quinta-feira, 27 de setembro de 2018

RECENSEAMENTO ELEITORAL - CIDADÃOS CONSIDERAM ACTO DE MOROSO E QUASE INEXISTENTE


Bissau 26 Set. 18 (ANG) – Alguns cidadãos da capital Bissau consideraram hoje o acto de recenseamento eleitoral em curso de muito moroso e quase inexistente por falta de presença das brigadas recenseadoras nos bairros.

De acordo com uma auscultação feita pela ANG, os conterrâneos entrevistados foram unânimes em considerar que o recenseamento deste ano é diferente de todas as outras que já assistiram.

Eugénio Té Correia, estudante e pequeno comerciante morador no bairro de Bór, arredores de Bissau disse que ainda não viram a mesa de recenseamento naquela zona.

“Eu vou recensear com certeza, mas não vou estar a correr atrás das mesas para o fazer deixando o meu ganha-pão de dia a dia e ao fim ao cabo votamos para nada, porque os políticos, depois de serem eleitos, ignoram completamente o povo, vivendo na corrupção e impunidade”, disse.

Domingos Horácio da Silva, agente de segurança da empresa Masa Segurança, morador no bairro Cuntum Madina, afirmou que ainda não se recenseou por não dispor de tempo e também porque não viu nenhuma mesa de recenseamento na sua área.

Sublinhou que, como cidadão que pensa vir a exercer o seu direito de voto, pensa recensear, salientando que acredita na realização das eleições legislativas ainda este ano, mesmo não sendo na data prevista, 18 de Novembro.

Salimato Vieira, morador de Chão de Papel Varela, vendedeira de frutas e estudante disse que não vai recensear nem votar, porque já está cansada das promessas dos políticos que só falam, mas na prática não fazem nada para o povo que os votam.

“O nosso voto é a nossa actividade de venda. Aqui é que ganhamos o sustento para as nossas famílias, pagar escola para nossos filhos porque o Estado esqueceu de nós. Não vi mesa nenhuma para recensear. Aqui ao lado é que costumava estar a brigada de recenseamento, mas ainda não encontramos nada e pouco me importa isso”, rematou Vieira.

Por seu turno, Osvaldo Gomes, morador no bairro de Mindará igualmente frisou que ainda não alistou devido ao contra tempo, salientando que no seu bairro ainda não viram as mesas dos agentes recenseadores. Contudo, frisou que vai cumprir com o seu dever cívico como cidadão.

Gomes disse que o acto não está a decorrer de uma forma normal como acontecia nos anos anteriores porque, segundo ele, o país já tem experiência bastante na realização de eleições, tendo pedido o aumento das mesas de recenseamento nos bairros para facilitar o registo de eleitores.

O recenseamento decorre com insuficiência de kits, de agentes de recenseamento(em formação) e de meios financeiros, segundo o governo.

A ANG soube que as partes envolvidas no processo de eleições legislativas devem discutir hoje um novo cronograma eleitoral feita pela Comissão Nacional de Eleições, respeitando os prazos de recenseamento, o que implicará a indicação de uma nova data de realização do acto eleitoral. 

Conosaba/ANG/MSC/ÂC//SG

GOVERNO E PARTIDOS POLÍTICOS ANALISAM NOVO CRONOGRAMA ELEITORAL


Os partidos políticos com representação parlamentar reuniram, esta quarta-feira (26), com o governo e as entidades envolvidas no processo eleitoral (CNE e GTAPE) para juntos analisarem o novo cronograma que vai conduzir a realização das eleições legislativa

Á saída da reunião, na qual também participou a comunidade internacional agrupados no P5.

Á imprensa, falaram apenas os dois partidos com a maior representação parlamentar, o PAIGC e o PRS respectivamente.

Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, diz que a CNE assim como o GTAPE têm que trabalhar com a referência no 18 de Novembro.

