quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Moeda eletrónica impulsiona inclusão financeira na Guiné-Bissau, diz BCEAO


A taxa de acesso aos serviços financeiros na Guiné-Bissau aumentou de 20,5% em 2018 para 79,5% no final de 2025, um crescimento impulsionado sobretudo pela expansão da moeda eletrónica. Os dados foram divulgados esta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, pela diretora nacional do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), Zenaida Maria Lopes Cassamá, durante o lançamento do Programa Nacional de Educação Financeira (PNEF) 2026-2030.

Ao intervir na cerimónia, Zenaida Maria Lopes Cassamá destacou que os progressos alcançados refletem os esforços desenvolvidos para aproximar os cidadãos dos serviços financeiros formais, através de soluções digitais mais acessíveis.

“De acordo com os dados disponíveis, a taxa global de acesso passou de 20,5% em 2018 para 79,5% no final de 2025, evolução que se deve, em grande medida, ao desenvolvimento da moeda eletrónica”, afirmou.

Apesar dos avanços registados, a responsável sublinhou que a inclusão financeira só produzirá resultados duradouros se vier acompanhada de uma maior literacia financeira da população. Segundo explicou, o conhecimento sobre produtos e serviços financeiros é essencial para que os cidadãos possam tomar decisões informadas sobre poupança, crédito, investimento e gestão dos seus recursos.

Nesse sentido, defendeu que a educação financeira deve alcançar os segmentos mais vulneráveis e menos abrangidos pelos serviços financeiros tradicionais.

“Devemos prestar especial atenção aos jovens, às mulheres, às populações rurais, aos pequenos produtores, aos comerciantes, bem como às micro, pequenas e médias empresas. A educação financeira deve chegar a estas populações e proporcionar-lhes soluções concretas”, sustentou.

A diretora nacional do BCEAO salientou ainda que o recurso às tecnologias móveis representa uma oportunidade para acelerar a inclusão financeira no país, sobretudo em zonas onde os serviços bancários continuam limitados.

Segundo observou, numa realidade em que uma parte significativa da população reside longe das agências bancárias, a utilização do telemóvel para realizar operações financeiras pode reduzir as barreiras geográficas e facilitar o acesso aos serviços.

“Num país como a Guiné-Bissau, onde uma parte importante da população vive longe das agências bancárias, a possibilidade de utilizar o telemóvel para aceder aos serviços financeiros pode transformar profundamente a realidade”, afirmou.

O lançamento do Programa Nacional de Educação Financeira 2026-2030 surge precisamente neste contexto de expansão do acesso aos serviços financeiros. O instrumento foi concebido para responder ao baixo nível de literacia financeira da população e promover uma maior compreensão sobre a utilização dos produtos financeiros disponíveis.

PM transmite determinação do Governo em melhorar a gestão das finanças públicas do país

Durante a cerimónia, o primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, considerou que o programa faz parte de uma estratégia mais ampla de modernização da economia nacional. Segundo disse, o Governo está empenhado em melhorar a gestão das finanças públicas, reforçar a mobilização das receitas internas, modernizar a administração pública e criar um ambiente mais favorável ao investimento privado.

O chefe do Executivo assegurou igualmente que a educação financeira será alargada a todo o território nacional, abrangendo escolas, mercados, associações juvenis e femininas, organizações de produtores, empreendedores e pequenas e médias empresas.

Por sua vez, o ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica, Barros Bacar Banjai, defendeu a introdução progressiva da educação financeira em todos os níveis de ensino, desde a escolaridade básica até ao ensino superior e à formação técnico-profissional.

Segundo o governante, as crianças deverão adquirir, desde cedo, conhecimentos relacionados com a poupança, o consumo responsável e a tomada consciente de decisões, enquanto os alunos do ensino secundário deverão aprofundar temas ligados à gestão financeira familiar, crédito, juros, meios de pagamento digitais, empreendedorismo e direitos dos consumidores.

O responsável considerou ainda que a educação financeira e a formação profissional devem caminhar lado a lado, contribuindo para uma melhor preparação dos jovens para os desafios económicos e profissionais.

No encerramento da sua intervenção, Zenaida Maria Lopes Cassamá reafirmou o compromisso do BCEAO em continuar a prestar apoio técnico às autoridades nacionais, com vista à implementação de iniciativas que reforcem a educação financeira e consolidem os avanços registados no acesso aos serviços financeiros na Guiné-Bissau.

Por: Natcha Mário M’Bundé
odemocratagb.

