domingo, 23 de março de 2025

IMPORTADORES E EXPORTADORES CRITICAM IMPOSIÇÕES FISCAIS E INTERMEDIÁRIOS AMEAÇAM BOICOTAR O ESCOAMENTO DO PRODUTO


O Presidente da Associação Nacional de Importadores e Exportadores da Guiné-Bissau, Mamadu Iero Djamanca, criticou a atitude do governo relativamente à introdução de algumas taxas e apelou ao executivo liderado por Rui Duarte Barros a redobrar os esforços para a redução das imposições fiscais e aduaneiras.

Mamadu Iero Djamanca fez o apelou este sábado, 22 de março de 2025, por ocasião da abertura do balanço da campanha de comercialização e exportação da castanha de cajú 2025, uma cerimónia tradicional que assinala as primeiras entradas da castanha de cajú para a capital Bissau.

O Empresário guineense criticou o facto de o governo ter alterado as taxas de custo das taxas de serviços públicos, que não estava acordado com a Associação de Importadores e Exportadores da Guiné-Bissau.

Em entrevista aos jornalistas, Mamadu Iero Djamanca disse que uma das apostas dos Importadores e Exportadores é fazer da campanha de cajú de 2025 um processo especial, por haver condições internas e externas e porque também os dados do mercado externo “são muito positivos e temos é que fazer um trabalho interno”.

“O governo tem que redobrar os esforços para explorar todas as oportunidades possíveis e poder exportar a maior quantidade da castanha de cajú produzido na Guiné-Bissau, o que passa pela revisão das imposições, quer fiscais como aduaneiras”, advertiu.

O Presidente da Associação Nacional de Importadores e Exportadores da Guiné-Bissau disse ter sido surpreendido com algumas imposições de custos de taxas de serviços públicos, que não estavam previstas nas estruturas de custos, sublinhando que essas imposições mexeram com Importadores e Exportadores.

Neste sentido, anunciou que vai assumir a sua responsabilidade de convocar o governo para se sentar à mesa para discutir, abertamente, esse assunto, porque” a castanha que está a entrar neste momento não é uma grande quantidade e acreditamos que até se chegar ao momento crucial, chegaremos a um consenso “.

“O aumento das taxas na ordem dos 50% é uma coisa insuportável e é mau. O pior seria, se isso fosse constado na estrutura de custos, o que não é o caso, por isso pedimos ao Presidente da República que seja o supervisor de todos os supervisores, porque é proibido falhar neste processo”, criticou, para de seguida sublinhar que os dados na posse da organização que lidera e na da Confederação Nacional dos Atores da Fileira de Cajú “são muito bons”, lembrando que “o mercado internacional de cajú ganhou uma nova dinâmica”.

Segundo Mamadu Iero Djamanca, o maior país produtor de cajú teve que, na sequência desta dinâmica, mudar a sua técnica para priorizar o processamento local, porque quando o processamento local é uma prioridade a exportação é ameaçada e passa para amêndoa de cajú, no lugar de cajú e de natura.

“Se a Costa do Marfim decidiu priorizar a transformação local, quer dizer que agora os compradores tradicionais terão que encontrar outros mercados e o mercado mais próximo da Costa do Marfim é a Guiné-Bissau. Essa abertura é uma mais valia para o país. Outra vantagem que temos é a qualidade da castanha de cajú e de natura que temos”, enfatizou.

Afirmou, neste particular, que a Guiné-Bissau continuar a ser o único país do mundo que produz “o cajú cem por cento Bio”, sublinhando que isso deve ser valorizado, sobretudo os atores políticos do país para tirar ganhos desse pequeno pormenor, por ser uma fortuna que poucas pessoas imaginam que seja possível, consumir produtos naturais cem por cento biológicos.

INTERMEDIÁRIOS AMEAÇAM BOICOTAR O PROCESSO DE ESCOAMENTO DA CASTANHA PARA BISSAU

Por sua vez, o presidente dos Intermediários de Negócios, Lassana Sambú, ameaçou boicotar o escoamento da castanha de cajú para Bissau, caso o governo não revogue o despacho que aumentou a taxa de licença de estrutura e escoamento de 150 a 170 mil francos CFA.

“É descabido. É descabido, porque existe uma estrutura de custo produzida pelo próprio governo que foi trabalhada por todas as partes e aprovada. Não é possível depois da conclusão dos trabalhos, o executivo apresentar novas alterações das taxas na mesma estrutura de custos que não estavam lá e nem sequer discutidas e acordadas”, criticou.

Lassana Sambú exortou, por isso, ao governo a reconsiderar a sua posição, caso contrário, não vão iniciar os trabalhos no terreno, porque” se começarmos o processo, quem ganha é o governo”.

“Se boicotarmos o escoamento, terá consequências durante o processo de comercialização da castanha de cajú, e vai contribuir na queda do preço junto ao produtor. Porque aumentar as taxas reflete no preço inicial ou básico”, disse.

Por: Filomeno Sambu
Conosaba/odemocratagb.

Sem comentários:

Enviar um comentário