Um soldado talibã destacado para a defesa antiaérea após um bombardeamento paquistanês na província afegã de Nangarhar, a 28 de Fevereiro de 2026. © Stringer / REUTERS
Após meses de incidentes isolados, o Paquistão e o Afeganistão estão em conflito há uma semana, depois de o Afeganistão ter lançado na passada quinta-feira uma ofensiva fronteiriça em resposta aos ataques aéreos do Paquistão que, entretanto, declarou a "guerra aberta" às autoridades talibãs.
Islamabade bombardeou nomeadamente a capital afegã, Cabul, a antiga base americana de Bagram e Kandahar, cidade do sul onde reside, recluso, o chefe supremo dos talibãs afegãos, Hibatullah Akhundzada.
Desde então, de acordo com dados fornecidos na passada terça-feira pela delegação da ONU no Afeganistão, pelo menos 42 civis foram mortos e 104 ficaram feridos, incluindo crianças.
Nesta quinta-feira, as Nações Unidas referiram ainda que os confrontos fronteiriços entre o Afeganistão e o Paquistão causaram cerca de 115 mil deslocados do lado afegão e 3 mil do lado paquistanês.
Segundo Islamabade, mais de 430 soldados afegãos foram mortos no espaço de uma semana. Já de acordo com Cabul, mais de 25 soldados afegãos foram mortos nestes últimos dias, as autoridades afegãs estimando ainda em cerca de 150 o número de militares mortos do lado paquistanês. Dados por enquanto impossíveis de verificar de forma independente.
Pelo menos um dos centros da agência das Nações Unidas na província de Nangarhar, no leste do Afeganistão, "sofreu danos colaterais significativos", disse a Organização Internacional das Migrações.
Além de provocar a interrupção da ajuda humanitária aos afegãos que regressavam do Paquistão, os combates também levaram à suspensão da ajuda alimentar de emergência no país, afectando cerca de 160 mil pessoas num país que já enfrenta uma crise alimentar, sublinhou hoje o Programa Alimentar Mundial.
Recorde-se que no centro das tensões está a questão dos talibãs paquistaneses que após serem expulsos do Paquistão, apoiaram os talibãs afegãos nestas últimas décadas. De regresso agora ao seu país de origem, depois de serem afastados por Cabul, eles são acusados de desestabilizar o Paquistão, com Islamabade a pontar um dedo acusador ao seu vizinho.
Outro ponto de crispação motiva igualmente o conflito actualmente vigente. A Linha de Durand, o nome da fronteira de 2600 quilómetros estabelecida no século XIX pelo Império Britânico e que separa os dois países, nunca foi reconhecida pelo Afeganistão desde a independência do seu vizinho e tem estado na raiz de constantes incidentes entre os dois países.
05/03/2026
Por: RFI com AFP

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