quarta-feira, 11 de março de 2026

Guerra no Médio Oriente: Irão intensifica ofensiva


Uma tentativa de intercepção é levada a cabo por Israel durante o lançamento de mísseis iranianos em Telavive, a 10 de Março de 2026. © REUTERS - Dylan Martinez

A guerra no Médio Oriente entrou esta quarta-feira, 11 de Março, no décimo segundo dia com uma forte escalada militar, marcada por uma vaga de ataques iranianos considerada por Teerão como a mais intensa desde o início do conflito.

De acordo com a emissora estatal do Irão, Teerão lançou a “onda de ataques mais violenta e intensa desde o início da guerra”, dirigida contra alvos norte-americanos e israelitas. A operação terá durado cerca de três horas e visou zonas estratégicas em Israel, incluindo o sul de Telavive, o oeste de Jerusalém e Haifa, bem como posições militares norte-americanas no Curdistão iraquiano e a base naval da Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein.

O exército israelita confirmou a detecção de mísseis disparados a partir do Irão em direcção ao seu território, tendo activado os sistemas de defesa aérea. De acordo com um canal de televisão israelita, alguns ataques provocaram vários feridos na região de Telavive.

Líder Supremo do Irão está “são e salvo”

No plano político interno, surgiram também informações sobre o estado de saúde do novo Líder Supremo iraniano, Mojtaba Khamenei. O filho do presidente iraniano, Yousef Pezeshkian, afirmou na rede Telegram que o dirigente está “são e salvo”, apesar de ter sofrido ferimentos.

Segundo relatos, Mojtaba Khamenei terá sido ferido no ataque aéreo que matou o pai no primeiro dia da ofensiva israelo-americana, a 28 de Fevereiro. Desde então não voltou a aparecer em público e não são conhecidos detalhes sobre a gravidade dos ferimentos.

Ainda no país, o chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, lançou um aviso aos opositores do regime. Segundo declarou à IRIB, qualquer pessoa que participe em manifestações contra o Governo será tratada como “um inimigo”.

O aviso surge após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter apelado publicamente aos iranianos para “tomarem o poder”, numa altura em que o país ainda recupera de um movimento de protesto reprimido dois meses antes.

Explosões e ataques em várias frentes

Durante a madrugada foram também ouvidas novas explosões em Teerão, sobretudo nas zonas norte e oeste da capital iraniana. O exército israelita reivindicou a autoria de uma nova vaga de ataques contra a cidade.

No Líbano, um ataque aéreo israelita atingiu novamente o centro de Beirute. De acordo com a Agência Nacional de Notícias, a aviação israelita atacou um prédio na zona de Aisha Bakkar, no coração da capital.

Entretanto, no Golfo, um navio foi atingido por um “projéctil desconhecido” no Estreito de Ormuz, provocando um incêndio a bordo. A informação foi avançada pelo UKMTO, que indicou que a tripulação iniciou um processo de evacuação da embarcação, localizada a cerca de 11 milhas náuticas a norte de Omã. Num incidente separado na mesma região, um navio porta-contentores sofreu danos semelhantes, sem registo de vítimas.

Também no Qatar foram ouvidas várias explosões na capital, Doha, segundo jornalistas da AFP. Horas antes, o Ministério do Interior qatari tinha alertado para um “alto nível de ameaça à segurança”, aconselhando os residentes a permanecerem em casa e afastados das janelas.

Infra-estruturas petrolíferas na mira

A tensão estendeu-se igualmente à Arábia Saudita, onde as autoridades afirmaram ter abatido drones que tinham como alvo o importante campo petrolífero de Shaybah, operado pela gigante energética Saudi Aramco.

O Ministério da Defesa saudita anunciou a neutralização de sete drones dirigidos ao campo petrolífero, localizado no leste do país, perto da fronteira com os Emirados Árabes Unidos. Este complexo, fundamental para a produção petrolífera saudita, já tinha sido alvo de ataques desde o início da guerra, a 28 de Fevereiro.

Riad afirmou ter interceptado sete mísseis balísticos em ataques separados, seis dos quais dirigidos à Base Aérea Príncipe Sultan, que alberga tropas norte-americanas perto da capital. Outros drones foram abatidos nas regiões de Al-Kharj e Hafar Al-Batin.

Ataques a bases norte-americanas

A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou também o lançamento de mísseis contra uma base militar norte-americana no Kuwait. Segundo as agências iranianas Mehr e Fars, dois mísseis terão atingido o Campo Arifjan, uma instalação situada a sul da Cidade do Kuwait que alberga o quartel-general avançado das forças terrestres do CENTCOM. As autoridades kuwaitianas ainda não confirmaram oficialmente o ataque.

Reuniões de emergência entre aliados

Perante o agravamento do conflito, os líderes das principais potências mundiais vão reunir-se em videoconferência. O Presidente francês, Emmanuel Macron, participa esta quarta-feira numa reunião do G7 dedicada às consequências económicas da guerra, com especial enfoque na segurança energética.

Em Paris, o ministro da Defesa francês, Sébastien Lecornu, deverá reunir-se em Matignon com representantes dos partidos políticos para os informar sobre o estado da ameaça e sobre a posição da França perante o conflito.

A reunião, classificada como confidencial, abordará tanto as repercussões da guerra em território francês, nomeadamente em matéria de segurança e energia, como os desenvolvimentos diplomáticos e militares no exterior.

Por: RFI com AFP

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