domingo, 1 de março de 2026

Na Guiné-Bissau, a oposição politica admite, pela primeira vez, conversar com os militares autores do golpe de Estado de novembro passado. A posição foi defendida num documento assinado pelas platafomas PAI Terra Ranka e API Cabas Garandi.


Guiné-Bissau: oposição política admite falar com militares no poder

As duas plataformas publicaram um Manifesto Político Nacional, onde descreveram o que consideram de derivas em curso no país e que precisam ser estancadas antes que seja tarde. Por exemplo, dizem que as Forças de Defesa e Segurança estariam a ser manipuladas para o combate político.

Defendem ainda que as pretensas revisões das leis fundamentais do país visam apenas criar confusão no edifício democrático.

Para parar com tudo isso, a PAI Terra Ranka e a API Cabas Garandi dirigiram-se especificamente ao general Horta Inta-a, presidente da transição e líder do Alto Comando Militar que protagonizou o golpe de Estado de 26 de Novembro passado.

Pedem ao general Inta-a que aceite abrir um canal de diálogo nacional entre os guineenses, um diálogo que teria como protagonistas o Alto Comando Militar e as candidaturas de Umaro Sissoco Embaló e de Fernando Dias, dois dos principais candidatos às eleições presidenciais de novembro, interrompidas com o golpe militar.

As duas plataformas acreditam que um diálogo tripartido, assistido pela sociedade civil e com a mediação da comunidade internacional, poderia abrir portas ao entendimento entre os guineenses e tirar o país da crise política em que se encontra mergulhado.

Mas, antes, a PAI Terra Ranka e a API Cabas Garandi pedem aos militares que restituam os direitos civis dos políticos actualmente em prisão domiciliária e ainda que permitam a retoma da actividade política normal aos partidos.

Por: Mussá Baldé
rfi.fr/pt/áfrica

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