Domingos Simões Pereira numa fotografia de arquivo. © Liliana Henriques / RFI
Domingos Simões Pereira quis assinalar o "sentimento de alívio dos cidadãos guineenses, tanto no país como na diáspora, perante o desmantelamento do esquadrão de terror que esse senhor [Umaro Sissoco Embaló] havia implantado no país".
Em Lisboa, na Faculdade de Direito onde vai apresentar o seu livro recentemente publicado, o líder do PAIGC sublinhou que há uma "enorme expectativa quanto aos próximos passos".
Esta semana, os acontecimentos precipitaram-se na Guiné-Bissau desde o anúncio por Umaro Sissoco Embaló do seu regresso ao país para se candidatar às eleições presidenciais de 6 de Dezembro. Desde então, o Alto Comando Militar comunicou que as condições de segurança não estão reunidas para o regresso de Embaló e procedeu a movimentações nas Forças Armadas.
Informações segundo as quais foram desarmadas as estruturas militares próximas de Umaro Sissoco Embaló contribuíram para a construção da narrativa segundo a qual está em curso uma "ruptura política".
Em comunicado, a Frente Popular e o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil saúdaram o "fim da instrumentalização das actuais autoridades de facto por Umaro Sissoco Embaló" e exigiram o regresso do antigo presidente para que responda perante a justiça "pelos graves crimes que lhe são imputados".
As autoridades de transição fixaram as eleições presidenciais para 6 de Dezembro. No entanto, continuam em vigor medidas de restrições políticas, nomeadamente o encerramento de várias sedes partidárias.
Domingos Simões Pereira, detido em Julho pelos militares no poder, foi autorizado no mesmo mês a viajar para Portugal por alegadas questões de saúde, de acordo com o Conselho Nacional de Transição, uma justificação que o próprio nunca confirmou.
Este sábado a partir de Lisboa, antes da apresentação do seu livro recentemente publicado, o líder da oposição, questionado pela RFI, confirmou:
Até onde estará disposto a ir o Comando Militar? Aproveitará esta oportunidade para se distanciar claramente de todos os desmandos cometidos à sombra dessa milícia, incluindo aqueles protagonizados por responsáveis políticos? Estou a referir-me aos assaltos às instituições do Estado, e à alteração da ordem constitucional pela via da força. Estará o Alto Comando disposto a assumir a responsabilidade de criar condições objectivas para um diálogo que seja verdadeiramente inclusivo, capaz de conduzir o país ao restabelecimento da normalidade constitucional?

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