domingo, 20 de setembro de 2020

CEMGFA QUER MILITARES ENGAJADOS PELA PAZ




O Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) volta a defender, esta sexta-feira, a estabilização do país como uma das principais tarefas das Forças Armadas Guineenses.

O general Biaguê Na Ntam falava no ato do enceramento de curso de capacitação no domínio da topografia, planificação e táctica geral do nato, destinado aos 52 comandantes de batalhões do país.

“Forças Armadas da Guiné-Bissau escolheram o caminho perfeito para encaminhar junto com os seus pares da sub-regional e não só, por isso, hoje, o objectivo fundamental das Forças Armadas, quero que escolhamos a estabilização do país, porque para conseguimos êxito e a paz e a tranquilidade tem que permanecer na Guiné-Bissau”

Biaguê anunciou, por outro lado, que há algumas bolsas disponíveis para Marrocos e Rússia, e pede, o ministro da Defesa Nacional no sentido de influenciar na materialização destas bolsas

“Temos bolsas para Marrocos (54), para Rússia (80), e ministro queremos que fala com os seus colegas para que não perdemos essa oportunidade”, enfatiza.

Sobre a retirada das Forças da Interposição da Comunidade Económica do Estados da África Ocidental (ECOMIB), Nan N`tan afirma que as forças armadas guineenses vão assegurar o país. Anunciando, por outro lado, que as prioridades das Forças Armadas é a estabilização do país, a criação das escolas de formação para os militares e a reabilitação das casernas do país pelos próprios militares.

“A ECOMIB já esta à abandonar o país, a Guiné-Bissau é nosso, não é da CEDEAO nem da ECOMIB, portanto, nós [militares guineenses] é que devemos assegurar o país. O ministro [da Defesa] desta vez escolheu como lema: a estabilização do país, criação de escolas em Cumeré e São Vicente e reabilitação das nossas infra-estruturas a traves da engenharia militar” 

O general Biagué Na N'tan foi reconduzido ao cargo de chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, no mês passado pelo presidente da República, Umaro Sissoco Embaló.

Por: Braima Sigá/radiosolmansi com Conosaba do Porto

Dia da independência/PRS anuncia realização de uma conferência de alto nível para assinalar a data

Bissau,18 Set 20(ANG) – O Partido da Renovação Social(PRS), agenda para os dias 22 e 23 do corrente mês, a realização de uma Conferência de Alto Nível sob lema “Setembro de Estabilidade e Desenvolvimento”, no âmbito das celebrações do Dia da Independência do país que se assinala à 24 de Setembro.

Em conferência de imprensa realizada hoje, o Presidente da Comissão Organizadora do evento, Tcherno Djaló disse que o evento será marcado com a realização de muitos painês de forma a fazer as pessoas refletirem sobre as maiores questões sociais que afectam os guineenses.

Anunciou que o encontro prevê entre outros, lançar uma reflexão sobre o processo das autarquias no sistema eleitoral guineense, da revisão da Constituição da República actualmente em elaboração bem como o contexto da pandemia da Covid-19.

“A independência do país que constituiu um acto fundador da República, é um feito do Povo guineense, no seu todo, e, por isso, o PRS entendeu que,  mais do que comemorar ou celebrar,  é importante  reflectir, avaliar, não o que foi feito, mas o que estamos a fazer”, sustentou.

Acrescentou que, foi nesta ordem de espírito que as orientações da direcção superior do partido propõe que, nestas celebrações seja organizada uma conferência de Alto Nível para uma reflexão  sobre questões sociais que afectam a vida dos guineenses.

No que toca ao tema ligado as autarquias, Tcherno Djaló sublinhou que o PRS está muito sensível a sua realização  por ser um passo incontornável para a garantia de desenvolvimento sustentável e integrada do país.

“Várias vezes realizamos  eleições legislativas e presidenciais e ignoramos sempre este componente fundamental para fecharmos o ciclo eleitoral e incentivar o processo de descentralização e do desenvolvimento local”, sustentou.

Em relação  a revisão da Constituição da República, Tcherno Djaló disse que o PRS pretende dar a sua contribuição no sentido de o  processo ser mais consensual, e para que seja, de facto, um documento credível, que sirva à todos.

Conosaba/ANG/ÂC//SG

Vítimas de calamidade na Região de Biombo Ministra da Mulher entrega géneros alimentícios e materiais de construção

No âmbito do programa de assistência social aos carenciados, a ministra da Mulher, Família e Solidariedade Social procedeu, no dia 17 de setembro, à entrega de donativos em géneros alimentícios, artigos de higiene e materiais de construção às populações da Região de Biombo.

Na ocasião, Maria da Conceição Évora frisou que deu o pontapé de saída naquela região que muito recentemente foi assolada por inundações que causaram vítimas mortais e provocaram a destruição de muitas habitações, o que fez com que o Governo criasse um fundo de solidariedade que o Ministério da Mulher administra neste momento. Esta ação será extensiva ao Leste do país, mais concretamente ao setor de Boé, pois há cerca de três semanas verificou-se uma subida do nível das águas do mar, o que provocou a destruição de mais de 70 casas.

