O anuncio foi feito pelo Governo de transição no poder no país
A Guiné-Bissau suspendeu “todas as suas atividades” na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) “com efeito imediato”, anunciou hoje o Governo de transição no poder no país.
A decisão foi comunicada numa carta endereçada ao secretariado da CPLP, consultada pela Lusa nas redes sociais, onde o Ministério dos Negócios Estrangeiros guineense justifica a medida com a alegada exclusão do país de reuniões e processos de tomada de decisões nas estruturas da CPLP.
O governo de transição, criado pelos militares que protagonizaram o golpe de Estado na Guiné-Bissau no dia 26 de novembro último, considera que a postura da organização que junta os países lusófonos “fere o princípio da igualdade soberana entre os Estados-membros, consagrado nos estatutos”.
“As decisões da CPLP não têm sido acompanhadas de fundamentação clara, transparência processual e mecanismos de acompanhamento de modo a garantir a legitimidade e eficácia das ações adotadas pondo em causa a sua transparência e credibilidade”, refere na carta.
“O desrespeito pela Presidência da CPLP exercida pela Guiné-Bissau constitui uma afronta grave à legitimidade institucional do Estado da Guiné-Bissau, pela Comunidade, e compromete a credibilidade da Organização perante os seus Estados membros e a Comunidade Internacional”, criticou, acrescentando na nota que “face a estas circunstâncias e até que sejam plenamente restabelecidos o cumprimento rigoroso dos Estatutos e o respeito pela Presidência da CPLP, a Guiné-Bissau manterá suspensa a sua participação em todas as atividades da Comunidade”.
“Esta decisão firme e categórica reflete a determinação da Guiné-Bissau em defender a sua soberania e exigir o respeito integral pelos princípios que regem a CPLP”, concluiu a nota.


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