sábado, 2 de dezembro de 2023
«Conferencia de imprensa do presidente da ANP Domingos Simões Pereira» DSP espera que a prisão do Ministro da Economia e das Finanças não seja uma tentativa de silenciar os membros do governo que tem elementos fundamentais para que a verdade seja conhecida.
Líder do parlamento guineense denuncia ataques à sua residência por homens armados
O presidente do parlamento guineense, Domingos Simões Pereira, afirmou hoje que a sua residência foi atacada por homens armados com tiros de armas de guerra na madrugada de sexta-feira e distanciou-se de qualquer apelo à violência.
Em conferência de imprensa, na sua residência e sublinhando falar enquanto cidadão, fez um relato dos acontecimentos que culminaram em confrontos armados entre elementos da Guarda Nacional, do batalhão da guarda presidencial e da Polícia Militar.
Nestes confrontos morreram dois militares, e o comandante da Guarda Nacional, o coronel Vítor Tchongo, foi detido no Estado-Maior General das Forças Armadas.
Domingos Simões Pereira disse que preferiu falar por considerar que o seu silêncio "estava a dar azo a tentativas" de o associar a várias situações que poderiam potenciar "más interpretações e apelo à violência".
"Quem me conhece sabe que não me revejo na violência, não sou apologista de desrespeito a ordem constitucional", afirmou Simões Pereira, que é também presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que lidera a coligação no Governo, PAI-Terra Ranka.
O presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau disse não compreender a decisão do Ministério Público em ordenar a detenção preventiva do Ministro da Economia e Finanças, Suleimane Seidi, e do secretário de Estado do Tesouro, António Monteiro, que estiveram na origem dos confrontos armados de sexta-feira.
Os dois governantes estão sob investigações pelo pagamento de alegadas dívidas a 11 empresários, no valor de cerca de 10 milhões de dólares, uma operação que a oposição considera fraudulenta e o Ministério Público afirma incorrer em crime de prevaricação e de desrespeito a normas orçamentais.
O ministro e o secretário de Estado foram postos em prisão preventiva, na noite de quinta-feira, nas celas da Polícia Judiciária (PJ), onde elementos da Guarda Nacional entraram à força e os tiraram dali, tendo-os levado para as suas instalações no bairro de Luanda.
Na madrugada de sexta-feira, militares do batalhão presidencial e os da Polícia Militar atacaram o quartel da Guarda Nacional, de onde resgataram os dois governantes que reconduziram às celas da PJ e ainda prenderam o comandante da corporação, coronel Vítor Tchongo.
O presidente da Assembleia Nacional Popular, Simões Pereira, condenou, também, a atuação da Guarda Nacional e disse ter sido informado pelo primeiro-ministro, Geraldo Martins, e pela ministra do Interior, Adiatu Nandigna, de que desconheciam de quem partiu a ordem para a intervenção desta força policial.
O dirigente afirmou que após as consultas com os membros do Governo, ainda na noite de quinta-feira, e ao retornar à sua residência foi informado pelo seu corpo de segurança de que havia indícios de presença de homens armados perto da casa.
Ao ser comunicado de que deveria sair de casa, Simões Pereira disse ter recusado num primeiro momento, mas ao escutar os tiros "cada vez mais perto de casa e contra o portão" acabou por sair.
"Em menos de dez minutos a minha casa parecia um campo de batalha com tiros por todo o lado, mas primeiro tive de tranquilizar a minha mãe com mais de 100 anos e depois sair de casa", explicou Pereira.
O político disse ter contactado por telefone várias pessoas, entre as quais o embaixador da África do Sul na Guiné-Bissau para explicar o que se estava a passar.
Domingos Simões Pereira apelou ao povo guineense para se manter calmo e vigilante, mas exigiu que se esclareça toda a verdade em relação aos pagamentos efetuados aos empresários e os contornos que levaram aos tiroteios de sexta-feira.
Conosaba/Lusa
PAIGC CONDENA ATUAÇÃO DA GUARDA NACIONAL AO FORJAR A LIBERTAÇÃO DO MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO
O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), condenou este sábado, 02 de dezembro de 2023, a atuação da corporação da Guarda Nacional, por ter forjado a libertação do ministro da economia e Finanças e do Secretário de estado de tesouro das instalações prisional da Polícia Judiciária.
De acordo com um comunicado à imprensa a que O Democrata teve acesso, o PAIGC exorta o Ministério Público no sentido de respeitar os procedimentos de audição estabelecidos por lei, em matéria de apuramento dos factos e da observância dos prazos e medidas preventivas. O partido libertador lamenta os intensos tiroteios verificados, que além de terem resultado em mortes e feridos a confirmar, colocaram a população guineense em pânico.
O documento, condena também a presença de corpo dos militares fortemente armados nos arredores da residência do presidente da Assembleia Nacional Popular, líder do PAIGC e da Coligação PAI Terra Ranka, Domingos Simões Pereira no dia 01 de dezembro.
Por outro lado, o PAIGC, condena o Movimento para Alternância Democrática (MADEM G-15) e alguns partidos sem assento parlamentar pela postura antidemocracia e belicista que vem caracterizando as suas intervenções, numa clara afronta às regras de um estado de direito democrático, com agravante de estar recorrentemente a solicitar ao Presidente da República para demitir um governo, constituído por uma maioria folgada de 2 terços.
Por último, o partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, encoraja o Chefe de governo, Geraldo Martins no sentido de disponibilizar todos membros do governo envolvidos no processo a colaborarem com as instâncias judiciais no apuramento dos factos.
Por: Aguinaldo Ampa
Conosaba/odemocratagb
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