quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A boa gerência de Recursos Humanos e a particularidade de atendimentos de psicoterapia no HMP.


Os factos, foram constatados, nesta terça-feira, dia 11 de agosto de 2026, por uma equipa jornalística da Imprensa Militar durante os trabalhos de reportagem e entrevistas com responsáveis dos Recursos Humanos e da Repartição de atendimentos da psicoterapia do Hospital Militar Principal Amizade soino-guineense.

O objetivo foi inteirar-se sobre o funcionamento interno dessas áreas estratégicas, entre as que sustentam a operação desta principal unidade de saúde das Forças Armadas.
Respondendo aos questionamentos da equipa jornalística da Imprensa Militar, o Chefe de Recursos Humano deste centro hospitalar, Capitão Victorino Armando Gomes, destacou a relevância histórica e atual do seu departamento.
Ele explicou que o serviço atua como um elo de ligação essencial entre a gestão e o corpo funcional. Para ilustrar sua origem, o capitão remontou ao contexto inicial da instituição, quando era necessário regular as relações entre "capitalistas" e “camponeses”, estes últimos submetidos a pagamentos arbitrários e trabalho forçado. Segundo ele, surgiu então a necessidade de criar um órgão mediador para estabelecer normas justas e adotar um modelo organizacional institucional que atualmente serve como Divisão de Recursos Humanos em administração.
Capitão Gomes, afirma ainda que o setor tem o papel fundamental de recrutar técnicos qualificados e capacitados nas diferentes áreas de especialidade para assumirem cargos de responsabilidade dentro do hospital.
“O processo seletivo, no entanto, segue uma cadeia de comando rígida”, explica. Esclareceu que a colocação de pessoal para o Hospital Militar sempre depende da autorização do Estado-Maior-General das Forças Armadas. Uma vez selecionado, o candidato passa por avaliações específicas para ser enquadrado em uma das três frentes de atuação: Administrativo, clínico e enfermaria.
Um dos pontos mais impactantes da entrevista foi a revelação sobre o perfil dos pacientes. Embora concebido para servir exclusivamente às Forças Armadas, o hospital adaptou sua missão diante da carência generalizada de saúde na Guiné-Bissau. Conforme as declarações do responsável pela gestão humana, atualmente, a unidade presta maior assistência à população civil, que representa 79% do total de atendimentos.
Complementa: “Atualmente, a instituição dispõe de 562 funcionários, sendo 299 ocupadas por militares e 114 por civis. Apesar das dificuldades logísticas e estruturais inerentes a esse alto volume de demanda externa, o Capitão Gomes ressaltou que nenhum obstáculo impede o pleno funcionamento e o bom desempenho do hospital.
Em seu turno, o Capitão Psicologo Antolívio Lopes Correia, especialista e responsável do Serviço da Psicoterapia, detalhou a rotina da sua área. Desde sua criação, o setor trabalha maioritariamente no domínio de "interconsulta", atuando quando solicitado por outros médicos ou com pacientes encaminhados ao Centro de Tratamento Ambulatório.
Para o especialista em estudos da mente e o comportamento humano, é lamentável o facto de poucos voluntários que buscam o serviço espontaneamente, explicando que as sessões de consulta são de total sigilo entre o profissional e paciente, podendo ser individual, grupal ou familiar, o que descarta qualquer possibilidade da exposição das conversas tidas ao longo dessas consultas.
"A Psicologia dentro do hospital é uma especialidade que abrange e se relaciona com todas as outras, pelo que a sua importância dentro e fora do hospital é desmedido", afirma o mestre.
Ele alertou que a falta de acesso a consultas especializadas muitas vezes acaba por agravar quadro clínico do paciente.
Sendo a dor de cabeça um dos sintomas mais frequentes em problemas ligados à questões emocionais e comportamentais, aconselha a recorrer imediatamente ao Hospital logo que se sentir má estar de cabeça. Explica que "Às vezes, a falta de consulta médica especializada faz com que, mais tarde, a situação se complique”.
Capitão Lopes Correia concluiu com um conselho direto à população. Segundo ele, a baixa aderência às consultas ocorre porque grande parte da sociedade desconhece a existência do serviço. "É muito importante divulgar que, no trabalho, na família e na sociedade em geral, o psicólogo é necessário para resolver os problemas do dia-a-dia", analtece.

Texto: Soldado Augusto Demna M'Bar
Fotos: Alferes Joaquim F. da Costa
FA/IM 11.08.2026

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