Ilídio Vieira Té presidiu à cerimónia da XXIII graduação de médicos da Faculdade de Medicina Cubano-Guineense “Raúl Díaz Argüelles García”, destacando o papel determinante da solidariedade cubana na formação de quadros nacionais e apelando aos novos médicos para que coloquem os seus conhecimentos ao serviço das populações, sobretudo nas regiões mais carenciadas do país.
Bissau, 5 de novembro de 2026 — O Primeiro-Ministro do Governo de Transição da República da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, presidiu à cerimónia da XXIII graduação de médicos guineenses formados pela Faculdade de Medicina Cubano-Guineense “Raúl Díaz Argüelles García”, numa ocasião marcada pelo reconhecimento da histórica cooperação entre a Guiné-Bissau e a República de Cuba no domínio da saúde e da formação de recursos humanos.
Na presença do Embaixador de Cuba, de responsáveis da Brigada Médica Cubana, do corpo docente da Faculdade, de representantes do Ministério da Saúde, dos novos médicos e respetivos familiares, o Chefe do Executivo destacou a importância estratégica da formação médica para o desenvolvimento nacional e para a consolidação de um sistema de saúde mais próximo das populações.
Na sua intervenção, Ilídio Vieira Té considerou que a cerimónia ultrapassa o significado de uma simples celebração académica, constituindo uma demonstração concreta dos resultados de uma cooperação internacional fundada na solidariedade, na amizade entre os povos e na valorização do capital humano.
«Este momento não é apenas uma celebração académica. É a prova viva de que a amizade entre a Guiné-Bissau e Cuba produz frutos concretos, duradouros e que salvam vidas», afirmou.
CINCO DÉCADAS DE COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE CUBANA
O Primeiro-Ministro recordou que a cooperação médica entre a Guiné-Bissau e Cuba remonta a 1976, com a chegada dos primeiros médicos cubanos ao território nacional, tendo conhecido um importante desenvolvimento com a criação, em 1986, da Faculdade de Medicina Cubano-Guineense.
Segundo destacou, esta parceria permitiu ao país formar sucessivas gerações de profissionais de saúde, contribuindo decisivamente para a construção de competências nacionais e para a progressiva afirmação da soberania sanitária guineense.
Ilídio Vieira Té sublinhou que, de acordo com os dados apresentados no seu discurso, mais de 90% dos médicos que servem o sistema nacional de saúde receberam formação naquela instituição, sob orientação de professores cubanos.
Para o Chefe do Governo, este resultado demonstra que a cooperação entre os dois países não se limitou à prestação de assistência médica, tendo apostado igualmente na transmissão de conhecimentos e na formação de quadros nacionais.
«Cuba não nos deu apenas peixes; ensinou-nos a pescar», declarou, numa referência ao contributo estruturante da cooperação cubana para a autonomia e a sustentabilidade do sistema de saúde guineense.
O Primeiro-Ministro evocou igualmente a visão estratégica de Fidel Castro e a generosidade do povo cubano, considerando que os benefícios dessa cooperação se fazem sentir diariamente nas diferentes regiões do país.
GOVERNO RECONHECE DESAFIOS E ASSUME COMPROMISSO COM A DIGNIFICAÇÃO DA PROFISSÃO MÉDICA
Numa mensagem de particular significado político e social, Ilídio Vieira Té reconheceu que o sistema nacional de saúde continua confrontado com dificuldades estruturais, designadamente a insuficiência de meios materiais, as limitações das infraestruturas sanitárias e as condições de exercício profissional dos trabalhadores do setor.
O Chefe do Executivo assegurou que o Governo está empenhado em criar melhores condições para que os profissionais de saúde possam exercer as suas funções com dignidade, responsabilidade e eficácia.
«Reconhecemos que as condições de trabalho ainda não são as ideais, mas o capital humano que hoje entregamos ao país é o recurso mais valioso para transformar essa realidade», afirmou.
Esta posição traduz o reconhecimento de que a melhoria do sistema de saúde não depende exclusivamente da formação de novos médicos, exigindo igualmente investimentos sustentados em equipamentos, medicamentos, infraestruturas, organização dos serviços e valorização dos recursos humanos.
A formação de quadros nacionais constitui, assim, uma componente essencial da resposta aos desafios sanitários e sociais que o país enfrenta.
PRIMEIRO-MINISTRO APELA AOS NOVOS MÉDICOS PARA SERVIREM AS POPULAÇÕES DO INTERIOR
Dirigindo-se diretamente aos novos graduados, Ilídio Vieira Té lançou um apelo à responsabilidade profissional, ao sentido de missão e ao compromisso com as comunidades mais vulneráveis.
