sábado, 18 de abril de 2026

Mondlane denuncia assassínio de 55 apoiantes e 436 casos de "violência grave" em Moçambique

Líder da oposição moçambicana diz que casos foram denunciados junto do Ministério Público e do Ministério do Interior, com conhecimento das organizações dos direitos humanos.

O político moçambicano Venâncio Mondlane denunciou este sábado o assassinato de 55 apoiantes do seu projeto político, e o registo de 436 casos de “violência grave”, indicando que é resultado de lutar pela “verdade eleitoral”.

“Este projeto hoje, aqui como Anamola, temos 436 casos de violência grave, dos quais, até este ano, no primeiro trimestre deste ano tivemos mais quatro casos, e neste momento totalizam 55 irmãos nossos deste projeto que perderam a vida, não de morte natural, assassinados. Temos 55 mártires desta nossa luta, entre os quais o primeiro mártir Elvino Dias”, denunciou Venâncio Mondlane.

O ex-candidato presidencial falava em Chimoio, na província de Manica, centro de Moçambique, onde dirige a posse de coordenadores políticos provinciais do seu partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola).

“Nós viemos de uma luta muito sangrenta. Só aqui no nosso projeto político temos registados 436 casos de violência grave, não estou a falar de pequenos ferimentos, estou a falar de violência grave”, declarou Mondlane, indicando que todos os casos foram denunciados junto do Ministério Público e do Ministério do Interior, com conhecimento das organizações dos direitos humanos, nacionais e internacionais, e organizações da sociedade civil.

Para o político, a fundação do partido Anamola, o qual é presidente interino, assenta numa história de um partido “sem armas, que usa palavras”, indicando que “o único erro” que cometeu foi “pregar a verdade e de exigir a verdade eleitoral”.

“É por isso que o nosso próprio hino do partido tem um verso que é extremamente forte, que diz que fomos combatidos antes de existir. Isto é extremamente forte, já viu uma coisa que não existe e foi combatida? Nunca existiu isso na história do nosso país (…) Nós não existíamos e já estávamos a ser combatidos”, disse o ex-candidato presidencial.

Moçambique viveu cerca de cinco meses de protestos e agitação social após as eleições, que eclodiram a partir de Maputo, em 21 de outubro de 2024, dois dias após o duplo homicídio do advogado Elvino Dias e de Paulo Guambe, apoiantes de Mondlane, que na altura era apoiado pelo partido Podemos.

Daniel Chapo, que tomou posse como quinto Presidente de Moçambique em janeiro de 2025, e Mondlane reuniram-se pela primeira vez desde as eleições, em 23 de março desse ano. No dia seguinte, o ex-candidato presidencial apelou ao cessar da violência, não se registando casos de agitação social associados à contestação eleitoral desde então.

Na sequência, em julho Mondlane foi acusado pelo Ministério Público (MP) de cinco crimes, no âmbito das manifestações, incluindo incitamento à desobediência coletiva e instigação ao terrorismo, que o próprio nega.

O MP imputa a Venâncio Mondlane a “autoria material e moral, em concurso real de infrações”, dos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública a um crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.

Em 30 de abril do ano passado, o Procurador-Geral da República de Moçambique, Américo Letela, disse no parlamento que o caso de apoiantes de Venâncio Mondlane mortos a tiro em Maputo remete a “muitas linhas de investigação”.

“No caso em apreço, há muitas especulações sobre as motivações deste crime, entretanto, cabe à investigação explorar todas as linhas e determinar a que conduza a busca da verdade material (…) Os elementos de que dispomos remetem-nos para a necessidade de conjugar todas as linhas de investigação”, disse o Procurador-Geral, Américo Letela.

Lusa

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