Ziguinchor acolhe doentes da Guiné-Bissau, mas sem convenção assinada para reduzir custos

O Hospital Regional de Ziguinchor, no sul do Senegal, continua a receber um número significativo de pacientes provenientes da Guiné-Bissau em diversas especialidades médicas. No entanto, a ausência de uma convenção entre os dois países para a cobertura dos cuidados de saúde faz com que os cidadãos guineenses paguem valores superiores aos cobrados aos senegaleses.

A revelação foi feita por Maïmouna Niass, diretora administrativa e financeira e diretora interina do Hospital Regional de Ziguinchor, durante uma entrevista concedida aos enviados especiais do jornal O Democrata ao Senegal.

Segundo a responsável, os cidadãos guineenses recorrem regularmente aos diferentes serviços da instituição, especialmente nas áreas de pediatria, neurocirurgia, ortopedia, maternidade e neurologia.

“Em todos os serviços há pacientes guineenses. Eles são numerosos”, afirmou, acrescentando que não dispõe de dados mensais consolidados devido à distribuição dos pacientes pelas várias especialidades.

Apesar da forte procura por parte dos cidadãos da Guiné-Bissau, Niass sublinhou que o hospital não faz distinção entre nacionais e estrangeiros no acesso ao atendimento médico.

“A vocação do hospital é tratar os pacientes. Não fazemos distinção entre um senegalês e um guineense. Como estabelece a CEDEAO, existe livre circulação. A missão dos médicos e do hospital é prestar cuidados, aliviar o sofrimento dos pacientes e oferecer serviços de qualidade acessíveis a todos”, declarou.

Os pacientes guineenses têm acesso ao mesmo leque de serviços disponíveis para os cidadãos senegaleses, incluindo consultas especializadas, medicamentos, exames de imagiologia e análises laboratoriais.

Entre as especialidades oferecidas pelo Hospital Regional de Ziguinchor destacam-se urgência, reanimação, imagiologia, cardiologia, ortopedia-traumatologia, neurocirurgia, neurologia, pediatria, oftalmologia, dermatologia e laboratório.

Diferença de preços devido à falta de convenção

Embora o acesso aos cuidados seja assegurado sem discriminação, a responsável explicou que existe uma diferença nos custos suportados pelos pacientes.

Segundo Niass, não existe atualmente qualquer convenção específica entre a Guiné-Bissau e o Senegal, nem entre o Hospital Regional de Ziguinchor e outro país, que permita garantir mecanismos de cobertura financeira para cidadãos estrangeiros.

“Existe uma diferença no que diz respeito à cobertura financeira dos cuidados médicos. O valor pago pelos senegaleses é diferente daquele pago pelos guineenses”, explicou.

De acordo com a diretora interina, a diferença ronda os cinco mil francos CFA e está relacionada com os desafios financeiros enfrentados pela instituição.

“A situação financeira do hospital obriga-nos a adotar determinadas medidas para assegurar o funcionamento dos serviços”, justificou.

Hospital enfrenta dificuldades financeiras

Questionada por O Democrata sobre a existência de apoios sociais ou mecanismos de gratuitidade destinados aos cidadãos guineenses, Niass admitiu que o hospital atravessa dificuldades que limitam a concessão desse tipo de benefício, inclusive aos próprios senegaleses.

“É um pouco complicado falar de subvenções. Atualmente, o hospital enfrenta dificuldades financeiras. É difícil, inclusive para os próprios senegaleses, conceder esse tipo de apoio”, afirmou.

A responsável acrescentou que alguns programas de gratuitidade foram suspensos devido a problemas relacionados com reembolsos e recuperação financeira, tornando ainda mais difícil a criação de benefícios específicos para pacientes estrangeiros.

Apesar das limitações, garantiu que o Hospital Regional de Ziguinchor continuará aberto aos cidadãos da Guiné-Bissau e dos restantes países da sub-região.

“Estamos sempre disponíveis para receber os pacientes e prestar-lhes assistência”, assegurou.

Construído em 1970, o Hospital Regional de Ziguinchor é uma das principais unidades de referência do sul do Senegal, servindo não apenas a população local, mas também pacientes oriundos de países vizinhos, incluindo a Guiné-Bissau.

