As mulheres que trabalham no campo hortícola da Granja do Pessubé, no Perímetro Dois, em Bissau, denunciam a falta de eletricidade para o abastecimento de água destinada à irrigação, apontando o problema como uma das principais dificuldades enfrentadas nas suas atividades diárias.
A denúncia foi feita esta quarta-feira (14-01) aos microfones da Rádio Sol Mansi (RSM), durante uma reportagem realizada no local com o objetivo de conhecer a real situação das mulheres e jovens horticultoras provenientes de diferentes bairros da capital. As trabalhadoras exercem diariamente a atividade hortícola como forma de garantir a subsistência das suas famílias, assegurar a continuidade dos estudos e contribuir para o abastecimento do mercado local com produtos hortícolas.
De acordo com a vice-presidente da Associação de Ajuda Mútua para a Luta contra a Fome, do Perímetro Dois da Granja do Pessubé, Adelina Delegado, a organização já solicitou por várias vezes o apoio do Governo para a instalação de eletricidade, com vista a facilitar o bombeamento de água para a irrigação, mas sem qualquer resposta positiva até ao momento.
“Queremos ajuda do Estado para conseguirmos água para a irrigação. No outro perímetro há eletricidade, mas aqui no Perímetro Dois não temos. Essa é a nossa maior preocupação. Já apelámos várias vezes ao Governo, mas nunca tivemos uma resposta positiva”, lamentou.
No campo hortícola é visível a presença de dezenas de jovens, com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos, envolvidos na retirada manual de água dos poços para a irrigação. Segundo Adelina Delegado, esta prática tornou-se predominante devido ao não funcionamento da motobomba que anteriormente facilitava o processo.
A responsável sublinha ainda que a atividade hortícola tem permitido a muitos jovens, maioritariamente oriundos do interior do país e atualmente residentes em Bissau para prosseguirem os estudos nos liceus e centros de formação, garantir a continuidade da sua formação académica.
“A maioria destes jovens vem do interior para continuar os estudos nos liceus e centros de formação aqui em Bissau. Somos nós que ajudamos a sustentar os seus estudos, através dos pagamentos feitos em troca do trabalho manual de retirada de água dos poços para a irrigação”, explicou.
No que diz respeito à segurança, a vice-presidente da associação afirma que a preocupação é maior no início da época de colheita. Segundo a responsável, neste período, em que os produtos hortícolas ainda são escassos no mercado, indivíduos mal-intencionados aproveitam a situação para intensificar os roubos nos campos.
“Neste momento, como os produtos hortícolas são abundantes no mercado, a pressão dos roubos diminuiu. Mas no início da época de colheita, quando os produtos ainda são escassos, os roubos aumentam. Somos obrigadas a contratar seguranças privados, porque o Estado nunca se preocupou com esta questão, apesar das várias queixas apresentadas”, denunciou.
O campo hortícola da Granja do Pessubé está dividido em dois perímetros — Perímetro Um e Perímetro Dois — explorados por centenas de mulheres organizadas em duas associações. A Associação “Assin ki Mundo” explora o Perímetro Um, enquanto a Associação de Ajuda Mútua para a Luta contra a Fome atua no Perímetro Dois, que concentra o maior número de associadas, apesar de dispor de um espaço de cultivo mais reduzido em comparação com o primeiro perímetro.
Texto: Braima Sigá
Imgem: Turé da Silva



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