sexta-feira, 4 de setembro de 2026

União Africana espera avanço da Guiné-Bissau rumo a presidenciais "transparentes e inclusivas”

Reunião do mediador da União Africana para a Guiné-Bissau, Patrice Trovoada, com o Presidente de transição da Guiné-Bissau, general Horta Inta-A. © Presidência da Guiné-Bissau

O mediador da União Africana para a Guiné-Bissau, Patrice Trovoada, afirmou, esta sexta-feira, 04 de Setembro, que o Presidente de transição da Guiné-Bissau, general Horta Inta-A, garantiu o cumprimento dos compromissos assumidos no âmbito do processo de transição política no país. A declaração foi feita após um encontro entre Patrice Trovoada e o Presidente guineense de transição, durante uma visita de contacto com as autoridades de transição da Guiné-Bissau.

Segundo o antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, durante a reunião foi analisada a situação política do país e a evolução do processo após o referendo constitucional.

“Posso dizer que o Presidente da transição garantiu-nos que o processo irá evoluir conforme os compromissos”, afirmou Patrice Trovoada, que acrescentou ainda a importância da Constituição aprovada em referendo, defendendo que o novo texto constitucional deve estar, em primeiro lugar, ao serviço do povo guineense e ser respeitado por todos os responsáveis políticos.

Para Trovoada, a Constituição referendada representa “um passo importante” no processo de normalização política da Guiné-Bissau.

O mediador da União Africana defendeu a continuidade do processo em direcção às eleições presidenciais, previstas para 06 de Dezembro, sublinhando a necessidade de garantir que o escrutínio seja conduzido de forma transparente e inclusiva: “Esperemos que continuemos a evoluir em direcção às eleições presidenciais, sempre procurando que esse processo seja o mais transparente e inclusivo possível”.

Por: Mussá Baldé
rfi.fr/pt






Operação da PJ resulta na captura de suspeitos de assaltos à mão armada

A Polícia Judiciária (PJ) deteve, na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, seis indivíduos suspeitos de integrarem um grupo envolvido em assaltos à mão armada na cidade de Bissau. Durante a operação, foram recuperados vários bens alegadamente roubados pelo grupo.

A investigação foi desencadeada após a PJ receber uma denúncia sobre um assalto ocorrido nas instalações da empresa AP-Trading, localizadas na zona industrial de Blola, em Bissau.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Judiciária e consultadas pela redação do Jornal O Democrata nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, seis homens armados e encapuzados invadiram o estabelecimento em plena luz do dia, por volta das 16 horas, ameaçando os funcionários com armas de fogo e exigindo a entrega de dinheiro.

De acordo com a mesma fonte, os suspeitos terão imobilizado as pessoas que se encontravam no local, incluindo um agente da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), que efetuava compras na empresa. Durante a ação criminosa, os assaltantes efetuaram disparos com uma arma de fogo, presumivelmente uma pistola de fabrico artesanal.

Na sequência dos disparos, um funcionário da empresa foi atingido por projéteis de arma de fogo e sofreu ferimentos.

Após o assalto, os suspeitos colocaram-se em fuga, mas foram perseguidos por um militar que se encontrava nas proximidades e utilizou a sua viatura particular para os seguir. A perseguição prolongou-se até ao bairro de Lala Quema.

Segundo a PJ, naquela zona os suspeitos abandonaram uma motorizada da marca TVS, de cor preta e sem matrícula. Junto ao veículo foram encontrados vários objetos alegadamente utilizados na prática do crime, entre os quais um colete laranja semelhante aos usados por mototaxistas, identificado com a inscrição da linha Cuntum-Madina (Ferra Sinho) e o número 37.

Na sequência da denúncia, a Polícia Judiciária mobilizou a unidade especializada no combate a furtos, roubos e assaltos, que realizou diversas diligências para identificar e localizar os presumíveis autores. As investigações culminaram, na quarta-feira, com a detenção dos seis suspeitos e a recuperação de vários bens alegadamente subtraídos.

