segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O Centro Cultural Português em Bissau (CCP) acolheu, no passado dia 29 de janeiro, mais uma sessão do ciclo “Pensar pela Saúde”, dedicada às doenças não comunicáveis, com enfoque na hipertensão arterial e na diabetes, dois dos principais desafios de saúde pública na Guiné-Bissau.


A sessão contou com a participação de Micaela Oliveira, médica de Medicina Geral e Familiar, de Margarida Eulálio, médica de Medicina Interna, ambas da ONGD portuguesa Bisturi Humanitário, e de Marta Martins, nutricionista da ONGD HELPO. As oradoras abordaram temas como a prevenção, o diagnóstico precoce, a importância do acompanhamento médico e o papel dos hábitos de vida saudáveis no controlo destas patologias.

Num formato acessível e próximo do público, a conversa permitiu esclarecer dúvidas, promover a literacia em saúde e incentivar escolhas informadas, sublinhando a prevenção como ferramenta essencial para melhorar a qualidade de vida da população.

A iniciativa foi promovida pelo CCP, com o apoio da ONGD portuguesa Bisturi Humanitário, reafirmando o compromisso com a promoção da saúde, a partilha de conhecimento e o reforço da cooperação na área da saúde.

LIGA GUINEENSE DOS DIREITOS HUMANOS REAFIRMA RETROCESSOS NOS DIREITOS HUMANOS NA GUINÉ-BISSAU


O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, voltou a alertar para o agravamento da situação dos direitos humanos na Guiné-Bissau, afirmando que o país vive retrocessos em todas as dimensões fundamentais, incluindo direitos civis, políticos, económicos e sociais.

O alerta foi feita à imprensa à margem da abertura da 12ª edição da Quinzena dos Direitos Humanos, que este ano decorre sob o lema “Defender os Direitos Humanos e a Democracia”.

Segundo Bubacar Turé, nos últimos tempos, o país tem assistido a uma escalada de raptos, sequestros, espancamentos, detenções arbitrárias e à suspensão de liberdades fundamentais, criando um clima de medo e insegurança generalizada.
O líder ativista destacou como caso recente e preocupante a detenção de políticos e cidadãos civis sem mandado judicial, situação que, segundo a Liga, levanta sérias dúvidas sobre o respeito pelo Estado de Direito e pela segurança da população.

Em reação aos acontecimentos mais recentes, Bubacar Turé apelou à libertação imediata de todos os cidadãos privados da liberdade à margem da lei, reforçando que tais práticas minam a democracia.

Para o presidente da LGDH, o atual contexto nacional exige com urgência, a riação de um ambiente de paz, diálogo inclusivo entre os atores políticos e sociais para o retorno à normalidade constitucional que segundo ele, sem essas condições, o país continuará refém de instabilidade e violações sistemáticas dos direitos humanos.

Bubacar Turé alertou ainda que em momentos de incerteza política, os direitos humanos tornam-se mais vulneráveis, defendendo que a democracia só se sustenta com maior vigilância e participação ativa dos cidadãos.

RSM: 02.02.2026

O Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades informa que Sua Excelência o Ministro, Dr. João Bernardo Vieira, recebeu, hoje, em visita de cortesia, Sua Excelência o Senhor Embaixador Yang Renhuo, Embaixador da República Popular da China.

Durante a audiência, foi reforçado o compromisso mútuo de aprofundar a reforçar a cooperação bilateral e consolidar os projetos estruturantes em curso, com destaque para as áreas da infraestrutura, educação e capacitação institucional.

O Embaixador apresentou uma atualização detalhada sobre o estado de implementação dos projetos financiados pela China, sublinhando a continuidade do apoio ao desenvolvimento da GuinéBissau. Por sua vez, o Ministro reiterou a importância estratégica desta parceria e manifestou a disponibilidade do Governo para fortalecer os mecanismos de acompanhamento e execução conjunta.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades reafirma a sua determinação em trabalhar com a República Popular da China para promover o desenvolvimento sustentável, a estabilidade e o bemestar do povo guineense e reforço das relações entre os dois Países.

Ministério dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau


FERNANDO DIAS DENUNCIA “DITADURA DISFARÇADA” E EXIGE RECONHECIMENTO DOS RESULTADOS ELEITORAIS




A Diretoria Nacional de Campanha do candidato presidencial Fernando Dias da Costa acusa o Alto Comando Militar de tentar simular uma “normalidade institucional inexistente” na Guiné-Bissau.