Os governantes estão neste momento muito preocupados com a forma de socorrer as vítimas das calamidades que perderam todos os seus haveres. Por este motivo trouxemos zinco para distribuir aos que necessitam de reconstruir as suas casas, assim como géneros de primeira necessidade e produtos de desinfeção por causa da pandemia da covid-19.

Questionada sobre a quantidade exata de casas destruídas , disse que existe um Serviço de Proteção Civil que mantém o Governo informado quanto ao nível de destruição verificado quando ocorre uma calamidade.

Por seu turno, o secretário regional de Biombo, Manuel Na Quidama, elogiou o Governo e a deputada do Círculo Eleitoral n.º 9 por esta doação, que diz ter vindo em boa altura para os setores de Safim, Prábis e Quinhamel, onde existem muitas casas destruídas pelas fortes chuvas.

Este responsável declarou que o presente donativo será distribuído aos destinatários, encorajando a deputada no sentido de influenciar mais parceiros a concederem mais donativos para colmatar esta situação.

Para a deputada do Círculo 9, Salomé dos Santos agradeceu o gesto solidário do Governo e afirmou que esta ajuda é muito bem-vinda na medida em que vai diminuir o sofrimento da população da Região de Biombo, garantindo ainda que todos esses apoios serão encaminhados para as pessoas afetadas pelas inundações.
É difícil precisar a quantidade real de casas destruídas, porque todos os dias aumenta o número.

Em representação da autoridade tradicional, Biam Cá agradeceu aos governantes por este gesto nunca visto na sua região.

Adelina Pereira de Barros

Conosaba/nô pintcha

Covid-19: Medidas de prevenção são difíceis de interiorizar e assimilar – Magda Robalo



Bissau, 20 set 2020 (Lusa) - A Alta Comissária para a Covid-19 da Guiné-Bissau, Magda Robalo, considera que há conhecimento da doença provocada pelo novo coronavírus, mas que as medidas de prevenção são difíceis de interiorizar e que não há noção do risco.

Em entrevista à Lusa, Magda Robalo referiu os resultados preliminares de um estudo feito em Bissau e Biombo, que demonstram que os guineenses "sabem que a doença existe e que pode levar à morte".

"O passo entre o conhecimento e a prática é que é mais difícil e as medidas de prevenção são difíceis de interiorizar e assimilar", disse.

"Usar uma máscara durante todo o dia, porque estamos em espaços públicos, não é propriamente fácil, é preciso uma grande dose de interiorização e é preciso que as pessoas tenham noção do risco. Essa noção de risco não existe", explicou à Lusa, quando questionada sobre se os guineenses estavam hoje mais conscientes da doença do que em março quando foram detetados os primeiros casos no país.

Magda Robalo explicou também que o Alto Comissariado para a Covid-19 está a trabalhar para haver essa "noção de risco", para que as pessoas percebam o que está em risco.

"Há uma desconstrução de várias crenças, de vários atos, que é necessário que aconteça para que as pessoas possam perceber qual é a diferença com esta doença em particular", disse, salientando que as pessoas dizem que não viram, nem conhecem ninguém doente com covid-19.

Segundo a antiga ministra da Saúde, ao contrário da Europa onde a "comunicação foi muito forte e intensa", na Guiné-Bissau aconteceu o contrário.

"Aqui o fator comunicação não foi muito forte no início em termos de comunicar o risco e penso que isso também chocou bastante na forma como as pessoas assimilaram a importância da doença", salientou.

Para Magda Robalo, é preciso continuar a trabalhar, porque as previsões são de que o vírus continue a circular bastante tempo e as pessoas "possam aceitar que é preciso mudar de comportamento".

"Aceitar a máscara como um objeto diário e quotidiano, o hábito de lavar as mãos frequentemente com água e sabão tem de ser instituído", disse, reconhecendo, contudo, ser difícil porque água e sabão não existem facilmente nas comunidades, no trabalho e na vida das pessoas.

"São constrangimentos que é preciso integrar, estudar as práticas culturais e perceber onde é que existem pontos de flexibilidade para integrar estes novos elementos", sublinhou.

A Alta Comissária para a Covid-19 espera também que a abertura do ano letivo permita promover o ensino junto das crianças.

"Porque as crianças se forem ensinadas aprendem e têm noção do risco que correm e podem ser portadoras de mensagens e mudar comportamentos, por incrível que possa parecer", afirmou.

Segundo os últimos dados divulgados pelo Alto Comissariado para a Covid-19 na Guiné-Bissau, o país tem um total acumulado de 2.303 casos, 1.472 recuperados e 39 vítimas mortais.

