O líder de uma das alas do Partido da Renovação Social (PRS) e candidato presidencial que reivindica vitória nas eleições interrompidas pelo golpe de Estado, Fernando Dias da Costa, acusou este domingo a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de demonstrar “incapacidade” para resolver a crise política na Guiné-Bissau.
Numa declaração divulgada pelo seu gabinete de comunicação, após a 69.ª Cimeira Ordinária da organização sub-regional, realizada na Serra Leoa, Dias da Costa afirmou que o comunicado final da CEDEAO não retomou as decisões anteriormente anunciadas sobre a situação guineense.
“A CEDEAO, mais uma vez, revelou a sua incapacidade para resolver os problemas africanos e os problemas da sub-região”, declarou.
O ex-candidato nas últimas presidenciais considerou que a ausência de medidas contra os autores do golpe de Estado equivale a um apoio indireto à tomada do poder pela força.
“Não tomar medidas contra os golpistas significa apoiar o golpe de Estado como forma de chegar ao poder”, afirmou.
Dias da Costa criticou igualmente o facto de o comunicado da cimeira não ter incluído, segundo a sua interpretação, a exigência de libertação incondicional do líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, detido desde novembro.
“Mais uma vez, estamos a pedir a libertação incondicional de Simões Pereira”, sublinhou.
O responsável afirmou ainda que recomendações anteriores da CEDEAO, entre as quais a libertação dos detidos, a proteção dos partidos políticos, a formação de um governo inclusivo e a nomeação de um Presidente da República e de um primeiro-ministro civis, não foram reiteradas no documento final da cimeira.
“A CEDEAO nem consegue manter os pontos do anterior comunicado”, criticou.
Na mesma declaração, Dias da Costa apelou à intervenção da comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas, a União Europeia e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), alegando que o silêncio destas organizações “acabou por prejudicar” a Guiné-Bissau.
Até ao momento, a CEDEAO ainda não tornou públicas as resoluções da sua 69.ª Cimeira Ordinária, realizada este domingo na Serra Leoa, que teve entre os principais temas a segurança regional e a situação política na Guiné-Bissau.
Durante o encontro, o Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, assumiu a presidência rotativa da organização, sucedendo ao Presidente da Serra Leoa, Julius Maada Bio.
Por Tiago Seide
odemocratagb.

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