Em comunicado consultado este domingo, 1 de fevereiro de 2026, pelo O Democrata, a equipe de campanha afirma que a atual situação política do país configura uma “ditadura disfarçada”. Por isso, rejeita qualquer processo de transição anunciado pelos militares, considerando-o uma violação da vontade popular e das decisões da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

O documento refere que a partilha de poder ou a formação de um eventual governo sob tutela militar não tem base constitucional nem legitimidade democrática. A Diretoria sublinha que Fernando Dias da Costa venceu as eleições presidenciais de 23 de novembro de 2025, resultados que teriam sido “validados” pela CEDEAO, pela União Africana e por outros parceiros internacionais.

Para a campanha, qualquer solução política que não passe pelo reconhecimento desses resultados e “pelo empossamento imediato do presidente eleito” é considerada ilegítima e inaceitável.

O comunicado exige ainda a manutenção da força militar da CEDEAO na Guiné-Bissau, a libertação imediata e incondicional de todos os presos políticos, o fim das perseguições, intimidações e atos de violência contra cidadãos, jornalistas e ativistas, bem como a aplicação de sanções internacionais contra os responsáveis pelo bloqueio do retorno à ordem constitucional.

A nota menciona também o caso do presidente da Assembleia Nacional Popular, Domingos Simões Pereira, cuja transferência da Segunda Esquadra para a sua residência, em 30 de janeiro de 2026, foi mediada pela CEDEAO com o apoio do Senegal. Contudo, afirma que Simões Pereira continua privado de liberdade e sob detenção arbitrária, sem qualquer mandato judicial, classificando a situação como perseguição política.

A Diretoria Nacional de Campanha acusa ainda os militares de tentarem induzir em erro a CEDEAO e a opinião pública nacional e internacional, apresentando-se como cumpridores das decisões regionais, quando estariam a preparar um processo político imposto pela força.

Por fim, a diretoria apela ao povo guineense para resistir de forma pacífica, mas firme, e solicita à comunidade internacional que mantenha o isolamento do que considera ser um regime ilegítimo.

Por: Tiago Seide
odemocratagb.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Guines-Liga: MANSOA SURPREENDE CAMPEÃO E ARRANCA PONTO PRECIOSO EM BISSAU

    

O bicampeão nacional de futebol, Sport Bissau e Benfica, iniciou a defesa do título com um empate a zero frente ao Clube de Futebol Os Balantas de Mansoa, em partida da primeira jornada do Campeonato Nacional da Primeira Divisão (Guines‑Liga), referente à temporada desportiva 2025–2026, na Guiné-Bissau.

O encontro entre dois clubes históricos do futebol nacional, realizado no sábado, 31 de janeiro de 2026, no Estádio Lino Correia, não teve golos, graças à solidez defensiva demonstrada por ambas as equipas ao longo dos 90 minutos.

Os encarnados entraram melhor na partida, assumindo o domínio da posse de bola e mostrando maior capacidade ofensiva. No entanto, a formação de Mansoa apresentou organização, entrega e boa capacidade de pressão, conseguindo travar as investidas do Benfica.

Apesar do domínio das Águias, os Balantas de Mansoa criaram duas claras oportunidades de golo, mas os seus jogadores falharam na finalização, desperdiçando a possibilidade de marcar contra o campeão em título.

A equipa técnica do Benfica realizou várias alterações em busca do golo da vitória, mas não conseguiu superar um adversário determinado a regressar a Mansoa com um ponto nesta primeira jornada da prova organizada pela Liga Guineense dos Clubes de Futebol (LGCF).

Com este empate, ambos os clubes somam um ponto na tabela classificativa da Guines‑Liga.

No final da partida, o treinador do Benfica, Romualdo da Silva “Aldo”, destacou o desempenho da sua equipa, mas voltou a criticar a calendarização dos jogos noturnos atribuídos ao Benfica pela LGCF.

Por seu lado, o treinador dos Balantas de Mansoa, Toni Fundungo, mostrou-se satisfeito com o trabalho dos seus jogadores, mas lamentou as oportunidades desperdiçadas, que poderiam ter garantido os três pontos.