“Se o governo, entretanto, chegar a conclusão de que não há condição para cumprir a data tem que reportar as instâncias competente para a reavaliação da situação, o que ao nosso ver é a outra em Lomé (capital de Togo), quando nós demos o nosso aval para a fixação do dia 18 de novembro já tínhamos a consciência da necessidade de encurtar determinado prazo, portanto, para nós, não faz nenhum sentido que agora estejamos a descudarmos por atrás da lei eleitoral pondo em causa algo que já sabemos quando fixamos a data de 18 de Novembro”, sustenta.

Orlando Mendes Vigas, um do vice-presidente do PRS, assegurou que compete a CNE e o GTAPE fazerem a nova proposta que coincide com a data marcada de 18 de Novembro.

“Como nós confirmamos em várias ocasiões que a data marcada dia 18 de novembro para realização das eleições, nós não temos a objecção nenhuma em relação a data, agora compete o governo pronunciar sobre a data”.

Em representação da comunidade internacional - agrupado no P5, o diplomata santomense, Ovídio Pequeno, afirma que “ainda não há nada de concreto e o assunto vai ser analisado de novo amanha (27/09) ”.

Amanha (27) haverá uma outra ronda da negociação entre os partidos políticos com representação parlamentar e o governo com as entidades envolvidas no processo eleitoral onde, de novo, estará em cima da mesa o novo cronograma eleitoral e igualmente deverá estar presente a comunidade internacional.

O novo calendário eleitoral apresentado, terça-feira (25), ao governo, segundo o presidente da CNE, visa respeitar a lei e satisfazer as exigências dos partidos políticos em relação aos prazos estipulados pela lei.

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Braima Sigá/radiosolmansi com Conosaba do Porto

Imagem: Internet

PAIGC RECORDA QUE COMPROMISSO DE ENCURTAR PRAZOS PARA ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

O presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, disse hoje que quando as legislativas foram marcadas já se sabia que os prazos do processo tinham de ser encurtados.


"Em Lomé, quando demos o nosso aval, para a fixação de 18 de novembro, já tínhamos consciência da necessidade de encurtar determinados prazos e para nós não faz nenhum sentido que agora estejamos a escudar-nos na lei eleitoral pondo em causa algo que já sabíamos quando fixámos a data de 18 de novembro (para as eleições legislativas)", afirmou Domingos Simões Pereira.

O presidente do PAIGC falava aos jornalistas no final de uma reunião no Ministério das Finanças, em Bissau, onde participaram o primeiro-ministro Aristides Gomes, a ministra da Administração Territorial, Ester Fernandes, o ministro do Interior, Mutaro Djaló, representantes da comunidade internacional, Comissão Nacional de Eleições (CNE), Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE) e partidos com representação parlamentar.

"Esta foi mais uma reunião de coordenação, que se limitou a constatar que há uma decisão política, a data de 18 de novembro, que foi fixada corresponde a uma decisão política patrocinada ao mais alto nível por parte da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental)", salientou.

Portanto, continuou Domingos Simões Pereira, a CNE e o GTAPE "têm de trabalhar com essa referência do dia 18 de novembro e têm de esgotar todas as possibilidades de viabilização dessa data".

"Se o Governo chegar à conclusão de que não há condições de cumprir essa data tem de reportar às instâncias competentes para a reavaliação da situação", sublinhou.

Domingos Simões Pereira disse também que amanhã (quinta-feira) vai haver uma nova reunião e espera que possam ser conhecidas as "cedências e os entendimentos" que possam acontecer.

Já o Partido de Renovação Social (PRS) salientou que compete à CNE e ao GTAPE "fazer uma nova proposta" de cronograma eleitoral que coincida com o dia 18 de novembro, data marcada para as eleições legislativas.

"Não temos objeção nenhuma em relação à data. Compete ao Governo pronunciar-se sobre a data. Não é o PRS que organiza eleições", afirmou Orlando Viegas, da direção do PRS.

A Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), que instituiu o atual Governo de consenso entre partidos representados no parlamento, exigiu a realização de eleições legislativas no dia 18 de novembro, conforme marcadas pelo presidente guineense, José Mário Vaz, em abril.

O processo eleitoral tem, no entanto, estado a ser criticado por vários partidos por considerarem que não está a ser cumprida a lei eleitoral e por estar a ser politizado.