A Polícia Judiciária informou que prossegue as investigações para o completo esclarecimento dos factos, a recuperação de outros bens e o apuramento de eventuais ligações dos detidos a outros assaltos registados recentemente na capital.

Os detidos deverão ser apresentados às autoridades judiciárias competentes para os procedimentos legais subsequentes.

Por: Redação
odemocratagb.

Presidente do Conselho de Jurisdição abandona o PRS

O presidente do Conselho Nacional de Jurisdição do Partido da Renovação Social (PRS), Ilídio Vieira Tê, renunciou à militância no partido e ao cargo que ocupava na estrutura partidária.

“Na qualidade de militante e presidente do Conselho Nacional de Jurisdição, venho, por meio desta, apresentar a minha renúncia irrevogável e imediata à militância e ao exercício de qualquer responsabilidade partidária vinculada ao PRS”, lê-se na carta dirigida a Félix B. Nandunguê, líder de uma das alas do partido, com entrada registada nos serviços do PRS a 31 de agosto de 2026.

Na missiva consultada por O Democrata, Ilídio Vieira Tê afirma que tomou a decisão “de forma firme, consciente e definitiva”, após “muitos anos de dedicação ao partido”.

“Procurei cumprir, com lealdade, seriedade e sentido de responsabilidade, os compromissos assumidos ao longo da minha trajetória”, escreve.

O agora ex-presidente do Conselho Nacional de Jurisdição destaca ainda que foram “anos de entrega, de participação ativa e de contribuição institucional”, período que diz guardar “com respeito”.

Contudo, considera que chegou o momento de encerrar este ciclo, preservando a coerência com as suas convicções pessoais e a dignidade que sempre procurou manter na vida política.

Por isso, solicita à direção do PRS que sejam adotadas, “com a devida urgência”, as providências necessárias para o registo formal da sua renúncia e para a atualização de todos os vínculos, funções e responsabilidades que exercia no partido.

Além de Ilídio Vieira Tê, também apresentaram renúncia à militância no PRS o presidente da Juventude do partido, Ufé Vieira, e o membro do Conselho Nacional, Abulai Dafé.

A estas saídas junta-se a renúncia do militante e deputado eleito na lista do Partido dos Trabalhadores Guineenses (PTG), liderado por Botche Candé, Ba Seco Cassamá.

As demissões ocorrem numa altura em que vários setores políticos falam da eventual criação de uma nova formação política, denominada “Partido Popular Guineense”, alegadamente liderada pelo atual primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Tê.

Por Tiago Seide
odemocratagb.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

CARLOS PINTO PEREIRA CONSIDERA NOVO BOICOTE ÀS ELEIÇÕES DE DEZEMBRO UM “ERRO ESTRATÉGICO GRAVE”

O membro do Bureau Político do PAIGC, Carlos Pinto Pereira (Caía), espera que o partido não volte a defender o boicote às próximas eleições, previstas para 6 de dezembro, considerando que essa decisão representaria um “erro estratégico grave”.
Carlos Pinto Pereira, uma das vozes críticas à atual liderança do PAIGC e defensor de uma clarificação sobre a liderança do partido, falava hoje numa conferência de imprensa destinada a fazer o balanço do processo de votação do referendo eleitoral, realizado no passado dia 30 de agosto.
O dirigente disse esperar que a experiência registada durante o processo de referendo não volte a repetir-se nas próximas eleições.
Entretanto, continuam em vigor as restrições impostas pelo Governo que proíbem a realização de eventos suscetíveis de provocar grandes aglomerações de pessoas. Questionado pela Rádio Sol Mansi sobre as estratégias que o PAIGC deverá adotar para a realização do próximo congresso, Carlos Pinto Pereira disse esperar que as restrições sejam levantadas nos próximos tempos, de forma a permitir o cumprimento do calendário previsto.
Apesar das limitações, o dirigente acredita que a comissão organizadora do congresso deverá trabalhar para garantir que o evento não seja posto em causa.
Carlos Pinto Pereira, antigo advogado do PAIGC e atual ministro do Ambiente, afirmou ainda que as autoridades continuam abertas ao diálogo com os adversários políticos. No entanto, defendeu que esse diálogo deve ser sustentado por propostas concretas, que possam ser analisadas e discutidas.
Questionado sobre a possibilidade de se candidatar à liderança do PAIGC no próximo congresso, Carlos Pinto Pereira não confirmou nem descartou a candidatura, afirmando que dará uma resposta no momento oportuno.

