O Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té, afirmou esta segunda-feira, 6 de abril de 2026, que nada justifica o aumento do preço do combustível nem dos transportes, garantindo que o governo implementou uma redução tributária e eliminou vários impostos para manter o preço dos combustíveis abaixo dos 900 francos CFA.
Ilídio Vieira Té falava aos jornalistas no final da visita à Empresa Nacional de Pesquisa e Exploração Petrolífera (Petroguin), realizada com o objetivo de se inteirar do funcionamento da instituição, das suas dificuldades e dos trabalhos de prospeção de petróleo atualmente em curso por diversas empresas do setor.
O chefe do Governo explicou que a crise do combustível é um fenómeno global e que o Executivo tem feito “um grande esforço” para manter o preço do gasóleo e da gasolina abaixo dos 900 francos CFA. Recordou que essa política implicou uma significativa redução da base tributária e a eliminação de vários impostos, o que resultou em perdas avultadas para o Estado.
“Preferimos ter perdas, mas garantir o bem-estar do povo”, afirmou, reforçando que nada justifica um aumento do combustível. “Durante muitos anos vendemos combustível a 700 francos CFA no país. Por isso, pedimos também a redução do preço dos transportes.”
O Primeiro-Ministro acrescentou que o governo está a trabalhar para garantir o abastecimento e o respeito pelos preços oficiais. Reconheceu ainda que, embora os países desenvolvidos tenham enfrentado aumentos nos combustíveis, os seus níveis de vida não são comparáveis aos da população guineense.
“Não podemos esquecer que as empresas que operam neste setor compram combustível para revender e obter rendimentos. O governo está a fazer todo o esforço possível. Por isso, convocámos hoje uma reunião de concertação social com as empresas da cadeia de combustíveis para minimizarmos o impacto global da crise, que não afeta apenas a Guiné-Bissau”, explicou.
SOBRE O CONTRATO DOS AUTOCARROS DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS
Em relação à rescisão do contrato com a empresa responsável pelos autocarros para funcionários públicos, Ilídio Vieira Té informou que o país conta com mais de 34 mil funcionários, enquanto a empresa dispõe apenas de seis autocarros. Por isso, questiona se o serviço beneficia realmente a totalidade dos trabalhadores.
Acrescentou que não deseja adiantar pormenores e que o assunto será debatido no fórum apropriado, juntamente com os sindicatos, para analisar se vale a pena manter o contrato.
“Sabemos que, em nenhuma parte do mundo, o governo coloca autocarros à disposição dos funcionários. Mas fizemos isso durante muito tempo”, observou.
SITUAÇÃO FINANCEIRA E PERSPETIVAS DA PETROGUIN
Por seu lado, o diretor da Petroguin, Alfredo Malú, disse esperar boas notícias das pesquisas petrolíferas em curso.
Informou ainda que, nos três meses em que dirige a empresa, tem trabalhado “dia e noite” para liquidar a dívida da Petroguin — estimada em 1,4 mil milhões de francos CFA — referente à segurança social, contribuições, impostos e dívida a um dos bancos comerciais do país.
O responsável reconheceu que as pesquisas podem levar muitos anos até resultados concretos, afirmando que as descobertas obtidas até agora ainda não possuem viabilidade comercial.
Por: Natcha Mário M’bundé
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