quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

MULHERES DA GRANJA DO PESSUBÉ DENUNCIAM FALTA DE ELETRICIDADE PARA IRRIGAÇÃO

 

As mulheres que trabalham no campo hortícola da Granja do Pessubé, no Perímetro Dois, em Bissau, denunciam a falta de eletricidade para o abastecimento de água destinada à irrigação, apontando o problema como uma das principais dificuldades enfrentadas nas suas atividades diárias.


A denúncia foi feita esta quarta-feira (14-01) aos microfones da Rádio Sol Mansi (RSM), durante uma reportagem realizada no local com o objetivo de conhecer a real situação das mulheres e jovens horticultoras provenientes de diferentes bairros da capital. As trabalhadoras exercem diariamente a atividade hortícola como forma de garantir a subsistência das suas famílias, assegurar a continuidade dos estudos e contribuir para o abastecimento do mercado local com produtos hortícolas.

De acordo com a vice-presidente da Associação de Ajuda Mútua para a Luta contra a Fome, do Perímetro Dois da Granja do Pessubé, Adelina Delegado, a organização já solicitou por várias vezes o apoio do Governo para a instalação de eletricidade, com vista a facilitar o bombeamento de água para a irrigação, mas sem qualquer resposta positiva até ao momento.
“Queremos ajuda do Estado para conseguirmos água para a irrigação. No outro perímetro há eletricidade, mas aqui no Perímetro Dois não temos. Essa é a nossa maior preocupação. Já apelámos várias vezes ao Governo, mas nunca tivemos uma resposta positiva”, lamentou.

No campo hortícola é visível a presença de dezenas de jovens, com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos, envolvidos na retirada manual de água dos poços para a irrigação. Segundo Adelina Delegado, esta prática tornou-se predominante devido ao não funcionamento da motobomba que anteriormente facilitava o processo.

A responsável sublinha ainda que a atividade hortícola tem permitido a muitos jovens, maioritariamente oriundos do interior do país e atualmente residentes em Bissau para prosseguirem os estudos nos liceus e centros de formação, garantir a continuidade da sua formação académica.

“A maioria destes jovens vem do interior para continuar os estudos nos liceus e centros de formação aqui em Bissau. Somos nós que ajudamos a sustentar os seus estudos, através dos pagamentos feitos em troca do trabalho manual de retirada de água dos poços para a irrigação”, explicou.

No que diz respeito à segurança, a vice-presidente da associação afirma que a preocupação é maior no início da época de colheita. Segundo a responsável, neste período, em que os produtos hortícolas ainda são escassos no mercado, indivíduos mal-intencionados aproveitam a situação para intensificar os roubos nos campos.

“Neste momento, como os produtos hortícolas são abundantes no mercado, a pressão dos roubos diminuiu. Mas no início da época de colheita, quando os produtos ainda são escassos, os roubos aumentam. Somos obrigadas a contratar seguranças privados, porque o Estado nunca se preocupou com esta questão, apesar das várias queixas apresentadas”, denunciou.

O campo hortícola da Granja do Pessubé está dividido em dois perímetros — Perímetro Um e Perímetro Dois — explorados por centenas de mulheres organizadas em duas associações. A Associação “Assin ki Mundo” explora o Perímetro Um, enquanto a Associação de Ajuda Mútua para a Luta contra a Fome atua no Perímetro Dois, que concentra o maior número de associadas, apesar de dispor de um espaço de cultivo mais reduzido em comparação com o primeiro perímetro.

Texto: Braima Sigá
Imgem: Turé da Silva

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