O primeiro vice-presidente da União Regional dos Padres da África Ocidental (URPAO), Padre Augusto Mutna Tamba, disse que a unidade nacional é a “condição indispensável” para a consolidação da paz, da democracia e do desenvolvimento sustentável da Guiné-Bissau, tendo exortado os líderes políticos e militares que, um país marcado por tensões políticas, “a unidade nacional é vista como oportunidade para a amnistia, reconciliação nacional e libertação de presos políticos, desde que isso esteja ligado ao diálogo e à construção da paz”.
“A unidade exige superar divisões e abrir caminhos de reconciliação. Alguém tem de se abdicar da prepotência, da cultura de “matchundade”, de ódio e de vingança e abraçar a via do perdão e da reconciliação”, exortou Augusto Mutna Tamba, que também é Coordenador da Associação de Clérigos Diocesanos, numa mensagem de apelo à unidade nacional enviada a redação do Jornal O Democrata, dirigida aos líderes políticos, militares, à comunidade religiosa e à sociedade guineense em geral, na qual enfatizou que a libertação de presos políticos na base da amnistia e da reconciliação nacional.
“Não seria apenas um ato jurídico, mas um sinal de esperança e unidade nacional, mostrando que o país escolhe a via da paz e da reconciliação, um modo de superar divisões e construir paz duradoura”, reforçou.
PADRE PEDE DIÁLOGO COMO COMO UMA PONTE DE ENTENDIMENTO ENTRE ATORES POLÍTICOS E MILITARES
O Coordenador da Associação de Clérigos Diocesanos lembrou, na sua mensagem, que a Guiné-Bissau nasceu da coragem e do sacrifício de homens e mulheres que acreditaram na unidade, na liberdade, na dignidade e na paz. Acrescentou que o país é caraterizado pela sua riqueza cultural que deriva de uma significativa diversidade étnica e religiosa, tendo frisado que essa diversidade cultural representa tanto uma vantagem para o desenvolvimento socioeconómico para o país.
Neste sentido, instou os políticos, os militares e a sociedade guineense em geral a privilegiarem o diálogo como uma ponte de entendimento, respeito e cooperação entre as pessoas de diferentes etnias e tradições religiosas.
“Em contextos como o da Guiné-Bissau, onde convivem cristãos, muçulmanos e seguidores de religiões tradicionais africanas, este diálogo revela-se essencialmente importante, para promover a paz, a coesão social e o desenvolvimento humano. Só com o diálogo, o perdão e a reconciliação se pode reforçar o compromisso com o apelo à unidade nacional, mostrando que valorizando a nossa diversidade étnica e religiosa pode ser a força de união e da convivência pacífica. O crioulo, uma língua que não pertence a nenhum grupo étnico, contribui bastante para à aproximação das diversas comunidades do ponto de vista étnico religioso”, alertou o Padre.
Recordou na mensagem que, há pouco tempo, a diversidade cultural, étnica e religiosa nunca constituiu uma ameaça para a coesão e convivência pacífica, o que, segundo ele, faz dos guineenses um povo pacífico, seguro e tolerante.
“Infelizmente há um dado momento o país começou a enfrentar desafios que exigem de todos nós responsabilidade, visão e compromisso com o bem comum. Entre esses desafios, destacam-se as tentativas de instrumentalizar diferenças étnicas e religiosas para semear divisão, intolerância e instabilidade político-militar, discursos de ódio que procuram enfraquecer a nossa unidade. Ainda mais preocupante é a proliferação dos partidos políticos e candidatos que tendem a fazer valer apenas a lógica da etnia, da comunidade regional e religiosa para alcançar os seus fins eleitorais. A regionalização de apoios políticos e étnicos é um fator que ameaça a boa convivência, a camaradagem, a unidade e a coesão nacional”, alertou o Padre.
Para o primeiro vice-presidente da União Regional dos Padres da África Ocidental, o problema da violência, de rapto, de sequestros, de intimidação e de silenciamento das vozes discordantes e espancamentos tem sido ultimamente uma das principais preocupações em termos de segurança e estabilidade.
Exortou, neste particular, que esses novos fenómenos, jamais vistos, ameaçam fortemente a convivência pacífica dos guineenses, tendo advertido que se constata que o país está a caminhar lentamente em direção ao extremismo violento e a divisão étnica e religiosa.
“EXTREMISMO ÉTNICO-RELIGIOSO CONSTITUI UMA AMEAÇA DIRETA À ESTABILIDADE DO ESTADO”
Imbuído pelo senso de unidade, de fé em Deus pai e criador de todas as coisas, da responsabilidade e do patriotismo, lançou um vibrante apelo à unidade nacional como pilar da Nação.