RSM: 03 09 2026

No próximo 18 de setembro, às 18h30, Lisboa recebe o lançamento de Família em Perigo – Declínio dos Valores e Crise Moral na Sociedade Moderna, da autora Aua Embaló Bari.


Num tempo em que a família atravessa profundas transformações, Aua Embaló Bari propõe uma reflexão necessária sobre o enfraquecimento dos laços familiares, a perda progressiva de referências morais e os desafios colocados à educação, à autoridade parental, às relações entre gerações e à transmissão da memória e dos valores. A análise parte de uma atenção particular às sociedades africanas e à realidade guineense, confrontadas com as mudanças trazidas pela globalização, pelo individualismo, pelas redes sociais e por novos modelos culturais.

Sem procurar um regresso idealizado ao passado, o livro interroga os caminhos possíveis para conciliar liberdade, igualdade e emancipação com responsabilidade, solidariedade e pertença comunitária, colocando a família no centro de uma reflexão mais ampla sobre o futuro das nossas sociedades.

Será uma oportunidade para conhecer a obra, ouvir a autora e participar numa conversa que nos diz respeito a todos: que família estamos a construir e que valores queremos transmitir às próximas gerações?
📅 18 de setembro
🕡 18h30
📍 Associação Caboverdeana
Rua Duque de Palmela, 2, 8.º andar
1250-098 Lisboa | Marquês de Pombal
Apresentação:
Ussumane Fati | Amadú Dafé | Tcherno Balde
Um livro para ler, discutir e pensar. Porque falar da família é, também, falar da sociedade que somos e daquela que queremos deixar depois de nós.

Referendo nacional: CNT pede respeito pelos resultados e unidade nacional


O Conselho Nacional de Transição (CNT) apelou a todos os atores políticos para que respeitem o processo institucional em curso e aguardem a publicação dos resultados finais pela entidade competente, a Comissão Nacional de Eleições (CNE).

O apelo foi lançado esta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, pelo vice-presidente do Conselho Nacional de Transição, Fode Caramba Sanhá, durante uma comunicação à imprensa realizada após o referendo.

O responsável afirmou que os resultados provisórios indicam uma tendência clara favorável ao voto “Sim” e sublinhou que, nesta fase, a responsabilidade é maior do que celebrar uma percentagem, sendo necessário preparar a Guiné-Bissau para o período pós-referendo.

Segundo Fode Caramba Sanhá, caso os resultados finais confirmem a tendência provisória, o lema da campanha, “Voto Sim pela Estabilidade”, deixará de ser apenas uma mensagem eleitoral para se transformar numa responsabilidade que deverá ser demonstrada através de ações concretas.

Na sua intervenção, destacou que estabilidade significa instituições funcionais, respeito pela legalidade, previsibilidade na vida pública, segurança, continuidade das reformas, criação de condições para o funcionamento regular do Estado, diálogo e respeito pelas diferenças.

O vice-presidente do CNT acrescentou ainda que, caso a tendência seja confirmada, chegará ao fim uma etapa em que foi pedido ao povo guineense que votasse pela estabilidade, iniciando-se outra, mais exigente, marcada pela construção de instituições fortes, pela promoção da legalidade, do diálogo, da responsabilidade e do respeito por quem concorda e por quem discorda.

