Na Guiné-Bissau, assinala-se este domingo a data em que o antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló deveria regressar ao país, de acordo com o próprio, que anunciou o regresso no início desta semana. No entanto, após os militares no poder terem comunicado que "não estão garantidas as condições de segurança para o regresso de Embaló", instalou-se um clima de incerteza.
Ao longo da semana, registaram-se movimentações no seio das Forças Armadas, bem como o "alegado desarmamento" de estruturas militares leais a Embaló, uma medida saudada pela oposição política e pela sociedade civil. Este sábado, os chefes da diplomacia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) recomendaram o envio de uma missão de alto nível à Guiné-Bissau.
Na Cidade da Praia, este sábado, o ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros abordou a situação na Guiné-Bissau, durante uma conferência de imprensa sobre a Assembleia-Geral das Nações Unidas. Manuel Amante da Rosa anunciou uma decisão tomada em conjunto com os seus homólogos da CPLP.
"Reunímo-nos em sede informal com os ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP, sob a égide de Timor-Leste, para analisar a situação na Guiné-Bissau. Concertámos posições e recomendámos o envio de uma missão de bons ofícios de alto nível à Guiné-Bissau para apoiar a estabilização política e o retorno à normalidade democrática", afirmou Manuel Amante da Rosa.
A reunião decorreu em Nova Iorque, à margem da Assembleia-Geral da ONU, e resultou num comunicado em que a CPLP reiterou o apoio ao regresso à "normalidade constitucional de um Estado democrático", sem referência à missão.
O antigo Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, deposto na sequência da tomada do poder pelos militares, em novembro de 2025, tinha anunciado o regresso ao país para este domingo.
As autoridades de transição alegaram falta de condições de segurança e realizaram movimentações nas Forças Armadas, medidas saudadas pela sociedade civil.
Entretanto, Embaló voltou a pronunciar-se nas redes sociais. Apelou à serenidade dos apoiantes, disse aguardar o levantamento das restrições ao seu regresso e rejeitou as acusações de crimes cometidos durante o seu mandato.
A estrutura militar que criou, conhecida como «Anti-Golpe», é acusada pela sociedade civil de envolvimento em atos de tortura, espancamentos, raptos e assassinatos. Embaló rejeita essas acusações e afirma que nunca criou as Forças Especiais de Defesa e Segurança para se voltarem contra o povo.
Por: RFI com AFP
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