segunda-feira, 6 de abril de 2026

Guiné-Bissau: navios chineses transformaram peixe em águas guineenses, revela investigação

Porto de Bissau, 25 de Novembro de 2019. Imagem de arquivo. AFP - JOHN WESSELS

Uma investigação publicada recentemente pelo jornal britânico The Guardian revelou a presença e actividades de cargueiros chineses nas costas guineenses. Oficialmente apresentados como navios de transporte, estes barcos transformam toneladas de peixe directamente em alto mar. Uma actividade proibida recentemente pelo Governo da Transição, que tem a desvantagem de reduzir os recursos haliêuticos, fragilizando toda a economia costeira do país.

De acordo com a investigação, publicada a 8 de Março (acessível aqui) vários navios chineses permaneceram ancorados durante meses ao largo das ilhas dos Bijagós, tendo recentemente transformado sardinhas em óleo de peixe destinado à exportação, nomeadamente para a indústria da aquicultura e da pecuária.

Ora, trata-se precisamente de uma actividade proíbida pelo Governo da Transição. A 29 de Janeiro, as autoridades guineenses proibiram a produção de farinha e óleo de peixe, considerando que se trata de um "roubo de comida" por parte da indústria transformadora. Uma medida que tinha sido elogiada pela ONG ambiental Greenpeace.

O pescado é um dos principais recursos da Guiné-Bissau, mas a sua quantidade tem diminuido e os preços aumentaram.

Os pescadores artesanais viram as suas capturas diminuírem, os seus rendimentos baixarem, ameaçando a segurança alimentar do país devido a este modelo económico em cadeias de aprovisionamento globalizadas, em benefício de intervenientes estrangeiros.

A investigação do jornal britânico aponta também para a presença de navios turcos nas costas guineenses.

Face a esta situação, o decreto publicado pelas autoridades que permite a actividade destes barcos fica sem grande efeito até ao momento, devido à falta de meios de controlo em alto mar.

Por: RFI

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