segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Guiné-Bissau: PAI Terra Ranka e API Cabaz Garandi satisfeitas com fraca mobilização no referendo



PAI Terrra Ranka e API Cabaz Garandi reagiram ao referendo este domingo na Guiné-Bissau (Ilustração). Joe Penney / Reuters

Bissau – O PAI Terra Ranka e a API Cabaz Garandi anunciaram em comunicado que os guineenses cumpriram o apelo ao boicote do referendo constitucional deste domingo, falando numa punição para "os golpistas e os seus cúmplices".

Muniro Conté é o porta-voz das plataformas PAI Terra Ranka, ligado ao PAIGC, Partido africano para a independência da Guiné e Cabo Verde, e API (Aliança patriótica inclusiva) Cabaz Garandi.

Duas plataforamas que alegam que os eleitores teriam punido, com a suposta fraca mobilização no referendo constitucional deste domingo, uma consulta popular denunciada pela sociedade civil e boa parte do xadrez político nacional devido à sua ilegitimidade, por ter sido promulgada, na sequência do golpe de Estado de 26 de Novembro do ano passado.

O fraco nível de participação popular, constituiu uma clara expressão de rejeição das mudanças constitucionais que o regime pretende impor ao povo guineense.

A mensagem das urnas vazias é inequívoca: o povo não aceita ser governado à margem da legalidade democrática, por isso puniu públicamente os golpistas e os seus cúmplices.

A segunda é que a Constituição, as instituições e as regras fundamentais da convivência democrática devem ser fruto de um entendimento nacional e não a vontade unilateral de quem, circunstancialmente, controla o poder. Uma nova lei fundamental para ser legítima, exige consenso, pluralismo e participação popular. Não pode ser imposta pela força e pela fraude.

A terceira é que o Alto Comando Militar, o Conselho Nacional de Transição, o Supremo Tribunal de Justiça, o Tribunal Militar Superior e os demais cúmplices políticos perante esta humilhação popular, vão certamente tentar um ardil no sentido do adiamento das eleições unilateralmente convocadas, quando deveriam retirar as lições que se impõem e aceitar, por fim, toda esta orquestração de planos anti-democráticos condenados ao fracasso, porque o povo é quem mais ordena.

A constituição aprovada pelo Conselho nacional de transição, já promulgada, reforça os poderes do Presidente, diminuindo substancialmente o número de deputados do parlamento e dos respctivos círculos eleitorais.

Entretanto, numa comunicação pública, a Comissão Nacional de Eleições fez um balanço positivo do dia de votação, apontando para 55% de participação no referendo sobre a nova Constituição, e elogiando o "ambiente de serenidade" ao longo do processo. Idrissa Djaló é secretário executivo adjunto da CNE:

"Ao longo do dia registou-se uma afluência significativa dos cidadãos às mesas da assembleia de voto nalgumas regiões, e uma afluência regular e moderada noutras regiões. A participação dos cidadãos no referendo é considerada satisfatória, de acordo com os dados recolhidos junto às estruturas regionais. A taxa de participação pode situar-se acima dos 55%. As informações disponíveis indicam que os cidadãos [exerceram] o seu direito de voto de forma ordeira e, na generalidade dos casos, sem grandes períodos de espera. A actuação das forças de segurança tem-se desenvolvido de forma profissional, discreta e sem interferência nas operações eleitorais propriamente dita."

Por: RFI

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