Bissau, Abril de 2026 – O Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té, afirmou que a Guiné-Bissau saiu reforçada das Reuniões de Primavera do Grupo do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), realizadas entre 13 e 17 de abril, em Washington, destacando ganhos significativos ao nível da credibilidade internacional, disciplina económica e alinhamento estratégico com parceiros de desenvolvimento.
Falando numa conferência de imprensa de balanço, o Chefe do Governo sublinhou que, num contexto internacional marcado por crises geopolíticas, inflação global e aumento dos preços dos combustíveis e alimentos, o país conseguiu afirmar-se como um parceiro “sério, previsível e comprometido com reformas estruturais”.
Segundo o Primeiro-Ministro, a Guiné-Bissau cumpriu integralmente o programa acordado com o FMI até março de 2026, incluindo todas as metas quantitativas e estruturais, bem como 23 ações prévias definidas no quadro do acordo. Este desempenho permitiu reforçar a disciplina orçamental, melhorar a gestão da dívida e reduzir as taxas de juro no mercado interno.
No que respeita ao Banco Mundial, foi anunciada a retoma dos desembolsos financeiros, após um período de suspensão em 2025, permitindo a reativação de projetos estruturantes em áreas prioritárias como agricultura, energia, saúde, água e saneamento, proteção social e emprego jovem. O Governo comprometeu-se a elevar a taxa mínima de execução dos projetos para 20% e a reforçar os mecanismos de transparência e gestão.
Apesar dos avanços, o Executivo reconheceu desafios importantes, nomeadamente a ainda baixa taxa de desembolso, estimada em cerca de 8%, e a necessidade de acelerar a execução dos projetos públicos. Ainda assim, garantiu que medidas corretivas já estão em curso para superar estes constrangimentos.
No plano económico interno, o Governo aponta sinais positivos, com uma previsão de crescimento de cerca de 5% em 2026 e uma produção de caju estimada em 280 mil toneladas, acompanhada de medidas para assegurar preços justos aos produtores e combater distorções no mercado.
O Primeiro-Ministro reafirmou igualmente o compromisso com a boa governação e o combate à corrupção, destacando investigações em curso nas Alfândegas, o reforço da disciplina fiscal e a modernização da administração financeira do Estado.
Face ao agravamento da crise internacional, com particular incidência nas tensões no Médio Oriente e no aumento dos preços do petróleo, o Governo anunciou estar a preparar mecanismos de resposta de emergência, bem como medidas para proteger as receitas do Estado e apoiar a produção agrícola, nomeadamente através do acesso a fertilizantes.
“Hoje posso afirmar com total responsabilidade que a Guiné-Bissau recuperou credibilidade, os parceiros confiam no Governo e o país está no caminho da estabilidade e do crescimento”, declarou Ilídio Vieira Té, acrescentando que o país continua a depender do FMI, “mas agora como um parceiro ativo, que define prioridades e executa reformas”.
O Chefe do Governo concluiu assegurando que o Executivo manterá o compromisso com a disciplina, a transparência e a implementação rigorosa das reformas, sublinhando que “não há desenvolvimento sem responsabilidade e rigor”.

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