sábado, 4 de abril de 2026

Guiné-Bissau: diáspora presta homenagem a Vigário Luis Balanta


Depois da consternação, dor e indignação expressas em Bissau durante a cerimónia fúnebre do activista Vigário Luis Balanta, os guineenses na diáspora levantam a voz. De Lisboa a Dakar, a comunidade guineense organiza homenagens ao jovem Vigário para expressar solidariedade à família do activista e aos membros do Movimento Revolucionário Pó di terra, e para exigir justiça.

A morte de Vigário Luís Balanta, descoberto espancado e sem vida a 31 de Março nos arredores de Bissau, chocou para além das fronteiras guineenses.

Este sábado, o activista é homenageado em Lisboa, na Praça do Rossio, numa iniciativa do movimento Frikidja di Pubis.

O espancamento e assassínio do activista "surpreendeu" a diáspora, dado o "momento de acalmia" que se parecia viver na Guiné-Bissau.

A sua morte deve então ser entendida como um sinal de que os crimes e violações de direitos humanos continuam a ser perpetrados pelo regime em Bissau, analisa Yussef, membro do movimento Frikidja di Pubis.

"Havia uma relativa acalmia, uma relativa normalização da situação política. Não existiam manifestações, nem aqui na diáspora. Políticamente não era muito racional assassinar o Vigário. Ninguém esperava que isto pudesse chegar a este ponto. Porque agora é um reboliço... Várias organizações a nível internacional condenaram o sucedido, e o Governo da Transição tem agora esta situação... Não sei como a vão resolver", expõe Yussef.

Vigário Luis Balanta tinha 35 anos era empresário, músico e líder do Movimento Revolucionário Pó di Terra. Era uma das raras vozes a criticar o regime e apelar a manifestações depois do golpe de estado de Novembro.
De Lisboa a Dakar

A sua morte é lembrada também em Dakar, onde a União dos Guineenses no Senegal organiza um acto de solidariedade, juntamente com a delegação do PAIGC na capital senegalesa.

"Vai ser um momento de tristeza. A situação é preocupante para todos. Todos nos perguntamos se poderemos voltar ao nosso país, se iremos acabar como o Vigário. Hoje, reunimo-nos com uma grande dor e tristeza. Temos uma única mensagem: Nós, jovens, não vamos desistir", aponta Dulcineia Gomes, membro do PAIGC-Dakar.

Em Bissau, as vozes da oposição política estão amordoaçadas, as sedes políticas fechadas, as manifestações proíbidas.

A ONU, numa rara reacção, apelou a uma investigação rápida para que se encontrem os responsáveis deste crime que tudo indica ser político.

Uma investigação que o Governo da Transição e a Polícia Judiciária guineenses prometeram realizar.

Por: Eva Massy
rfi.fr/pt

Sem comentários:

Enviar um comentário