Disputa de terra: “NENHUM CIDADÃO PODE TER PROPRIEDADE DA TERRA MAIS QUE O ESTADO” – diz o ministro da Administração Territorial

 

O ministro da Administração Territorial e Poder Local, Fernando Dias, afirmou este sábado, 19 de setembro de 2020, que a terra pertence ao Estado, pelo que nenhum cidadão pode ter propriedade da terra mais que o Estado.

Fernando Dias fazia balanço à imprensa após o entendimento entre Abulai Djassi da aldeia de Pios e Fernando Vaz da aldeia de Pcond, ambos de tabanca de Djolmet, secção de Pelundo, setor de Canchungo na região de Cacheu que estavam em disputa pela posse de terra.

Dias disse que chegaram a entendimento com as partes em conflito, graças a boa cooperação conseguida pela mediação e apela à celeridade em relação a conclusão de diploma da lei de terra.

O governante informou que era um conflito que durava há vários anos e que causara enormes despesas em termos processuais, razão pela qual convidou as partes ao diálogo, o que tornou-se uma realidade, graças ao apoio do mediador, enquanto autoridade para aproximar as partes em litígio.

Fernando Dias sublinhou que os trabalhos que estão a ser levados a cabo pelo ministério da Administração Territorial e Poder Local, em colaboração com o ministério do Interior através da Guarda Nacional deve ser feito a nível nacional, sem pôr em causa o esforço que o poder judicial está a levar a cabo. 

Adiantou que o poder judicial tem várias tramitações para chegar a conclusão final e a autoridade administrativa tem uma mediação menos longa, assim, prefere-se à mediação das autoridades locais para resolver conflitos eminentes que podem provocar perda de vidas humanas.

“Iniciamos este trabalho de resolução de conflitos de posse de terra em Bijimita, depois Cossé, Djobel, Reino Tôr, Quinhamel e hoje estamos hoje em Djolmet para concluir o trabalho que começamos na semana passada no sentido de fazer o povo guineense chegar a entendimento para que possamos ter paz e desenvolvimento almejado”, rematou.

Por seu lado, Fernando Vaz, da aldeia de Pcond, uma dos partes em conflito, agradeceu o trabalho realizado pelo ministério de Administração em ajudar resolver essa situação que vinha de há muito tempo. Tendo prometido que jamais haverá conflito naquele espaço.

Abulai Djassi de aldeia de Pios, disse que o espaço pertencia-lhe , mas como o Estado é detentor da terra, só resta fazer as pazes, e assim evitar conflitos que poderiam provocar perda de vidas humanas.


Por: Aguinaldo Ampa
Foto: A.A

Conosaba/odemocratagb

À atenção das autoridades: O povo ainda “grita”


A estrada que liga Bambadinca e Buba, na localidade de Djagaradje, que faz ligação entre leste e sul da Guiné-Bissau, está intransitável e os viajantes fizeram o “grito de socorro”.

À reportagem do Capital News, João Bico Mendes, um dos viajantes, exigiu a intervenção do governo na melhoria da estrada, a começar com a via entre Bissau, norte e sul do país:

“Depois do desconfinamento, o governo deve virar a atenção às estradas, para facilitar a circulação das pessoas. As condições em que se encontram as nossas estradas não são normais”, anotou.

Mesca Na Mam, motorista que faz ligação entre Bissau e Buba (no sul), críticou a atitude das autoridades nacionais em reduzir número de passageiros nas viaturas (por causa da covid-19):

“As estradas não são boas. Reduziram a lotação, mas outras viaturas estão a levar lotação completa. Autocarros, por exemplo. Isso não é bom. As autoridades deviam exigir apenas o uso das máscaras e outras medidas, e nos deixarem completar a lotação”, lamentou.

As fortes chuvas que estão a cair nos últimos dias na Guiné-Bissau inundaram a estrada Bambadinca-Buba, na localidade de Djagaradje. A situação tornou o troço intransitável.

Por Mamandin Indjai
Conosaba//capitalnews.gw

sábado, 19 de setembro de 2020

CABRAL A NOSSA ETERNA BIBLIOTECA

É preciso notar que o fenómeno de “retorno às fontes”, quer seja aparente ou real, não se produz de maneira global, simultânea e uniforme no seio da pequena burguesia autóctone. É um processo lento, descontínuo e desigual, cujo desenvolvimento, ao nível de cada indivíduo, depende do grau de aculturação, das condições materiais de existência, da formação ideológica e da própria história enquanto ser social.

Esta desigualdade está na base da cisão da pequena burguesia autóctone em três grupos distintos, face ao movimento de libertação:

a) uma primeira minoria que, apesar de desejar o fim da dominação estrangeira, se prende à classe colonial dominante e se opõe abertamente a esse movimento para defender a sua segurança social;

b) uma maioria de elementos hesitantes ou indecisos;

c) uma segunda minoria cujos elementos participam na criação e direção do movimento de libertação, de que são o principal elemento de fecundação.

Amílcar Cabral
Jorge Herbert