sábado, 14 de fevereiro de 2026

Guiné-Bissau: Governo de transição assume cancelamento de missão da CPLP

Guiné-Bissau – O governo de transição na Guiné-Bissau afirma que foi da sua autoria o cancelamento da missão da CPLP prevista para 18 a 21 deste mês, chefiada pelo ministro timorense Benedito dos Santos Freitas. Bissau diz não reconhecer Timor-Leste como presidente rotativo da organização e aponta o clima de tensão bilateral, agravado por declarações de Xanana Gusmão.

O governo de transição na Guiné-Bissau esclarece que foi da sua autoria a ordem de cancelamento da missão da CPLP que deveria visitar o país entre os dias 18 e 21 deste mês.

A missão seria chefiada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Benedito dos Santos Freitas. Díli, no entanto, tinha afirmado que o cancelamento partira das autoridades timorenses.

O episódio marca um novo ponto de tensão nas relações entre Timor-Leste e a Guiné-Bissau, tensão que já se estende à própria Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Numa carta enviada esta sexta-feira, dia 13 de Fevereiro, ao governo de Timor-Leste, o chefe da diplomacia do governo de transição, João Bernardo Vieira, informa que não autoriza a deslocação da missão da CPLP a Bissau por dois motivos: por um lado, porque as actuais autoridades guineenses não reconhecem a qualidade de Timor-Leste enquanto país a exercer a presidência rotativa da comunidade lusófona. Por outro, devido ao clima de tensão diplomática entre Díli e Bissau.

As autoridades de transição na Guiné-Bissau contestam a decisão de Timor-Leste ter sido designado, desde Dezembro passado, para assumir a presidência da CPLP, em substituição da Guiné-Bissau, que foi suspensa da organização na sequência do golpe de Estado militar de 26 de Novembro. Até que exista, segundo Bissau, uma clarificação formal do enquadramento jurídico e político aplicável nestas circunstâncias, o Governo de transição considera não fazer sentido aceitar a presença de uma missão da CPLP no país.

Na mesma carta dirigida ao seu homólogo timorense, Benedito dos Santos Freitas, João Bernardo Vieira afirma ainda que só tomou conhecimento da visita “através da comunicação social”, alegando que não houve concertação prévia com as novas autoridades.

O chefe da diplomacia guineense sublinha também que a decisão de não permitir a entrada da missão foi tomada em Bissau, posição que contrasta com a versão apresentada por Timor-Leste, que sustenta ter sido o próprio governo timorense a cancelar a deslocação.

João Bernardo Vieira afirma que a Guiné-Bissau não poderá aceitar uma missão de bons ofícios liderada por Timor-Leste, citando como exemplo declarações recentes do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que classificou a Guiné-Bissau como um “Estado falhado”. O governo de transição na Guiné-Bissau considera essas declarações como um acto de hostilidade aberta e uma demonstração de desrespeito.

Por: Mussá Baldé
rfi.fr/pt/

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