sexta-feira, 24 de julho de 2026

Gana pede debate na União Africana sobre violência xenófoba na África do Sul


O Presidente do Gana, John Mahama, apelou à União Africana para debater sobre a "escalada" da violência anti-imigração na África do Sul, acusando as autoridades sul-africanas de inacção. Imagem de arquivo, 79.ª Assembleia da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, a 18 de maio de 2026. Fabrice COFFRINI / AFP AFP - FABRICE COFFRINI

Acra – O Presidente ganês John Mahama pede um debate à União Africana sobre a "escalada" da violência xenófoba na África do Sul, acusando as autoridades sul-africanas de inacção.

O Presidente do Gana, John Mahama, apelou nesta quinta-feira, 23 de Julho, à União Africana para que debatesse a "escalada" da violência anti-imigração na África do Sul, acusando as autoridades de Pretória de não estarem a "reagir, como seria desejável, perante a gravidade dos factos".

As declarações do Presidente vieram um dia após dois cidadãos ganeses apresentarem petições ao Tribunal Penal Internacional – tribunal que investiga e julga cidadãos acusados de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade – para investigar os "ataques xenófobos repetidos" na África do Sul, uma medida que o governo sul-africano classificou como "oportunista".

Em causa está a vaga de protestos, desde Maio, contra imigrantes irregulares que obrigou mais de 160 000 estrangeiros a deixar a África do Sul, com várias mortes a terem sido registadas. O Presidente Mahama espera que este tema esteja na agenda da próxima cimeira da União Africana, prevista para o próximo ano, avisando que a xenofobia na África do Sul corre o risco de destruir a solidariedade e integração pelas quais esta organização tem trabalhado.

A maior economia do continente africano, que atrai muitos trabalhadores estrangeiros dos países africanos, tem conhecido um movimento xenófobo que tem veiculado a imagem de que os estrangeiros cometem crimes, ficam com o trabalho dos nacionais e usam recursos e serviços públicos.

O Gana e a Nigéria têm sido os países na liderança na condenação da violência anti-imigração: já na semana passada, na cimeira da CEDEAO, os chefes de Estado apoiaram a iniciativa ganesa de levar o alegado "falhanço" sul-africano em proteger os cidadãos estrangeiros contra "homicídios ilegais" e "discurso de ódio".

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