Três movimentos cívico-políticos guineenses acusam o Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública, por ela representar um grave perigo para os valores fundantes da República da Guiné-Bissau e de confiscar a vontade popular expressa nas últimas eleições legislativas e presidenciais de 23 de novembro.
No documento, assinado por representantes da Frente Popular, Firkidja di Pubis e do Movimento Revolucionário Pó di Terra, entregue esta quinta-feira na embaixada da Guiné- Bissau em Portugal, os signatários descrevem o atual momento político como “o mais perigoso ciclo da história do Estado guineense”, denunciando um quadro institucional “dramático”, marcado por alegados sequestros e torturas de cidadãos, banalização das instituições da República e transformação do Estado num “aparelho de proteção de redes criminosas internacionais”.
Na carta consultada pelo O Democrata, as organizações lembram que os acontecimentos de 26 de novembro de 2025 são um “golpe real contra a vontade do povo”, que interrompeu o processo eleitoral e permitiu ao Comando Militar assumir o controlo político e administrativo do Estado.
Rejeitam a justificação apresentada pelos militares, segundo a qual a sua intervenção teria como objetivo evitar uma guerra civil.
Para os movimentos, a atuação do Comando Militar visa antes perpetuar um regime “ditatorial e divisionista”, em vigor há seis anos.
Por outro lado, os movimentos rejeitam qualquer tentativa de revisão constitucional em contexto de “anormalidade constitucional”, a condenação de um comunicado do Comando Militar datado de 9 de janeiro, que consideram atentatório às liberdades de pensamento e expressão, e a exigência de que os militares abandonem as instituições do Estado, permitindo que autoridades legitimadas pelo voto popular assumam a governação.
Alertam sobre as “consequências imprevisíveis” da persistência do Comando Militar em “confiscar a vontade” popular expressa nas urnas.
Por: Tiago Seide
odemocratagb

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