O Primeiro-Ministro recordou que a Guiné-Bissau continua a enfrentar problemas sanitários graves, nomeadamente a malária, as doenças diarreicas, a mortalidade materno-infantil e as insuficiências na cobertura dos cuidados primários de saúde.
Neste contexto, defendeu a necessidade de uma medicina de proximidade, capaz de responder às necessidades concretas das populações, particularmente nas regiões e localidades mais afastadas dos principais centros urbanos.
«O diploma que hoje recebem não é uma licença para o conforto. É um mandato para o serviço», afirmou.
O Chefe do Governo valorizou o modelo de medicina comunitária transmitido pela Faculdade, assente na prevenção, no acompanhamento das famílias e na atenção integral ao doente.
Sublinhou que o país precisa de médicos disponíveis para trabalhar nas tabancas, nos centros de saúde regionais e nas comunidades onde o acesso aos serviços médicos continua a constituir um dos principais desafios do desenvolvimento humano.
A este propósito, apelou aos novos profissionais para que façam da competência, da ética, da honestidade e da presença junto das populações os princípios orientadores da sua atividade.
GRATIDÃO À REPÚBLICA DE CUBA E À BRIGADA MÉDICA CUBANA
Outro momento de particular destaque da intervenção foi a homenagem prestada pelo Primeiro-Ministro à República de Cuba, à Brigada Médica Cubana e aos professores que, ao longo de décadas, contribuíram para a formação de médicos guineenses.
Ilídio Vieira Té reconheceu o esforço dos profissionais cubanos que deixaram as suas famílias e o seu país para transmitir conhecimentos e prestar assistência médica à população da Guiné-Bissau.
O Chefe do Executivo salientou que a solidariedade cubana se manteve mesmo perante as dificuldades económicas enfrentadas por aquele país, constituindo um exemplo de cooperação internacional baseada em princípios humanitários.
Agradeceu igualmente aos professores cubanos pela transmissão não apenas de conhecimentos científicos, mas também de valores éticos, humanistas e de dedicação ao serviço público.
Para o Primeiro-Ministro, a cooperação sanitária entre a Guiné-Bissau e Cuba representa um património histórico e humano que importa preservar, valorizar e aprofundar em benefício das futuras gerações.
FORMAÇÃO MÉDICA COMO INVESTIMENTO ESTRATÉGICO NO FUTURO DO PAÍS
A cerimónia constituiu também uma oportunidade para reafirmar a importância da formação de recursos humanos qualificados como condição indispensável para o desenvolvimento económico e social da Guiné-Bissau.
Ao colocar a valorização do capital humano no centro da sua intervenção, Ilídio Vieira Té transmitiu a mensagem de que o progresso nacional exige instituições mais capacitadas, profissionais competentes e serviços públicos capazes de responder às necessidades dos cidadãos.
A graduação de novos médicos representa, neste sentido, um reforço das capacidades nacionais e uma oportunidade para melhorar progressivamente a cobertura sanitária, reduzir as desigualdades territoriais e fortalecer a confiança das populações no sistema público de saúde.
A concretização destes objetivos exigirá, contudo, políticas de colocação e retenção de profissionais, melhoria das condições de trabalho e reforço da capacidade operacional das estruturas sanitárias em todo o território nacional.
UMA MENSAGEM DE RESPONSABILIDADE, HUMANISMO E SERVIÇO À NAÇÃO
Na parte final da sua intervenção, o Primeiro-Ministro dirigiu uma mensagem de confiança aos novos médicos, lembrando-lhes que a conclusão da formação académica representa o início de uma missão de elevada responsabilidade perante o Estado e a sociedade.
«O Estado guineense espera por vocês. As vossas comunidades esperam por vocês. Não vos peço que sejais heróis, peço-vos que sejais competentes, presentes e honestos», declarou.
Ilídio Vieira Té apelou ainda ao respeito pelos princípios deontológicos da profissão médica, defendendo que o compromisso assumido pelos novos profissionais deve orientar toda a sua vida ao serviço da saúde e da dignidade humana.
Ao declarar concluída a formação da XXIII turma de médicos guineenses, o Chefe do Governo manifestou o desejo de que o bem-estar das populações constitua a maior recompensa dos novos profissionais.
A cerimónia encerrou com uma reafirmação da amizade entre a Guiné-Bissau e Cuba, simbolizando a continuidade de uma cooperação histórica que tem desempenhado um papel fundamental na formação de profissionais e na prestação de cuidados de saúde ao povo guineense.
« *Que a saúde do nosso povo seja a vossa maior recompensa.*
Mustafa Cassamá

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