Fernando Vaz fez uma comunicação aos jornalistas. © Charlotte Idrac / RFI
O porta voz do Conselho nacional de transição, Fernando Vaz, exigiu respeito a Cabo Verde e Angola, bem como a Timor Leste, a propósito das críticas sobre a gestão do golpe de Estado de Novembro passado.
Fernando Vaz lembrou durante a leitura de um comunicado de imprensa na segunda-feira, em Bissau, que amizade histórica não é vassalagem política. O porta voz do Conselho de transição deixou recados aos presidentes angolano e cabo-verdiano, nomeadamente pela postura de ambos quanto a Bissau.
“O Presidente angolano esquece-se, por conveniência, que eleições fraudulentas e processos viciados constituem por si só golpes constitucionais. Em Angola, o mundo assistiu a processos eleitorais onde a transparência foi sacrificada no altar da manutenção do poder”, referiu o porta-voz.
Quanto a Cabo Verde, José Maria Neves é acusado por Fernando Vaz de ter “memória curta” e de “incoerência”, acrescentando que o estadista cabo-verdiano “tenta ressurgir com um discurso de preocupação pedagógica e sofrendo uma amnésia selectiva, para legitimar a sua interferência externa e a perceção de hipocrisia nas relações diplomáticas regionais”.
Para Bissau, “quando Neves se cala com as ofensas de Xanana Gusmão”, que considerou a Guiné-Bissau “um Estado falhado”, e com as lições de moral de João Lourenço, “valida uma hierarquia hipócrita da CPLP”, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, da qual os três Estados são membros.
Entretanto, o primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, pediu no domingo desculpa ao Governo de transição guineense, por ter dito na semana passada que a Guiné-Bissau é um Estado falhado. As autoridades da transição dizem estar a considerar se aceitam as desculpas do primeiro-ministro timorense. Na semana passada, Bissau já tinha referido que a Comunidade de Países de Língua Portuguesa está a antecipar o próprio funeral com a liderança de Timor-Leste.
Por: RFI

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