O coordenador do coletivo dos técnicos estagiários do Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM), Amadu Mané, anunciou a suspensão dos serviços entre os dias 3 e 28 de agosto de 2026.
O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira, 3 de agosto, durante uma declaração à imprensa.
Segundo Amadu Mané, a paralisação tem como objetivo exigir do Governo a colocação e integração de novos técnicos no sistema de saúde pública.
O responsável sublinhou a necessidade de preenchimento das vagas existentes, alegando haver insuficiência de técnicos no Hospital Nacional Simão Mendes.
De acordo com Amadu Mané, os técnicos estagiários enfrentam inúmeras dificuldades para se deslocarem diariamente ao hospital e prestarem serviços. Muitos chegam a pernoitar nas instalações sem condições adequadas, uma vez que não recebem subsídios, salários nem dispõem de contratos de trabalho.
“Entramos em suspensão de serviços porque ainda não recebemos qualquer resposta às exigências apresentadas ao Governo e à tutela ministerial. Tivemos encontros com essas entidades e foi-nos dito que estavam a trabalhar internamente para a nossa integração no sistema”, afirmou.
O técnico de saúde denunciou ainda a existência de profissionais que se encontram em regime de estágio há cerca de sete anos no Hospital Nacional Simão Mendes.
Na sua declaração, explicou que, durante as negociações mantidas com o Governo, receberam a promessa de que a situação seria resolvida no prazo de trinta dias. Contudo, até ao momento, não obtiveram respostas concretas.
“Reunimo-nos com a direção clínica do hospital e solicitámos uma audiência com o diretor dos Recursos Humanos do Ministério da Saúde Pública. Ficámos com a ideia de que o processo estava em andamento. Mas, ao que parece, nada está a avançar. Até quando teremos de suportar um problema que já dura há três, quatro e até sete anos?”, questionou.
No total, 397 técnicos estagiários aderiram à suspensão de serviços no maior centro hospitalar do país.
Amadu Mané comparou a situação dos profissionais à de um paciente sem tratamento adequado.
“Se uma pessoa está doente e não é atendida por um médico, a doença agrava-se e pode até tornar-se fatal. É isso que está a acontecer connosco”, frisou.
Por fim, lamentou o facto de os técnicos terem permanecido durante anos ao serviço da população, respondendo às necessidades dos cidadãos, sem que as autoridades competentes apresentassem soluções concretas para a sua situação laboral.
Por: Natcha Mário M’Bundé
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