Carlos Vila Nova reeleito Presidente de São Tomé e Príncipe com 55,94% dos votos. LUSA - NUNO VEIGA
De acordo com os resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira, 20 de Julho, pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Carlos Vila Nova foi reeleito Presidente de São Tomé e Príncipe, à primeira volta, com 55,94% dos votos. O principal candidato da oposição, Nito d'Abreu, alcançou 41,42% da votação.
As eleições presidenciais ficam, no entanto, marcadas por uma reduzida mobilização do eleitorado, com a taxa de abstenção a registar uma forte subida, prevendo-se que ronde os 70%.
O sociólogo e analista político Olívio Diogo considera que a fraca participação se deve, em parte, ao facto de muitos emigrantes continuarem inscritos nos cadernos eleitorais.
"Muitas pessoas que emigraram continuam inscritas nos cadernos eleitorais. Como sabe, esta foi a primeira eleição em que não houve um processo tradicional de inscrição eleitoral. A atualização foi feita automaticamente com base nos dados do registo civil. Assim, todos os cidadãos que já tinham completado 18 anos passaram automaticamente a integrar os cadernos eleitorais e a poder exercer o seu direito de voto. Este aspeto é importante porque muitas das pessoas emigradas ainda não atualizaram os seus dados, permanecendo inscritas, embora já não residam no país."
Olívio Diogo reconhece ainda que a desconfiança dos eleitores em relação à classe política também contribuiu para a elevada taxa de abstenção.
"Outro factor importante é o facto de muitas pessoas, neste momento, não se identificarem com os políticos do país. Cada vez mais se verifica um afastamento entre os cidadãos e a classe política. Isso ficou também evidente nestas eleições. As pessoas deixaram de acreditar na forma como os políticos atuam e encontraram na abstenção uma forma de manifestar esse descontentamento. Foi isso que também aconteceu."
O analista político sublinha igualmente que este resultado "é uma derrota clara e inequívoca para Patrício Trovoada", que indicou Nito d'Abreu como candidato às eleições, sem consultar o ADI.
"Nito d'Abreu é um candidato que não é do ADI, mas sim um candidato pessoal de Patrício Trovoada. Foi ele quem o indicou, sem consultar o partido, sem ouvir os órgãos competentes e sem permitir que o partido pudesse avaliar essa candidatura (...). Este resultado revela claramente que o Presidente Carlos Vila Nova não foi avaliado eleitoralmente pelo seu mandato. O que aconteceu foi, sim, uma manifestação clara contra o antigo primeiro-ministro Patrício Trovoada, que indicou Nito d'Abreu como seu candidato."
Apesar de alguns incidentes, nomeadamente uma tentativa de ataque informático à base de dados eleitoral, as diversas missões de observação presentes no país consideraram que as eleições decorreram de forma transparente, livre e pacífica, recorda Olívio Diogo.
"Como manifestou a comunidade internacional, foi uma eleição que decorreu de forma transparente, livre e completamente pacífica. Este é o primeiro aspeto que devemos retirar destes resultados eleitorais."
Nestas eleições presidenciais participaram quatro candidatos: o Presidente cessante, Carlos Vila Nova, que procurava a reeleição e que contou com o apoio do principal partido de oposição MLSTP-PSD, Nito d'Abreu, apoiado pelo antigo primeiro-ministro Patrício Trovoada; Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim.
Por: Neidy Ribeiro|Lígia ANJOS|Maximino Carlos
rfi.fr/pt/

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