sábado, 21 de março de 2026

FMI aprova desembolso de quase três milhões de euros à Guiné-Bissau


O Fundo Monetário Internacional (FMI) completou a nona e a décima revisões da linha de crédito para a Guiné-Bissau, aprovando um desembolso imediato de 2,9 milhões de euros e a extensão do programa até 29 de dezembro.

A quantia - equivalente a 2,37 milhões em direitos de saque especiais (=1,23 euros), ativos internacionais usados para complementar as reservas oficiais dos países-membros, essenciais em momentos de crise - faz ascender a 46 milhões de euros o total desembolsado no âmbito do programa de Facilidade de Crédito Ampliado (ECF, na sigla em inglês) para a Guiné-Bissau, contabiliza o FMI, em comunicado divulgado na sexta-feira.

O organismo internacional confirma que "a implementação do programa sofreu atrasos em algumas áreas após a mudança de governo em novembro de 2025", mas assinala que, "apesar desse contratempo, o governo de transição demonstrou um forte compromisso com os objetivos do programa".

Porém, não deixa de realçar que, desde a oitava revisão, em junho de 2025, o desempenho do programa "tem sido inferior ao esperado".

O Conselho Executivo do FMI aprovou ainda o pedido das autoridades guineenses para prorrogar o programa até 29 de dezembro de 2026, redefinindo as fases de acesso para ajudar a consolidar as políticas económicas e apoiar a implementação do orçamento de 2026.

No comunicado, o FMI prevê para a Guiné-Bissau um crescimento económico de 5,5% em 2025, impulsionado pela produção de castanha de caju e pela evolução favorável dos termos de troca.

Ao mesmo tempo, a inflação média caiu para 0,9% e estima-se que o défice em conta corrente tenha diminuído para 6,2% do PIB (Produto Interno Bruto).

Já o défice fiscal foi maior do que o esperado devido ao desempenho mais frágil da receita, aos maiores pagamentos de juros e ao apoio orçamental inferior ao previsto.

"Embora a dívida pública tenha caído para cerca de 75,3% do PIB, a manutenção de uma trajetória firme de queda da dívida no médio prazo exigirá consolidação fiscal sustentada e políticas de empréstimo prudentes", alerta o organismo.

O FMI e a Guiné-Bissau mantêm um programa de Facilidade de Crédito Ampliado desde janeiro de 2023, com o objetivo de consolidar as finanças públicas, reduzir a dívida e combater a corrupção.

Este programa financeiro de médio/longo prazo visa apoiar países com problemas estruturais na balança de pagamentos, exigindo reformas económicas basilares e proporcionando prazos de amortização mais alargados.

Considerado um dos países mais instáveis e pobres de África, a Guiné-Bissau voltou a viver um golpe de Estado a 26 de novembro do ano passado.

Um alto comando militar tomou o poder, nomeando Horta Inta-a presidente de transição e substituindo o parlamento por um conselho nacional de transição.

O golpe interrompeu o processo das eleições gerais, presidenciais e legislativas de 23 de novembro de 2025, das quais não se conhecem os resultados oficiais, com a oposição ao regime do ex-presidente e recandidato Umaro Sissoco Embaló a reclamar vitória.

O presidente de transição marcou novas eleições gerais para 06 de dezembro, depois de o conselho nacional de transição ter alterado a Constituição, atribuindo mais poderes ao Presidente da República.

Umaro Sissoco Embaló encontra-se em parte incerta, o candidato que reclamou vitória nas presidenciais, Fernando Dias, remeteu-se ao silêncio e o presidente do histórico partido PAIGC, Domingos Simões Pereira, que foi afastado das eleições por decisão judicial, encontra-se em prisão domiciliária.

21/03/2026 11:31
Lusa

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