terça-feira, 21 de julho de 2026

Irão ataca instalações norte-americanas no Bahrein e no Kuwait

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou esta terça-feira ter atingido instalações militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait A sucessão de incidentes ocorre pouco depois de os militares norte-americanos terem anunciado que concluíram a décima noite consecutiva de ataques contra o Irão. © AFP

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou esta terça-feira, 21 de Julho, ter atingido instalações militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait. A sucessão de incidentes ocorre pouco depois de os militares norte-americanos terem anunciado que concluíram a décima noite consecutiva de ataques contra o Irão, visando instalações numa tentativa de neutralizar a capacidade de Teerão de atacar navios que atravessam o Estreito de Ormuz.

A Guarda Revolucionária iraniana anunciou hoje ter lançado ataques contra instalações militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait, de acordo com os meios de comunicação estatais iranianos. Segundo o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), foram atingidos dois sistemas de defesa aérea e um radar em bases dos Estados Unidos no Bahrein, bem como radares antimíssil e sistemas de recepção de satélite em território kuwaitiano.

Num comunicado, a força militar iraniana afirmou que estes ataques representam uma resposta à vigilância inimiga, advertindo que "o inimigo deve preparar-se para vagas ainda mais decisivas e poderosas de ataques com drones e mísseis".

Também a Jordânia anunciou a intercepção de cinco drones iranianos, os guardas da Revolução confirmaram a operação, mas sustentam que o alvo era um complexo onde estariam estacionadas forças militares norte-americanas, junto à fronteira com a Síria.

O IRGC revelou também ter interceptado "dois petroleiros não cumpridores" que tentavam atravessar a "rota sul insegura do Estreito de Ormuz". O anúncio surge depois de explosões terem provocado incêndios a bordo de embarcações na região.

Também esta terça-feira, a agência United Kingdom Maritime Trade Operations informou ter recebido relatos de um petroleiro atingido por um projéctil de origem desconhecida ao largo de Omã. Segundo a organização, a tripulação foi obrigada a abandonar o navio e encontra-se em segurança numa embarcação salva-vidas.

Esta sucessão de incidentes acontece após os Estados Unidos anunciarem a conclusão da décima noite consecutiva de ataques contra alvos no Irão. De acordo com o Comando Central norte-americano, as operações visaram centros de comando militar, capacidades navais, plataformas de lançamento de mísseis e drones, bem como sistemas de defesa aérea, com o objectivo de reduzir a capacidade de Teerão para atacar navios comerciais que atravessam o Estreito de Ormuz.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o Comando Central norte-americano garantiu que as forças norte-americanas permanecem posicionadas e prontas para responder a qualquer nova agressão iraniana contra embarcações civis que naveguem pelo estreito.

Nas últimas semanas, os combates intensificaram-se entre as duas partes pelo controlo do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o transporte mundial de petróleo e gás natural. Como resultado, o tráfego através do estreito praticamente parou, o que tem impulsionado a subida dos preços do petróleo nas últimas semanas.

O Brent, referência internacional, subiu 3,2%, para 90,95 dólares por barril, enquanto o crude de referência nos EUA avançou 2,8%, para 84,04 dólares por barril.

Apesar da escalada, os esforços diplomáticos prosseguem. O ministro iraniano do Interior está no Paquistão, pais fundamental nas mediações, e o Presidente libanês, Joseph Aoun, encontra-se em Washington, onde deverá reunir-se com Donald Trump. A visita decorre num momento decisivo para a aplicação do acordo destinado a assegurar a retirada das forças israelitas do sul do Líbano e o desarmamento do Hezbollah, movimento apoiado pelo Irão.

Ao mesmo tempo, o exército libanês iniciou o destacamento de tropas na aldeia de Zawtar al-Gharbiya, na região de Nabatiyé, ao abrigo do acordo sobre as chamadas "zonas-piloto", negociado entre Israel e o Líbano com mediação norte-americana. Apesar deste avanço, várias localidades continuam cercadas e isoladas há meses, permanecendo inacessíveis à ajuda humanitária.

Por: RFI

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