Durante anos, grande parte do algodão produzido em África saiu do continente como matéria-prima — enquanto produtos acabados voltavam muito mais caros.
Agora, em Burkina Faso, o governo quer mudar essa lógica.
Nesta quarta-feira, Ibrahim Traoré inaugurou em Bobo-Dioulasso o complexo industrial TEXFORCES-BF, uma fábrica dedicada à produção de tecidos e uniformes para as forças de defesa e segurança, além de roupas destinadas ao mercado civil.
O projeto começou em abril de 2024 e foi concluído em cerca de dois anos.
E a escala chama atenção.
O complexo foi projetado para alcançar uma produção de até 20 milhões de metros de tecido por ano e milhões de peças de vestuário.
Mais do que fabricar uniformes, a proposta é processar o algodão dentro do próprio Burkina Faso, criando uma cadeia industrial nacional em vez de depender apenas da exportação da matéria-prima.
O governo afirma que o projeto poderá chegar a 20 mil empregos diretos quando estiver plenamente desenvolvido.
E aqui está a parte que merece atenção:
soberania não é apenas ter recursos naturais.
É ter capacidade de transformar esses recursos em produtos, empregos, conhecimento e indústria dentro do próprio país.
Porque vender algodão é uma coisa.
Vender o tecido produzido a partir dele é outra.
E controlar toda a cadeia produtiva pode significar muito mais.
África não precisa apenas exportar aquilo que possui.
Precisa aprender a transformar aquilo que possui. 

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