As coligações PAI–Terra Ranka e API–Cabaz Garandi apelaram ao Alto Comando Militar para que autorize o pleno exercício da atividade política, restabeleça as liberdades fundamentais e permita a reabertura das sedes partidárias.
A posição consta de um comunicado conjunto, datado de 3 de outubro de 2026, em reação ao comunicado à imprensa n.º 07/ACM/2026, de 1 de outubro, do Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública. O documento é subscrito por António Samba Baldé, pela PAI–Terra Ranka, e Jorge Fernandes, pela API–Cabaz Garandi.
As duas coligações manifestam satisfação com o anunciado desmantelamento de milícias armadas que associam ao antigo Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e com a afetação dos militares e paramilitares envolvidos às unidades castrenses. Defendem que todas as estruturas armadas devem estar integradas num comando unificado, subordinado ao poder civil e à Constituição.
No mesmo documento, incentivam as chefias militares a promover a reconciliação no seio das Forças Armadas, de forma pacífica e sem derramamento de sangue. Consideram que a reforma das Forças de Defesa e Segurança deve respeitar os direitos humanos e assegurar instituições republicanas, apartidárias e subordinadas ao poder civil.
Quanto às medidas restritivas aplicadas a Embaló e aos seus apoiantes, as coligações registam que estas correspondem às limitações já impostas aos restantes partidos e atores políticos. Contudo, sublinham que a igualdade de tratamento não dispensa o levantamento integral das restrições à atividade política.
Segundo as signatárias, a proibição generalizada da atividade política e o encerramento das sedes partidárias impedem o debate democrático, o esclarecimento da população e a apresentação de propostas para ultrapassar a crise. Sustentam ainda que, sem liberdade de reunião e de expressão, não pode haver uma transição credível nem um processo eleitoral justo.
A PAI–Terra Ranka e a API–Cabaz Garandi defendem uma solução de governação concebida pelos guineenses e propõem um pacto político nacional que reúna civis e militares em torno dos interesses do país, assente no respeito mútuo, na subordinação dos militares ao poder político e na defesa da soberania popular.
As duas coligações reiteram a disponibilidade para participar num diálogo inclusivo com todas as forças políticas, a sociedade civil e as instituições de soberania. Defendem que esse processo deve seguir um roteiro credível, capaz de conduzir a uma solução constitucional, pacífica e duradoura.
Sobre o referendo de 30 de agosto de 2026, as signatárias contestam a credibilidade do processo, que qualificam como fraudulento, e reclamam que a saída da crise respeite a vontade popular expressa nas urnas e o que consideram ser o verdadeiro resultado da votação.
O comunicado termina com a reafirmação do compromisso das duas coligações com a democracia, o Estado de direito, a ordem constitucional, a soberania popular e a reconciliação nacional.
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