terça-feira, 19 de outubro de 2021

Candidato do Chega detido por disparar contra suecos em Moura

 

16 Outubro 2021 — 11:45


A PJ anunciou este sábado a detenção um homem pelo crime de homicídio qualificado na forma tentada no passado dia 8 de outubro em Moura. As vítimas eram um casal de cidadãos suecos - o homem um imigrante de origem africana - e sete filhos menores.

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou este sábado a detenção de um homem, de 53 anos, suspeito de ter efetuado disparos com arma de fogo contra uma família sueca (um casal e sete filhos menores), no concelho de Moura (Beja), "aparentemente por ódio racial".

Ao que o DN apurou junto a fonte judicial, o detido é um conhecido comerciante da região que fez parte da lista do Chega que se candidatou à Junta de Freguesia da Póvoa de S. Miguel, um bastião do partido de André Ventura naquele concelho.

As vítimas são uma família sueca, o pai de origem africana, a mulher e sete filhos com idades entre os 11 anos e os três meses, cujo "veículo de passageiros onde seguiam adaptado a caravana" foi "atingido com disparos de arma de fogo".

A agressão, adiantou a PJ, ocorreu na tarde do passado dia 08 de outubro e foi "perpetrada na sequência de contenda ocorrida momentos antes, aparentemente determinada por ódio racial".

A discussão que envolveu o candidato do Chega e o homem terá estado relacionada com questões de imigração e subsídios, tendo a família abandonado o local da contenda.

A PJ indicou que o suspeito foi detido, por elementos da Diretoria do Sul desta polícia, por existirem "fortes indícios" da prática do crime de homicídio qualificado na forma tentada.

"Após a altercação com o elemento do género masculino do casal, o suspeito perseguiu a viatura onde seguiam as vítimas, executando o crime assim que se mostrou oportunidade", referiu.

De acordo com a PJ, após a agressão, o suspeito "abandonou o local" e esforçou-se por "ocultar das autoridades objetos e veículos utilizados" na sua execução.

Na sequência de "trabalho de investigação", sublinhou, foram "recolhidos relevantes elementos probatórios que conduziram à cabal identificação do suspeito e ditaram a emissão de mandados de detenção fora de flagrante delito".

O Ministério Público de Moura levou o detido a tribunal sem ter promovido medidas de coação além do TIR, o que levou à imediata libertação do comerciante candidato do Chega.

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