Nos outros jogos de sábado, o Massaf de Cacine venceu o Flamengo de Pefine por 4–3. De acordo com a imprensa local, foi uma partida equilibrada, marcada por um grande espetáculo proporcionado pelos jogadores de ambas as equipas. Com esta vitória, o Massaf, que regressou à primeira divisão nesta temporada, soma os primeiros três pontos, enquanto o Flamengo permanece com zero.

Em Cumura, a equipa local foi derrotada por 3–0 pelo Clube Desportivo e Recreativo de Gabú, que mostrou superioridade durante todo o encontro. Assim, o conjunto de Gabú soma três pontos, deixando o FC Cumura sem pontuar.

Em Bissau, a partida entre os Portos de Bissau e os Tigres de São Domingos não se realizou devido à ausência da licença da equipa visitante. Assim, os Estivadores foram beneficiados com três pontos por decisão administrativa.

Na região de Oio, os Arados de Nhacra receberam o Cupelum FC, mas foram derrotados por 3–0. O Cupelum, que regressou à primeira liga na época passada, foi superior durante a maior parte do jogo e garantiu os três pontos.

Em Pelundo, região de Cacheu, a equipa local recebeu o FC Cuntum e perdeu por 1–0, em partida realizada no campo Vicente Cacante Indjai. Com este triunfo, o Cuntum soma três pontos, enquanto o Pelundo continua sem pontuar.

A ronda inaugural encerra hoje com o encontro entre o Sporting Clube da Guiné‑Bissau e o Hafia FC Bafatá, às 16h30, também no Estádio Lino Correia.

Importa salientar que a primeira jornada arrancou na última sexta‑feira, com o jogo entre a União Desportiva Internacional de Bissau (UDIB) e o FC Canchungo, que terminou com um empate sem golos.

Por: Alison Cabral
odemocratagb


As palavras de candidato a Presidência da República Portuguesa André Ventura Presidente de Chega numa visita em Leiria Portugal a dizer que Portugal não é Guiné-Bissau.

TV O PAÍS Umaro Djaló

FAMÍLIA DE DOMINGOS SIMÕES PEREIRA DIZ QUE LÍDER POLÍTICO CONTINUA PRIVADO DE LIBERDADE, MESMO EM CASA, E PEDE INTERVENÇÃO DA CEDEAO


A família de Domingos Simões Pereira afirmou que o político continua privado de liberdade, apesar de se encontrar na sua residência, denunciando que vive sob confinamento forçado desde o seu sequestro, ocorrido a 26 de novembro de 2025.
Em comunicado divulgado este sábado, a família lembrou a resolução da CEDEAO de 14 de dezembro de 2025, que exige a proteção dos líderes políticos e das instituições nacionais da Guiné-Bissau, bem como a libertação imediata e incondicional dos detidos arbitrariamente. Segundo o documento, a resolução ainda não foi cumprida.
A nota refere que Domingos Simões Pereira está há 66 dias sem liberdade, sem acusação formal, sem acesso à justiça e sem garantias processuais. A família esclarece que a permanência na residência não equivale à liberdade, uma vez que há presença permanente de forças armadas e restrições à circulação dos familiares.
Os familiares rejeitam ainda a utilização dos termos “libertação”, “detenção” ou “prisão domiciliária”, alegando que não houve qualquer procedimento judicial que justificasse tais medidas, sublinhando que a prisão domiciliária só pode ser aplicada mediante decisão judicial.
No comunicado, Domingos Simões Pereira, Presidente do PAIGC, Deputado da Nação e Presidente da Assembleia Nacional Popular, é descrito como tendo sido capturado por forças militares, mantido sem acesso a advogado ou familiares, em violação de instrumentos internacionais de direitos humanos, nomeadamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.
A família manifestou preocupação pelo facto de os mesmos agentes envolvidos no sequestro serem agora apresentados como responsáveis pela sua proteção, levantando dúvidas quanto à segurança física e psicológica do líder político.
Por fim, a família apelou à CEDEAO e à Comunidade Internacional para uma intervenção urgente, visando a proteção de Domingos Simões Pereira e de outros atores públicos guineenses que, segundo afirma, se encontram sob ameaça, defendendo que apenas um ambiente seguro permitirá um diálogo político inclusivo e a reposição da ordem constitucional no país.

RSM: 01 02 2026