O presidente do movimento juvenil “Fidju di Tera Nasi Tera”, Suncar Marquês Mané, afirmou que o principal problema da Guiné-Bissau não é a crise económica, mas sim os sinais crescentes de ódio e de vingança na sociedade.
Mané fez estas declarações esta quinta-feira, 25 de junho de 2026, durante uma conferência de imprensa centrada na reconciliação e no papel da juventude na construção da paz. O ativista sublinhou que a Guiné-Bissau é um país rico, mas com uma população pobre.
“Dos 100% da população, 60% são jovens. Infelizmente, a juventude está sem futuro e desesperada”, lamentou, defendendo a necessidade urgente de uma “reconciliação profunda e verdadeira” entre os atores políticos.
“A falta de reconciliação é a causa da instabilidade política até hoje. Vemos conflitos entre partidos políticos, entre irmãos e até entre pais e filhos”, acrescentou. Segundo Suncar Mané, a reconciliação só será possível com o perdão genuíno. “Isso é o que permitirá o avanço da Guiné-Bissau”, afirmou.
O ativista defendeu ainda que os jovens não devem ser usados como protagonistas de marchas encomendadas, nem envolvidos em atos de violência ou vandalismo.
“A instabilidade política prejudica os jovens. Eles não devem aceitar a instrumentalização ou a compra de consciência por 2.000 francos CFA para promover marchas violentas que comprometem a paz e a estabilidade no país”, advertiu.
“Enquanto jovens, somos um ponto de diálogo para o desenvolvimento da Guiné-Bissau. Não podemos aceitar ser instrumentos de instabilidade na nossa terra”, reforçou.
Suncar Mané apelou também aos líderes religiosos para se manterem afastados da política e contribuírem para a promoção da paz. “Quando a religião entra na defesa de partidos políticos, acaba por dividir a sociedade”, alertou.
Por fim, exigiu mais oportunidades de emprego para a juventude, destacando a necessidade de integração dos jovens formados no mercado de trabalho.
“Se houver emprego para os jovens, poderemos considerar que há uma reconciliação verdadeira, porque isso ajudará a combater a fome. Apelamos ao governo de transição que faça tudo o que estiver ao seu alcance para melhorar a situação atual da população”, concluiu.
Por: Natcha Mário M’bundé
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