quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Estudantes guineenses em Portugal reivindicam integração académica e oportunidades de regresso

Os estudantes da Guiné-Bissau residentes em Portugal recomendaram ao Estado guineense, à Embaixada da Guiné-Bissau e às instituições de ensino superior portuguesas o reforço das medidas de acompanhamento, apoio e integração da comunidade académica guineense. Defenderam igualmente a criação de mecanismos que facilitem o regresso ao país, a inserção profissional e a participação dos jovens no desenvolvimento nacional.

As recomendações constam da Declaração Final do Encontro dos Estudantes da Guiné-Bissau em Portugal, realizado em Coimbra entre 25 e 27 de setembro, sob o lema “Uma Geração, Uma Voz, Um Futuro para a Guiné-Bissau”. O evento reuniu 92 estudantes provenientes de várias cidades e instituições de ensino superior portuguesas.

No documento, consultado por O Democrata, os participantes apelam ao Estado guineense para que estabeleça mecanismos de ligação entre os estudantes na diáspora, as instituições nacionais e as oportunidades de participação no desenvolvimento do país. Reivindicam ainda políticas que incentivem o regresso dos jovens qualificados, promovam a sua integração profissional e valorizem a partilha de conhecimentos e competências adquiridas no exterior.

À Embaixada da Guiné-Bissau e às restantes representações diplomáticas, os estudantes recomendam a manutenção de um diálogo regular com as organizações estudantis, o acompanhamento das principais necessidades da comunidade académica e o apoio a iniciativas nas áreas da formação, integração, cultura e participação cívica.

Já às instituições de ensino superior portuguesas, solicitam o reforço dos mecanismos de acolhimento e integração dos estudantes internacionais, a ampliação do acesso a serviços de apoio psicológico, social e académico, bem como a criação de canais de comunicação permanentes com as associações estudantis guineenses.

Criação da União dos Estudantes da Guiné-Bissau em Portugal

Um dos principais resultados do encontro foi a criação da União dos Estudantes da Guiné-Bissau em Portugal (UEGB-P), estrutura destinada a promover a articulação, representação e cooperação entre as diversas associações e organizações estudantis guineenses no país.

Segundo a declaração final, a nova organização deverá facilitar a circulação de informação, impulsionar iniciativas conjuntas e assegurar a continuidade do diálogo iniciado em Coimbra, respeitando a autonomia de cada associação membro.

Entre as suas áreas de atuação destacam-se a defesa dos interesses dos estudantes guineenses, a promoção da integração académica e social, a valorização da cultura guineense e o fortalecimento da cooperação associativa.

Educação, integração e desafios sociais em debate

Ao longo dos três dias de trabalhos, os participantes debateram temas relacionados com a educação e formação, a integração intercultural e os desafios psicossociais enfrentados pelos estudantes guineenses em Portugal.

As discussões abordaram questões como o sucesso académico, a participação associativa e cívica, a adaptação à vida universitária, situações de preconceito e discriminação, bem como a importância das redes de apoio para a integração dos estudantes.

O programa incluiu ainda sessões de partilha de experiências académicas e profissionais, atividades culturais e desportivas e momentos de convívio entre os participantes.

As associações organizadoras defenderam igualmente o reforço da cooperação entre organizações estudantis de diferentes cidades, a criação de mecanismos de apoio e encaminhamento para estudantes em situação de dificuldade e a realização de novas iniciativas nos domínios da formação, cultura, liderança, empregabilidade e participação cívica.

O encontro foi organizado pela Organização de Estudantes da Guiné-Bissau em Coimbra (OEGB-C), pela Associação dos Estudantes da Guiné-Bissau em Aveiro, pela Associação dos Estudantes da Guiné-Bissau em Évora, pela Associação dos Estudantes Guineenses em Castelo Branco, pela Associação dos Estudantes Guineenses em Braga, pela Comunidade Guineense na Covilhã e pela Secção Autónoma de Estudantes Guineenses da Universidade do Algarve.

Por Tiago Seide
Foto: Cortesia da Associação de Estudantes da Guiné-Bissau em Coimbra
odemocratagb

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