O recenseamento eleitoral para as eleições de 18 de novembro deveria ter começado a 23 de agosto e terminado a 23 de setembro, mas atrasos na receção dos 'kits' para registo biométrico dos eleitores obrigou o Governo a iniciar o recenseamento a 20 de setembro.

Conosaba/Lusa

PARTIDOS POLÍTICOS SEM REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR EXIGEM ELABORAÇÃO DE NOVO CRONOGRAMA ELEITORAL


A plataforma dos cinco partidos políticos extraparlamentar exige do governo a elaboração “urgente” de um novo cronograma eleitoral e a declaração expressa de inviabilidade da data de legislativa


A exigência da plataforma foi transmitida, esta terça-feira (25), pelo porta-voz do colectivo, Silvestre Alves, líder do Movimento Democrático Guineense (MDG), durante a conferência de imprensa para tornar pública as posições do grupo que engloba a Resistência da Guiné-Bissau/Movimento Bafatá (RGB); o Manifesto Democrático Guineense (MDG); o Partido Africano para a Liberdade Organização e Progresso (PALOP); o Partido Democrático para o Desenvolvimento (PDD); e o Manifesto do Povo, relativamente á indefinição e a deriva em que o processo eleitoral se encontra.

“A plataforma exige do governo a declaração expressa de inviabilidade da data de 18 de novembro de 2018, à face da lei em vigor, a elaboração urgente de um novo projecto de cronograma eleitoral e o convite expresso a todos os partidos legalizados para a abertura imediata de negociações ainda no decurso desta semana, para a criação de consensos e soluções que viabilizem a realização de eleições num prazo não superior a noventa dias”, exige.

A plataforma responsabiliza ainda o chefe de Estado e do Governo pelo impasse que prevalece sobre o processo eleitoral. Apesar de responsabilizar estas duas figuras a plataforma assegura que a demissão do actual governo, nesta altura, agravariam ainda o sofrimento do povo.

“A plataforma responsabiliza o primeiro-ministro e o presidente da Republica pelo impasse que prevalece por se terem desviado da prioridade nacional, preferindo governar e solicitar apoios a favor das suas campanhas e interesses pessoais, apesar da responsabilidade directa e pessoal dos dois titulares. A plataforma tem consciência de que a demissão do governo, nesta altura, agravaria o sofrimento do povo e apenas favoreceria agendas inconfessas”, admite.

Os cinco partidos políticos extraparlamentar agrupados numa plataforma que assumem como expressão da consciência política da necessidade de construir entendimentos para viabilizar um projecto político alternativo de salvação nacional, exorta a comunidade internacional a assumir o seu papel de modo a garantir que o processo em curso respeita os prazos e os procedimentos legais.

“Exortamos a comunidade internacional (…), por conseguinte, para criar as condições básicas de liberdade, da justiça, da transparência e da regularidade do ato de legitimação democrática, por forma a evitar novo ciclo de incertezas e instabilidade”, diz.

O país está a porta de mais um processo eleitoral (marcada para 18 de Novembro) depois de uma crise política de quase 4 anos, enquanto isso as opiniões divergem em relação a realização das eleições na data marcada embora a CEDEAO exorta os guineenses a engajarem-se para que a data de 18 de Novembro não seja adiada.

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Braima Siga/radiosolmansi com Conosaba do Porto

MINISTRA DA ADMINISTRAÇÃO TERRITORIAL GUINEENSE RECUSA AVANÇAR DATA PARA FIM DO RECENSEAMENTO


Ministra da Administração Territorial afirma que o recenseamento está a decorrer mediante kits disponíveis

A ministra da Administração Territorial da Guiné-Bissau, Ester Fernandes, recusou hoje avançar uma data para o fim do recenseamento eleitoral para as legislativas de 18 de novembro, salientando que está a trabalhar com 150 'kits' de registo biométrico.

"Estamos a trabalhar em função dos 'kits' que temos. Dentro em breve receberemos mais 'kits' da Nigéria, portanto, estamos em crer que, a seu tempo, o recenseamento terminará, em função do número" de aparelhos disponível, disse Ester Fernandes, quando questionada sobre a data para o final do recenseamento.