“É de salientar que durante a luta de libertação contra o jugo estrangeiro todos eram camaradas por isso conseguimos vencer a luta contra o colonialismo português. Essa vitória é atribuída aos guineenses e não a uma tal religião ou etnia. Portanto, o país não pertence a nenhuma etnia ou religião ou a um grupo. Tanto assim que todos os candidatos às eleições não foram votados por uma única etnia ou religião ou grupo específico. Até porque não creio que uma só religião ou etnia possa fazer ganhar um ou outro candidato às eleições presidenciais na Guiné-Bissau”, disse, sublinhando que a unidade nacional é condição indispensável para a consolidação da paz, da democracia e do desenvolvimento sustentável, assegurando, na sua mensagem, que a unidade nacional deve ser também ocasião de gestos concretos de misericórdia e de justiça.
“Somos um só povo, diverso nas línguas, culturas e crenças, mas unido pelo mesmo destino. Tanto o Natal e a Páscoa quanto Ramadão e Tabaski são festejados pelos cristãos e pelos muçulmanos. A diversidade cultural e religiosa da Guiné-Bissau é uma riqueza que deve ser preservada e valorizada”, assegurou, para de seguida, advertir que nenhum projeto político ou comunitário pode prosperar, se não estiver enraizado no respeito mútuo e na coesão social.
“A nossa força está na convivência pacífica, no respeito mútuo e na solidariedade entre comunidades. Nenhuma religião, etnia ou grupo deve ser usado como arma de exclusão ou da violência”, avisou.
O primeiro vice-presidente da URPAO alertou, na mensagem, que o extremismo étnico-religioso constitui uma ameaça direta à estabilidade do Estado e à convivência pacífica entre cidadãos. Por isso, frisou que é dever das lideranças repudiar, de forma clara e inequívoca, qualquer discurso de ódio, incitação à violência ou manipulação identitária.
“O extremismo étnico-religioso não representa os valores da Guiné-Bissau. Ele destrói famílias, comunidades e ameaça a paz que tanto precisamos para desenvolver o país. Devemos rejeitar todo tipo de discurso de ódio, toda incitação à violência e toda tentativa de dividir o nosso povo. A tolerância e o diálogo devem ser os instrumentos centrais para a resolução de conflitos”, defendeu.
Em relação à responsabilidade das lideranças, o Coordenador da Associação de Clérigos Diocesanos, apelou ao Estado e à sociedade civil guineense de trabalharem juntos para promover a educação cívica, justiça social e oportunidades que afastem a tentação do extremismo.
Aos líderes políticos, Padre Augusto Mutna Tamba disse que cabe-lhes promover políticas inclusivas, que assegurem justiça social, igualdade de oportunidades e respeito pelos direitos fundamentais.
Quanto aos líderes comunitários e religiosos, disse que devem orientar os cidadãos para a convivência pacífica, reforçando valores de solidariedade, de reconciliação e de fraternidade. Sublinhando, contudo, a necessidade de promover uma boa cooperação entre Estado, sociedade civil e comunidades, que no seu entendimento é essencial para prevenir radicalizações e fortalecer a confiança mútua.
Para o Padre Augusto Mutna Tamba, os líderes religiosos e comunitários, na luta contra o extremismo violento, devem ser faróis de paz, ensinando que a fé e a cultura são caminhos de reconciliação, não de conflito.
“Jovens e mulheres, pilares da nossa sociedade, devem ser protagonistas na construção de pontes de diálogo e solidariedade”, referiu.
PADRE AUGUSTO APELA À UNIÃO DE LÍDERES POLÍTICOS PARA O PACTO NACIONAL PELA PAZ
Augusto Mutna Tamba exorta ainda aos cidadãos para se levantarem contra o extremismo e se comprometam com a unidade nacional.
“A Guiné-Bissau é uma só, e juntos somos mais fortes! Reafirmamos que a Guiné-Bissau é uma só nação, indivisível, e que o futuro depende da nossa capacidade de superar divisões artificiais. Convidamos todos os líderes a unirem esforços em torno de um pacto nacional pela paz, pela unidade e pelo desenvolvimento”, apelou.
Assegurou que o combate ao extremismo étnico-religioso deve ser prioridade estratégica, conduzido com firmeza, mas também com sabedoria e espírito de reconciliação, porque” unidos, podemos transformar a Guiné-Bissau num país de paz, de justiça e de prosperidade”.
Para finalizar, Augusto Mutna Tamba escreveu na sua mensagem que a Guiné-Bissau não pode ser refém da intolerância, alertando aos guineenses que a unidade nacional é o caminho seguro para a paz e para o progresso.
“A unidade é uma das formas de aceitação da nossa identidade guineense, porque nos permite sonhar juntos, caminhar juntos, construir juntos, sem excluir ninguém. Divididos, seremos vulneráveis às forças que querem explorar as nossas diferenças”, advertiu na sua mensagem de apelo à paz.
Por: Assana Sambú
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