sábado, 28 de março de 2026

Reunião do Comité Central do PAIGC impedida pela polícia em Bissau


Reunião do PAIGC terá sido impedida pela polícia. AFP - SEYLLOU

O PAIGC, principal partido da oposição na Guiné-Bissau, deveria realizar hoje, em Bissau, uma reunião do Comité Central desta força política. A reunião magna entre os congressos já não vai ter lugar por alegado impedimento da polícia.

Com o golpe de Estado de Novembro passado, as portas da sede do PAIGC foram encerradas por ordem dos militares. Para reunir os seus órgãos, o partido decidiu avançar e realizar uma reunião numa unidade hoteleira de Bissau.

O partido diz ter enviado cartas ao Alto Comando Militar, protagonista do golpe de Estado, a informar da intenção de realizar o seu Comité Central hoje, mas não recebeu nenhuma resposta.

De forma surpreendente, diz o partido, a direcção do hotel informou o partido ontem à noite que teria recebido ordens da polícia no sentido de não permitir que a reunião do PAIGC ocorresse.

Em comunicado, o PAIGC informa que as forças de ordem teriam deixado ameaças veladas à unidade hoteleira em como seria da sua inteira responsabilidade o que viesse a acontecer caso a reunião tivesse lugar.

O partido lamenta que assim seja numa altura em que outras sensibilidades dentro do próprio PAIGC são autorizadas a realizar actividades políticas sem restrições. Essas sensibilidades são lideradas também por dirigentes do PAIGC, mas que estão contra a direcção do partido. Na sua maioria são membros do actual Governo de transição

Desde o golpe de Estado de novembro passado, o Alto Comando Militar proibiu a realização de actividades políticas de partidos, conferências de imprensa ou outras manifestações públicas.

A reunião do Comité Central, que junta mais de 500 membros, seria para, entre outros, marcar a data do 11º Congresso Ordinário do PAIGC, partido que atravessa profundas divergências internas com um grupo de dirigentes a contestar a manutenção do líder, Domingos Simões Pereira, em prisão domiciliária desde janeiro passado.

Por: Mussá Baldé
rfi.fr/pt/

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