terça-feira, 27 de janeiro de 2026

PM, Ilídio Vieira Té perante delegação de PAIGC: “CASO DE DOMINGOS SIMÕES PEREIRA É DA RESPONSABILIDADE DOS TRIBUNAIS COMPETENTES”

O Primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, afirmou esta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, que o Alto Comando Militar já ordenou a libertação de todos os prisioneiros sob sua custódia. O governante esclareceu ainda que o caso de Domingos Simões Pereira (DSP) “não está nem esteve sob alçada militar”, sendo “uma matéria da exclusiva responsabilidade dos tribunais competentes”.

A posição foi divulgada em nota do Gabinete de Imprensa do Primeiro-ministro, que relata o encontro realizado na segunda‑feira, 26 de janeiro, entre Ilídio Vieira Té e uma delegação de veteranos do PAIGC, acompanhados de dirigentes de outras formações políticas.

Encontro focado na reconciliação e na estabilidade durante a transição

A reunião, facilitada por Joana Cobde Nhanca, líder do Movimento Social Democrata, teve como propósito promover a paz, a reconciliação nacional e a estabilidade política neste período de transição.

Segundo apurou O Democrata, este foi o segundo encontro entre o  Primeiro‑ministro e os veteranos do PAIGC — o primeiro aconteceu a 16 de janeiro — ambos realizados na Prematura, com a presença de diversas personalidades políticas.

Entre os participantes estiveram Joana Cobde Nhanca, Manuel dos Santos (Manecas), Ana Maria Soares e Iaia Maria Turé. Também marcou presença o antigo líder da Resistência da Guiné-Bissau (RGB), Salvador Tchongo, acompanhado por uma pessoa não identificada.

Governo reafirma abertura ao diálogo

De acordo com a nota oficial, o Primeiro-ministro reiterou que todos os líderes políticos têm a responsabilidade de contribuir para o entendimento nacional e para compromissos justos e responsáveis.

Ilídio Vieira Té assegurou a “total disponibilidade do governo para um diálogo construtivo que sirva os interesses nacionais” e informou que transmitirá as preocupações dos veteranos ao Presidente da República de Transição e ao Alto Comando Militar.

O governante apelou ainda à serenidade e advertiu para o impacto negativo das redes sociais na coesão social, sublinhando que “a liberdade de expressão não deve ser confundida com libertinagem”. Criticou igualmente “ataques irresponsáveis” que, segundo afirmou, “apenas denigrem a imagem do país”, destacando sinais de evolução positiva em relação ao passado recente.

Veteranos pedem reconciliação e alertam para impacto político da detenção de DSP

Durante o encontro, o veterano Manuel dos Santos (Manecas) salientou que, embora seja “do PAIGC até à morte”, coloca a Guiné-Bissau acima de qualquer partido. Recordou que as eleições já têm data marcada e pediu o início das atividades políticas “num clima de reconciliação”.

Defendeu ainda a normalização institucional como condição essencial para atrair investimentos e sublinhou que a reconciliação nacional é indispensável ao progresso.

Segundo Manecas, o prolongamento da detenção de Domingos Simões Pereira “deteriora politicamente” a situação do líder do PAIGC.

“A conversa franca é o único caminho”, diz promotora da iniciativa

Joana Cobde Nhanca agradeceu a abertura demonstrada pelo governo e afirmou que a iniciativa resulta do dever histórico dos veteranos de promover o diálogo e evitar a radicalização da juventude.

A seu ver, “o entendimento só é possível através da conversa franca, do reconhecimento dos erros do passado e da necessidade de pôr gelo no coração”.

A veterana Ana Maria Soares apelou à libertação dos detidos, rejeitou qualquer cenário de confronto entre guineenses e reforçou que, havendo culpa formada, cabe exclusivamente aos tribunais julgar.

Por: Redação
odemocratagb.

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