Durante a sua comunicação, Fode Caramba Sanhá reconheceu que os resultados provisórios mostram igualmente que o país não se pronunciou de forma uniforme, uma vez que, segundo afirmou, “há regiões em que a participação foi muito elevada e outras em que se registaram níveis significativos de abstenção”.

“A título de exemplo, nas regiões de Gabú e Bafatá, a participação aproximou-se dos 90%, acompanhada de uma votação fortemente favorável ao ‘Sim’. Em Tombali registou-se igualmente uma participação elevada e uma maioria clara da opção ‘Sim'”, realçou.

De acordo com Fode Caramba Sanhá, embora o “Sim” surja maioritário entre os votos válidos em regiões como Biombo, Quinara e Bolama/Bijagós, os níveis de participação foram reduzidos. Já no Setor Autónomo de Bissau, os resultados provisórios atribuem 64.241 votos ao “Não” e 58.957 ao “Sim”, o que representa uma vantagem provisória de 5.284 votos para o “Não”.

Para o dirigente, todos os resultados merecem respeito, salientando que a democracia não se mede apenas pela existência de uma maioria, mas também pela capacidade de respeitar aqueles que fizeram escolhas diferentes.

Caramba Sanhá denunciou ainda que, durante o processo referendário, houve apelos públicos à não participação. Contudo, frisou que os resultados provisórios indicam que a maioria dos eleitores inscritos compareceu às urnas.

“As diferenças significativas de participação entre regiões merecem uma análise serena, rigorosa e responsável”, afirmou. Acrescentou que a obrigação das autoridades não é apenas contabilizar os votos, mas também compreender as mensagens transmitidas pelos cidadãos através do voto “Sim”, do voto “Não” e da própria abstenção.

Sanhá alertou ainda que, caso os resultados provisórios anunciados pela Comissão Nacional de Eleições sejam confirmados, a Constituição resultante do referendo não será a Constituição de uma campanha, de um grupo ou de uma região, mas sim um quadro institucional para toda a República da Guiné-Bissau.

Por essa razão, Fode Caramba Sanhá considerou que uma eventual confirmação da maioria favorável ao “Sim” deve ser recebida não como uma autorização para dividir, mas como uma responsabilidade acrescida para promover a união e a inclusão.

Por: Carolina Djeme
odemocratagb

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

FRACO DESEMPENHO EM MATEMÁTICA E EDUCAÇÃO VISUAL MARCA CORREÇÃO DOS EXAMES NACIONAIS

O Coordenador Nacional de Língua Portuguesa, José António da Silva, revela que foram registados fracos resultados nas disciplinas de Matemática e Educação Visual durante o processo de correção dos Exames Nacionais.

A revelação foi feita esta quarta-feira, em Bissau, durante uma entrevista à Rádio Sol Mansi, na qual o responsável fez o balanço do trabalho de correção dos exames, realizados entre os dias 10 e 14 de agosto.

Segundo José António da Silva, as maiores dificuldades foram registadas nas disciplinas de caráter mais prático, situação que, na sua avaliação, está relacionada com a falta de domínio dos conteúdos por parte dos alunos.

A Rádio Sol Mansi apurou, junto do Gabinete dos Exames Nacionais, que foram igualmente recebidas reclamações de alunos que afirmam não ter tido contacto com alguns dos conteúdos avaliados, sobretudo estudantes das escolas públicas.

Por outro lado, o Coordenador Nacional de Língua Portuguesa destaca o desempenho de algumas escolas privadas na disciplina de Português.

Entre as instituições que apresentaram melhores resultados, José António da Silva aponta o Liceu João XXIII, a Escola São José e a Escola Adventista Betel.

Entretanto, uma fonte do Gabinete dos Exames Nacionais revela à Rádio Sol Mansi que, até ao momento, o Governo ainda não disponibilizou os fundos destinados a apoiar o processo dos exames.

A situação, segundo a mesma fonte, poderá constituir mais um desafio para o normal funcionamento das atividades relacionadas com os Exames Nacionais.

RSM: 02/09/2026