Um grupo de dirigentes, amantes do futebol e jogadores nacionais exigiu, esta sexta‑feira, 13 de fevereiro de 2026, à FIFA — organismo que gere o futebol mundial — o afastamento de Carlos Mendes Teixeira, conhecido como “Caíto”, da presidência da Federação de Futebol da Guiné‑Bissau (FFGB), alegando corrupção e falta de transparência na gestão dos recursos financeiros.
Além do afastamento do presidente da federação, o grupo exige a revisão dos estatutos da FFGB e a instauração de uma liderança inclusiva, democrática e competente à frente da instituição.
“Para além das críticas à gestão danosa dos fundos, pedimos, na missiva enviada à FIFA, o afastamento de Carlos Mendes Teixeira da liderança da FFGB, a revisão dos estatutos e a criação de condições, num curto espaço de tempo, para a eleição de uma nova liderança da federação de futebol, que deve ser inclusiva, democrática, competente e organizada. São requisitos que o atual presidente não reúne, estando ainda associado a elevados níveis de corrupção registados durante a sua gestão”, afirmou Saibana Baldé, porta‑voz do grupo, numa conferência de imprensa realizada na sede do Ajuda Sport Clube, em Bissau.
“Pensamos que a FIFA dispõe de elementos concretos para afastar o atual presidente da liderança da FFGB, porque não estamos a falar apenas de verbas da Guiné‑Bissau, mas também de fundos provenientes da FIFA. Temos à nossa disposição auditorias internas que confirmam claramente desvios de fundos, irregularidades processuais e má gestão. Acreditamos que, com base nesses elementos, as entidades competentes irão exigir responsabilidades”, assegurou.
Segundo Baldé, a atual liderança da FFGB não apresentou, para discussão e aprovação no Comité Executivo nem no Congresso da federação, relatórios de auditoria interna e externa da instituição.
“Há falta de prestação de contas relativamente às receitas obtidas com a cedência temporária do Estádio Lino Correia, reabilitado no âmbito dos programas da FIFA. Há também a não apresentação, até à presente data, do terceiro autocarro adquirido pela FIFA no quadro do Projeto Forward 2.0, desde 2022”, denunciou.
Ladeado por quatro presidentes de clubes de futebol, o porta‑voz do grupo denunciou igualmente a falta de transparência na distribuição dos apoios financeiros aprovados em orçamento — 5.000.000 de francos CFA para os clubes e 6.000.000 para as associações —, existindo clubes que recebem valores diferenciados e outros que nada receberam, sem qualquer explicação formal.
Para além das acusações de corrupção e falta de transparência, o grupo denunciou ainda desorganização, má gestão e interferências do presidente da FFGB na vida interna dos clubes, bem como tentativas de controlo do futebol nacional.
De acordo com Baldé, o futebol nacional atravessa um cenário complexo, marcado por dívidas avultadas aos árbitros, campeonatos de formação praticamente inexistentes e competições nacionais desestruturadas, sem calendários definidos, organizadas sob pressão e com problemas recorrentes no pagamento de prémios.
“Há ainda a falta de equipamentos adequados para as seleções nacionais, que utilizam os mesmos equipamentos, apesar dos fundos recebidos da FIFA para esse fim. Esta realidade demonstra uma gestão incapaz de assegurar o mínimo de organização, planeamento e respeito pelos atletas e agentes desportivos”, sublinhou.
Relativamente às interferências nos assuntos internos dos clubes, Baldé acusou a FFGB de não reconhecer assembleias eletivas, de impor arbitrariamente presidentes e de não validar órgãos sociais eleitos por comissões eleitorais legítimas.
Em nome dos clubes presentes na conferência de imprensa, o presidente do Clube de Futebol Os Balantas de Mansoa, Alberto Quebá Cassamá, manifestou preocupação com as denúncias de má gestão dos fundos recebidos pela FFGB e apelou a uma maior transparência na utilização dos apoios financeiros geridos pelo órgão desde que Carlos Mendes Teixeira assumiu a presidência.
Também presente no encontro, o antigo diretor‑geral dos Desportos, José da Cunha, afirmou que os clubes têm responsabilidade pelo estado atual do futebol nacional. “É fundamental explicar que o órgão da FFGB é uma emanação dos clubes; portanto, quem manda na federação são os clubes de futebol. A FFGB não tem competência para se imiscuir nos assuntos internos dos clubes, incluindo o próprio Governo”, declarou.
Sobre as denúncias de corrupção e má gestão dos fundos, José da Cunha apelou à rápida intervenção do Ministério Público para averiguar as acusações feitas por diferentes personalidades ligadas ao futebol ao longo do ano.
Além de José da Cunha, estiveram presentes na conferência de imprensa Bonifácio Malam Sanha, antigo vice‑presidente da FFGB; Fernando Tavares, conhecido como “Bene”, antigo candidato à presidência da federação; e Dembó Sissé, presidente de uma das alas da Liga Guineense dos Clubes de Futebol (LGCF).
Segundo apurou a secção desportiva do Jornal O Democrata, uma missiva formal do grupo, contendo as denúncias, já foi entregue à FIFA, solicitando a sua intervenção e acompanhamento urgente da situação na FFGB.
Conhecido no mundo do futebol como Caíto Teixeira, Carlos Mendes Teixeira foi eleito presidente da FFGB em 2020, sucedendo a Manuel de Nascimento Lopes, conhecido como “Manelinho”, que liderou o organismo durante mais de oito anos.
Por: Alison Cabral
odemocratagb.

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