fundu Baxu”, que ajudou a consolidar os Ferro Gaita como uma das referências da música cabo-verdiana contemporânea.

Por: Odair Santos
rfi.fr/pt

domingo, 30 de agosto de 2026

Guiné-Bissau: referendo sob forte contestação e baixa participação

Safim, perto de Bissau, 30.08.2026. © Fodé Mané

A consulta decorre num contexto de forte divisão política, com sectores da sociedade a apelarem ao boicote e outros a defenderem a participação.

Conforme disseram os próprios agentes das mesas de voto, o processo decorre com uma participação reduzida do eleitorado.

Há casos em que, dos 300 eleitores inscritos, compareceram apenas 10.

A situação verifica-se um pouco por todo o país, segundo relatos de jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social contactados pela RFI.

No entanto, alguns guineenses já exerceram o seu direito cívico, apoiando sem reservas a nova Constituição. É o caso de Badilé Sami, director-geral da Coordenação da Ajuda Não Governamental, no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"Votei convictamente "sim" pela paz e estabilidade. O país não pode continuar neste ciclo de instabilidade, que impede o país de se desenvolver", diz Badilé Sami, membro do Conselho Nacional de Transição.

As autoridades em Bissau, que tomaram o poder pela força a 26 de novembro de 2025, repudiaram os apelos ao boicote feitos por líderes da oposição e por algumas organizações da sociedade civil.

Depois de votar em Bissau, o general Horta Inta-a, Presidente da transição, apelou à participação no referendo e rejeitou que a consulta prepare o regresso de Umaro Sissoco Embaló ao poder.

O general Horta Inta-a afirmou que Embaló, Braima Camará e Domingos Simões Pereira têm direito a viver na Guiné-Bissau.

"Isto não tem nada a ver com os partidos. Estamos aqui a discutir o problema do nosso país. Jovens, o vosso futuro está a ser adiado por um certo grupo. Estão-vos a dizer para que fiquem em casa, para que não vão votar, eu apelo a todos os cidadãos para que vão votar. Que ninguém diga que não tem nada a ver com esse assunto. Todos nós temos algo a dizer sobre este assunto. Estão a dizer que este referendo é para permitir o regresso ao poder de Umaro Sissoco Embalo. Umaro é cidadão guineense, Braima Camará é cidadão guineense e Domingos Simões Pereira também é cidadão guineense. Aqui é a terra deles, podem cá viver", disse o Presidente da Transição.

A participição no referendo é fraca a meio da tarde, e a chuva que se registou na zona de Bissau não ajudou. Nos arredores de Bissau, o jurista Fodé Mané constatou que algumas mesas de voto estão mesmo "vazias":

"Em nenhuma assembleia de voto encontrei duas ou três pessoas a votarem. Há uma ausência total. Isso mostra que as coisas não estão como os organizadores pretendiam. Em algumas zonas está a chover muito. Mesmo aqueles que queriam ir votar vão ter alguma reticência. Vendo as imagens dos principais centros de aglomeração da população, nota-se que o povo deu resposta com um boicote total", afirma Fodé Mané.

Diáspora guineense excluída do referendo

Enquanto uns podem votar, outros são proíbidos de exercer o mesmo direito. Uma exclusão à qual o dirigente do PAICG do sector da diáspora Mariano Quadé, em Lisboa, reage com "indignação".

"É retirar um direito aos guineenses que têm toda a vontade de contribuir para o destino do seu país e que se vêem vedados desse direito! Os cidadãos na diáspora têm uma grande responsabilidade, porque convivem com outras realidades políticas e conseguem ver o que é contra-natura. Estão a negar este direito de voto a uma parte dos cidadãos nacionais. Estas autoridades sabem que não têm legitimidade nenhuma para referendar uma Constituição após um golpe de Estado. Isto tudo é uma fflagrante violação dos direitos políticos, civis e humanos", aponta o responsável, contactado pela RFI.

Por: RFI| Mussá Baldé