Por Tiago Seidi e Alison Cabral
odemocratagb

domingo, 6 de setembro de 2026

sexta-feira, 4 de setembro de 2026 Política /Enviado Especial da União Africana defende processo eleitoral inclusivo na Guiné-Bissau

Bissau, 04 Set 26 (ANG) – O Enviado Especial da União Africana, Patrice Trovoada, defendeu que os próximos passos do processo político na Guiné-Bissau devem decorrer de forma inclusiva e em conformidade com as recomendações da União Africana (UA) e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEOA), com vista a realização de eleições livres, transparentes e justas em Dezembro deste ano.

Em declarações à Imprensa após um encontro com o Presidente da República de Transição e o Primeiro-ministro, Trovoada afirmou ter sido informado sobre o desenrolar do Referendo, considerando-o um passo importante para o país.

Segundo Patrice Trovoada, o objectivo agora é garantir que o processo continue a evoluir de forma a assegurar a estabilidade desejada por todos os guineenses.

Questionado sobre a posição da União Africana relativamente a ausência de partidos no Referendo, o enviado especial da União Africana revelou que o tema foi abordado durante a reunião.

“De acordo com as garantias que recebi, nas próximas semanas deverá ser aberto um espaço de diálogo para permitir o regresso pleno das atividades político-partidárias e a regularização das formações politicas”, disse Trovoada.

O diplomata frisou que todos esses processos dificilmente reúnem o consenso de todos, salientando que são processos dinâmicos e evolutivos.

“Queremos que reúne o máximo de consenso possível para culminar com a realização de eleições justas, livres transparentes e inclusivas” afirmou.

O enviado Especial da União Africana disse ter recebido garantias de que os compromissos assumidos serão respeitados e que o país avançará para as eleições presidenciais procurando sempre assegurar a maior inclusão possível no processo democrático.

O Comando Militar mantem suspensas todas as actividades político-partidárias até a nova ordem. 

ANG/LPG/ÂC//SG

DE SAÚDE PÚBLICA À MANUTENÇÃO DE CAPACIDADES PRODUTIVAS E CULTURAIS: Realidades distintas, mas conectadas pela perspetiva institucional das Forças Armadas da Guiné Bissau.


Doenças cardiovasculares: um alerta sobre o risco do agravamento de casos na camada juvenil.

O especialista cardiologista do Hospital Militar Principal, Major Umberto Viera, fez um alerta sobre o aumento preocupante das doenças cardiovasculares entre jovens na Guiné Bissau. O especialista destaca que estas patologias já não são exclusivas aos idosos: estão a afetar cada vez mais pessoas com 18–21 anos. Isso representa uma mudança significativa no perfil epidemiológico do país e um novo desafio para o sistema de saúde.
Especialista, Oficial Superior das Forças Armadas (FA) explica os principais fatores de risco: colesterol elevado, consumo excessivo de álcool, tabagismo, uso de drogas e sedentarismo. Também discute as diferenças de risco conforme o sexo e a idade: nos homens, o risco cardiovascular torna se mais evidente a partir dos 60 –70 anos; nas mulheres, a partir dos 55 anos. Ainda assim, a tendência atual mostra uma antecipação dessas condições.
Um ponto relevante é a abordagem sobre a tensão arterial: o cardiologista militar diferencia os três tipos (baixa, normal e alta) e chama a atenção para a dificuldade de tratar a tensão baixa, ao contrário da hipertensão, que tem tratamento mais acessível. Outro alerta forte é sobre o infarto do miocárdio e as mortes súbitas: segundo o especialista, entre 50 % e 70 % dessas mortes têm origem cardiovascular.
A recomendação central é a prevenção: consultas médicas regulares, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo. O recado é direcionado à população em geral: não deve ignorar sintomas, mesmo que pareçam leves. O texto tem um caráter educativo e de sensibilização, com foco na redução da mortalidade por doenças cardíacas.
Alfaiataria Militar: capacidade local da produção de fardamantos e acessórios militares.
A reportagem da Imprensa Militar ao atelier de costura instalado no Estado Maior Geral das FA, com o objetivo de conhecer o trabalho da equipa e ouvir as suas preocupações, permitiu constatar que a Alta-costura é essencial para a produção de fardamentos e acessórios militares, marcada por uma história acumulada desde o período pós-independência de 1974.
Conforme as declarações dos responsáveis, o objetivo estratégico da unidade é tornar se um centro de excelência autossustentável, capaz de atender as necessidades das FA sem depender excessivamente de aquisições externas. Além disso, a produção local também é vista como uma forma de fortalecer a identidade nacional, através de uniformes produzidos localmente, com qualidade e dignidade.
Tradição, versatilidade e adversidades do Batalhão da Banda Música.
O Comandante, do Batalhão da Banda Música militar, Tenente Coronel Silva Sanha, destacou que o Batalhão tem raízes ergues da época colonial e evoluiu após 1975, quando um novo grupo de músicos recebeu formação para integrar ao corpo dedicado à Amílcar Lopes Cabral. Define a Banda como “herdeira” da orquestra militar colonial, não como fundadora, o que reforça o peso da tradição.
A função da Banda é múltipla: participa em cerimónias nacionais e militares (desfiles, recrutamentos, guardas de honra), mas também presta serviço à comunidade civil, sempre com autorização do Estado Maior. A versatilidade inclui atuações em eventos cívicos com vestuário civil, aproveitando a presença de vocalistas e outros músicos.
Tenente Coronel, ainda partilhou a sua trajetória pessoal: a paixão pela música militar, a formação com instrutores coreanos em 1981 e a liderança da banda desde 1994. A narrativa combina elementos biográficos com o compromisso institucional.
A mensagem motivacional de Silva Sanha é central: o sucesso exige sacrifício e persistência. A Banda Musical é apresentada como um símbolo de tradição, disciplina e arte, que une a memória histórica do país com a expressão cultural das Forças Armadas.
AS DIFERENTES DIMENSÕES DA REALIDADE DAS FA:
• Saúde: o alerta sobre doenças cardiovasculares em jovens destaca a necessidade de políticas de prevenção e de maior acesso aos cuidados médicos.
• Capacidade produtiva: Alfaiataria Militar mostra o potencial da produção local, e a capacidade de alcançar a autossustentabilidade.
• Cultura e tradição: a Banda Musical militar, ilustra como a instituição castrense também tem uma dimensão cultural e simbólica, que, no entanto, depende de condições logísticas e materiais adequadas para se manter viva.
As Forças Armadas não apenas falam sobre operações militares, mas sobre as medidas sociais, produtivas e culturais, bem como sobre os desafios que o país precisa ultrapassar para garantir a sustentabilidade e a dignidade dessas atividades.

