A secretária executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse hoje que a entidade é constituída por "nove Estados-membros", salientando que as relações com a Guiné-Bissau continuam através das missões.
"Nós continuamos como nove Estados-membros, portanto, somos nove Estados-membros; continuamos a ter as nossas relações bilaterais através das nossas missões, que estão representadas com a Guiné-Bissau", disse Maria de Fátima Monteiro Jardim, em declarações aos jornalistas, depois da visita do Presidente da República de Portugal, António José Seguro, à sede da instituição.
"Naturalmente que estamos a apreciar internamente todo o nosso dossiê, no sentido de cada vez mais nos aproximarmos e podermos ver, na data da realização de eleições, e não só - o diálogo vai naturalmente fazer com que possamos, e é esse o nosso desejo -, retomarmos a ter" o país na CPLP, acrescentou a diplomata angolana, que ocupa até 2027 a liderança da comunidade.
Nas declarações aos jornalistas, Maria de Fátima Jardim acrescentou: "Não há, de forma nenhuma, aqui a afirmação de que a Guiné-Bissau não é membro da CPLP, pelo contrário, continuamos a dizer que somos nove Estados-membros, mas, por razão da instabilidade vivida, estamos com interesse em podermos promover o diálogo para que possamos sair dessa situação".
Na intervenção que o Presidente da República fez aos embaixadores permanentes dos países lusófonos na CPLP e perante a direção desta entidade, à porta fechada, Seguro afirmou, segundo o discurso colocado no site da Presidência, que "é importante recordar de onde partimos e não perder o norte".
Na Declaração Constitutiva da CPLP pode ler-se, logo no início, que os seus fundadores estavam "imbuídos dos valores perenes da paz, da democracia e do Estado de direito, dos direitos humanos, do desenvolvimento e da justiça social", disse o chefe de Estado, acrescentando: "Não devemos esquecer nunca esses valores que nos unem. E não devemos esquecer nunca o poder que, juntos, temos de defender e promover esses valores dentro e fora das nossas fronteiras".
A Guiné-Bissau está suspensa da CPLP, na sequência do golpe militar de novembro do ano passado, e foi substituída por Timor-Leste no exercício da presidência temporária da organização.
No passado dia 24 de junho, o Conselho Nacional de Transição, criado pelos militares para substituir o parlamento, afirmou que a permanência do país na CPLP será decidida nas próximas eleições, anunciadas para 06 de dezembro.
Em comunicado divulgado pela imprensa guineense, o Conselho afirmou que, "ao contrário de organizações maduras e inteligentes, como a francofonia, da qual a Guiné-Bissau é membro de pleno direito (...), a CPLP prefere agir com o complexo de chicote na mão, através de vias anti estatutárias ilegais".
Os militares reagiam a declarações proferidas pelo primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que anunciou, em Lisboa, que o seu país irá assumir a liderança da CPLP findo o período atual (de substituição da presidência guineense).
Na nota, questionavam "o duplo critério e jogos de bastidores" e a razão de a CPLP negar a presidência à Guiné Equatorial para a entregar a Timor-Leste.
A atual Guiné-Bissau, continuavam, "recusa submeter-se a este clube de atrasados, não deseja o seu regresso a esta organização fantoche e avisa que irá realizar as suas eleições soberanas financiadas integralmente pelo seu próprio cofre de Estado".
A CPLP, que assinala 30 anos a 17 de julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Lusa

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