A organização não-governamental Tiniguena defendeu esta terça-feira a necessidade de a Guiné-Bissau reforçar as ações de combate ao lixo marinho, alertando para os impactos negativos da poluição nos ecossistemas costeiros e marinhos, considerados fundamentais para a economia nacional e para a subsistência das comunidades.
A posição foi expressa por Erickson Mendonça durante a cerimónia de lançamento do projeto “Redução de Lixos Marinhos na Guiné-Bissau” (ReLiMa), realizada na sede da organização, em Bissau.
Segundo Mendonça, trata-se da primeira vez que a Tiniguena desenvolve um projeto especificamente dedicado à problemática do lixo marinho, após mais de três décadas de atuação no setor ambiental.
“O lixo marinho representa uma ameaça crescente para os ecossistemas e para os recursos naturais que sustentam a vida das populações e contribuem para a economia do país”, destacou.
Por sua vez, o diretor do Serviço de Gestão de Resíduos e Produtos Químicos, Per Infali Cassamá, que representou o Ministério do Ambiente e Ação Climática no evento, afirmou que a poluição causada pelos resíduos marinhos constitui atualmente uma das maiores ameaças aos oceanos e à biodiversidade a nível global.
O responsável sublinhou ainda a importância dos mangais da Guiné-Bissau, considerados entre os mais relevantes da África Ocidental devido ao seu papel na proteção da linha costeira, na reprodução de espécies marinhas, na captura de carbono e na adaptação às alterações climáticas.
De acordo com Cassamá, a acumulação de resíduos sólidos e plásticos nestes ecossistemas ameaça diretamente a biodiversidade, reduz a produtividade pesqueira e compromete a segurança alimentar das comunidades costeiras.
O projeto ReLiMa é uma iniciativa regional com duração de cinco anos, financiada pelo Ministério Federal do Ambiente da Alemanha através do Programa de Subvenções para o Combate ao Lixo Marinho.
A iniciativa pretende implementar modelos sustentáveis de prevenção, recolha, recuperação e reciclagem de resíduos marinhos em três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento de língua portuguesa: Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
RSM 28-07-2026
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