Esta fotografia, tirada e divulgada pela Presidência do Senegal a 28 de março de 2024, mostra o presidente cessante do Senegal, Macky Sall (à direita), a apertar a mão do presidente eleito do Senegal, Bassirou Diomaye Faye (à esquerda), no palácio presidencial de Dacar. AFP - -
Dacar – O Presidente do Senegal anunciou oficialmente, esta segunda-feira, apoio à candidatura de Macky Sall ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Trata-se de uma mudança de posição três dias depois de um encontro em Dacar, entre o ex-Presidente senegalês, Macky Sall, e o actual chefe de Estado no poder, Bassirou Diomaye Faye.
É uma verdadeira reviravolta que marca uma reaproximação entre duas figuras que estiveram no centro de fortes tensões no país. Na corrida à sucessão de secretário geral da ONU, o Senegal decidiu apoiar, formalmente, Macky Sall, antigo Presidente, que chefiou o país entre 2012 e 2024. Esta mudança de posição acontece três dias depois de uma breve visita de Macky Sall a Dacar, onde foi recebido por milhares de pessoas.
Esta decisão surpreende devido às profundas divergências que existem entre os dois campos políticos. Durante a campanha eleitoral de 2024, Faye e o actual primeiro-ministro, Ousmane Sonko criticaram duramente a governação de Sall, nomeadamente, a tentativa de adiar as eleições presidenciais, uma decisão que levou a protestos e foi depois anulada pelo Conselho Constitucional.
O actual governo também acusa o ex-Presidente de ter reprimido várias manifestações da oposição, que deixaram dezenas de mortos no país, no período de três anos, compreendidos entre 2021 e 2024. Para além disso, o executivo acusou a administração de Macky Sall de má gestão financeira.
Agora, o Presidente senegalês justifica este apoio, apresentando esta candidatura como uma questão de interesse nacional e continental, argumentando que se trata da candidatura do Senegal "ao serviço de África e de um multilateralismo mais eficaz".
Este apoio por parte de Dacar é muito importante numa corrida que conta, até ao momento, com cinco candidatos à sucessão de António Guterres, numa decisão que irá, certamente, marcar o futuro das Nações Unidas.
Por: RFI

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