O recenseamento eleitoral para as legislativas de 18 de novembro na Guiné-Bissau deveria ter começado a 23 de agosto e terminado a 23 de setembro, mas atrasos na receção dos equipamentos de registo biométrico atrasaram o processo, que só arrancou a 20 de setembro e sem data de conclusão.

Segundo a ministra, o Governo está a trabalhar com "objetividade" e tendo em conta o número de equipamentos disponíveis.

Questionada sobre um novo cronograma eleitoral a apresentar pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), a ministra afirmou que a CNE vai apresentar quinta-feira uma nova proposta de cronograma eleitoral com "encurtamento de prazos" para realizar eleições a 18 de novembro.

"Quem marcou a data das eleições foram os presidentes da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) e nós estamos a lutar para cumprir aquela data", concluiu a ministra.

A ministra falava aos jornalistas depois de uma reunião de várias horas no Ministério das Finanças entre o primeiro-ministro, membros do Governo, representantes da comunidade internacional e partidos políticos com assento parlamentar, Comissão Nacional de Eleições e Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE).

Conosaba/Lusa

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

"NÃO ESTAMOS A GANHAR A GUERRA CONTRA A FOME" - PRESIDENTE DO BAD


O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) disse que o mundo não está a ganhar a guerra contra a fome a nível global e relativizou os dados que mostram que há menos pessoas na pobreza.

"Não nos podemos deixar levar; não estamos a ganhar a luta contra a fome global", disse Akinwumi Adesina durante a sua intervenção numa conferência sobre agricultura na Universidade Purdue, em Indianapolis.

As declarações de Adesina surgem poucos dias depois da divulgação de dados sobre a descida do número de pessoas que vivem com menos de 2 dólares por dia, mas o presidente do banco vincou que os números das Nações Unidas, que mostra uma subida das pessoas com fome, de 777 milhões em 2015 para mais de 820 milhões no ano passado.

Perante uma plateia de investigadores, líderes empresariais, decisores políticos e doadores, o banqueiro defendeu mais ajuda desta comunidade e lembrou o compromisso de investir 24 mil milhões de dólares na agricultura africana nos próximos 10 anos, o maior esforço de sempre.

A situação na África subsariana, apontou, precisa de "intervenção particularmente urgente devido às mudanças climatéricas", disse Adesina, segundo um comunicado do banco, que dá conta de um aumento de 38 milhões de pessoas com fome em África em 2050 só devido a estas alterações.

Cerca de 821 milhões de pessoas no mundo passam fome, revelou a ONU, traduzindo um aumento para níveis de há dez anos que se sente mais na América do Sul e na maior parte de África, disse a agência das Nações Unidas para a alimentação e agricultura (FAO, na sigla em inglês) no relatório sobre o estado da segurança alimentar e nutrição de 2018, em que se confirma a tendência para o aumento da fome no mundo pelo terceiro ano consecutivo, passando de 804 milhões em 2016 para 821 milhões em 2017.

Angola, Moçambique e Guiné-Bissau estão entre os países africanos onde os choques climáticos foram uma das causas de crises alimentares em 2017, segundo a avaliação global sobre segurança alimentar e nutricional (SOFI 2018), elaborada por cinco agências da ONU, incluindo a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A avaliação é pessimista, realçando que os objetivos de erradicação da fome em 2030 estão em risco, face ao crescimento da situação de fome, que atingiu 821 milhões de pessoas em 2017, ou seja, um em cada nove habitantes do mundo.

Conosaba/Lusa


PR DA GUINÉ-BISSAU RECEBEU EM AUDIÊNCIA, OS PARTIDOS POLÍTICOS

"A pedido de alguns partidos políticos, hoje recebi em audiência o PRS e o Colectivo dos Partidos sem assento parlamentar, abordados vários assuntos da vida política e ouvi as suas opiniões sobre o processo eleitoral em curso", disse José Mário Vaz - Presidente da Republica da Guiné-Bissau