Texto: Iachine Gomes Tchuda
FA/IM 04.06.2026

Comunicado de imprensa: UE atribui ajuda de emergência às comunidades atingidas pela tempestade na região de Gabu

 


Cabo Verde: Crescimento do turismo está a agravar a pressão sobre a habitação na ilha do Sal

Ilha do Sal, Cabo Verde. Imagem de Arquivo. © RFI/NeidyRibeiro

O crescimento do turismo está a agravar a pressão sobre a habitação na ilha mais turística de Cabo Verde, o Sal. Uma situação que preocupa o presidente da câmara municipal local e pede apoio do Governo central.

O presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, disse que actualmente regista na ilha um forte crescimento turístico, com estabelecimentos hoteleiros e alojamentos locais lotados, uma situação positiva para a economia da ilha do Sal, mas tem trazido enormes desafios, apontando que o crescimento do turismo agravou a pressão sobre a habitação.

“Em Santa Maria, praticamente, é difícil um cabo-verdiano encontrar uma casa para habitar. E mesmo na cidade dos Espargos, torna-se cada vez mais difícil arranjar casas e as rendas estão a subir de forma vertiginosa. Então, a Câmara Municipal e o Governo de Cabo Verde, juntamente, temos de trabalhar para incrementar a construção de casas. Temos a proposta da construção de casas a custos controlados para permitir que os cidadãos cabo-verdianos, jovens e menos jovens, possam ter acesso para construir as suas casas com financiamento bancário ou, para as pessoas com menos capacidade financeira, para ter casas sociais”, disse Júlio Lopes.

O Presidente da Câmara do Sal falava à imprensa após encontrar-se com o chefe do Governo, Francisco Carvalho, no quadro das audições que o Primeiro-Ministro está a realizar no âmbito da preparação do Orçamento de Estado para 2027.

O autarca avançou ainda que a dificuldade de se conseguir uma habitação digna, a preços aceitáveis, leva muitos funcionários a trabalharem muito mais tempo para conseguir pagar a renda, deixando crianças e adolescentes abandonados, criando um outro problema.

No quadro da implementação do programa do Governo para os municípios, na próxima terça-feira, 08 de setembro, o Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, vai dar continuidade à auscultação dos dirigentes autárquicos do país. Desta vez, vão ser recebidos os presidentes das câmaras municipais de São Salvador do Mundo e de São Vicente.

Por: Odair Santos
rfi.fr/p