As cerimónias fúnebres do presidente do “Movimento Revolucionário Pó di Terra”, Vigário Luís Balanta, decorrem esta quinta-feira, 2 de Abril, em Bissau. O activista foi brutalmente espancado até à morte, o corpo foi abandonado nos arredores de Bolanhas de N’Dam, a cerca de 30 km da capital.
Imagens difundidas nas redes sociais mostram centenas de guineenses a participar nas cerimónias fúnebres de Vigário Luís Balanta, presidente do “Movimento Revolucionário Pó di Terra”, entoando palavras de ordem como: “Somos todos Vigário, queremos justiça, abaixo a ditadura”.
O activista guineense foi brutalmente espancado até à morte, tendo o corpo sido abandonado nos arredores de Bolanhas de N’Dam, a cerca de 30 quilómetros da capital.
O coordenador da Frente Popular, Armando Lona, afirmou que Vigário Luís Balanta, 35 anos, terá sido raptado por indivíduos não identificados, “como tem acontecido”, e levado para um destino desconhecido.
Nos últimos meses, o presidente do “Movimento Revolucionário Pó di Terra” o tinha denunciado a proibição de manifestações, exigido a libertação de presos políticos e questionado a divulgação dos resultados eleitorais. Apesar das ameaças e de episódios em que chegou a desaparecer temporariamente, manteve-se activo até pouco antes da sua morte.
Em entrevista à RFI, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos denunciou um episódio “triste e macabro” e falou numa “execução sumária”. Bubacar Turé instou as autoridades a abrirem um inquérito “transparente e conclusivo” para identificar os autores “deste acto e traduzi-los à Justiça”.
O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos alertou que este “acto representa uma ameaça geral a todos os cidadãos e activistas dos direitos humanos que ousam exercer as suas liberdades para discordar do contexto político” vivido na Guiné-Bissau desde a chegada dos militares ao poder, em novembro de 2025.
O Governo de transição da Guiné-Bissau condenou a morte de Vigário Luís Balanta, ocorrida “em circunstâncias particularmente violentas”. Num comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, o executivo afirmou ter tomado conhecimento “com profunda consternação e viva indignação” do que classificou como um “lamentável e condenável acontecimento”.
O Governo afirmou ainda que, assim que tomou conhecimento do caso, solicitou às autoridades judiciais, policiais e de investigação criminal que realizassem, com carácter de urgência, todas as diligências necessárias para esclarecer integralmente os factos, identificar os autores materiais e morais do crime e garantir a sua responsabilização de acordo com a lei. O executivo acrescentou que “não haverá complacência” perante actos de violência, criminalidade ou atentados contra a vida humana, reforçando que o Estado tem o dever “indeclinável de proteger os cidadãos e assegurar justiça”.
Por: Neidy Ribeiro

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